O telefone tocou, o nome apareceu na tela, e Carlo Ancelotti ignorou o chamado da Itália. Não por descaso — mas porque havia um compromisso maior esperando do outro lado do Atlântico. Nesta quinta-feira (23), Paolo Maldini, novo diretor de seleções da Federação Italiana de Futebol (FIGC), confirmou publicamente o que o mercado já murmurava: a Itália procurou Ancelotti antes mesmo de abrir conversas com Pep Guardiola para substituir Gennaro Gattuso no comando da Azzurra.

O que Maldini revelou e o que os bastidores escondem

A declaração de Maldini foi direta e sem rodeios. Em entrevista concedida nesta quinta-feira, o ex-capitão da seleção italiana e ídolo do AC Milan não tentou disfarçar a hierarquia de preferências da FIGC:

MENINO NA LATERAL DA SELEÇÃO EM 2030?! 👀🇧🇷 #shorts
"Não podemos esconder que falamos também com Ancelotti antes de falar com Pep Guardiola. Nos pareceu justo começar por aqueles que considerávamos os melhores do mundo, mas é preciso verificar a disponibilidade geral."

A frase de Maldini entrega mais do que aparenta. Ao colocar Ancelotti acima de Guardiola na lista de prioridades, a FIGC reconhece publicamente que o treinador de 66 anos — nascido em Reggiolo, formado no Milan e consagrado no Real Madrid — ainda é considerado o melhor técnico vivo do planeta por uma das federações mais exigentes do mundo. Para a Seleção Brasileira, esse reconhecimento externo tem valor simbólico e estratégico: reforça que a CBF não contratou um nome em declínio, mas sim o profissional mais cobiçado do futebol global em 2026.

Guardiola, livre no mercado após deixar o Manchester City ao fim da temporada 2025/2026, também foi sondado pela FIGC. Maldini evitou estipular prazo para o anúncio do novo técnico, mas sinalizou que a federação pode esperar caso isso aumente as chances de fechar com o nome desejado — leia-se: o espanhol de Santpedor.

O contrato que blindou o Brasil nesse leilão silencioso

A resposta de Ancelotti à FIGC não foi de hesitação — foi de impossibilidade contratual combinada com escolha pessoal. O treinador está vinculado à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2030, em um contrato que cobre dois ciclos completos de Copa do Mundo. Esse prazo não é acidente: foi desenhado exatamente para blindar o projeto de interferências externas, algo que a CBF aprendeu da pior forma nos ciclos anteriores, quando a instabilidade técnica custou caro dentro e fora de campo.

Aqui, no compasso da Lapa de quinta-feira, quando o Rio de Janeiro ainda processa a eliminação nas oitavas da Copa do Mundo de 2026 para a Noruega, a notícia da sondagem italiana chega com sabor ambíguo para o torcedor brasileiro. De um lado, a confirmação de que o técnico é realmente de elite mundial. Do outro, a lembrança de que elite mundial não garantiu o hexacampeonato — e que a Copa de 2030, no Uruguai, Argentina, Chile e Paraguai, já começa a ser construída agora.

Em matéria do SportNavo, publicada após a eliminação brasileira, os números já apontavam o problema estrutural: o Brasil teve apenas 46% de posse de bola nos jogos decisivos e dependeu de contra-ataques em fases que exigiam controle. Ancelotti tem o diagnóstico. A questão é se o remédio chegará a tempo para 2030.

O que a Copa de 2030 exige de Ancelotti a partir de agora

A Itália ficou de fora da Copa do Mundo de 2026 — segunda ausência em três edições — e agora corre contra o tempo para reconstruir uma identidade. Esse vácuo europeu, paradoxalmente, favorece o Brasil: Ancelotti não será tentado por um projeto menor, e a FIGC terá que se contentar com Guardiola ou buscar um terceiro nome. Para a Azzurra, o prazo é curto. Para o Brasil, o prazo é 2030.

O ciclo que se abre agora para Ancelotti no comando brasileiro exige decisões que vão além da escalação. O treinador precisará definir se o Rodrygo ou o Endrick será o centroavante referência, como integrar Vinicius Jr. em um sistema que não dependa exclusivamente de sua genialidade individual, e qual será o papel de Raphinhaartilheiro da seleção em 2026 com 7 gols nas Eliminatórias — no esquema tático para o próximo ciclo. São quatro anos, mas o calendário FIFA começa a cobrar respostas já nas datas de setembro.

A primeira convocação pós-Copa de 2026 está prevista para setembro, com jogos amistosos contra seleções europeias ainda a serem confirmadas pela CBF. Ancelotti permanece no cargo, o contrato está intacto até 2030, e a Itália terá que encontrar outro caminho — provavelmente com Guardiola, se o espanhol aceitar o desafio de reconstruir uma seleção que não sabe mais quem é.