É um fantasma que aprendeu a marcar gols.

Três a zero. O placar no State Farm Arena, em Glendale, contra a Costa Rica não conta a história inteira — conta só o capítulo mais recente de uma reabilitação que muita gente preferiu não acreditar. Copa América de 2026 e James Rodríguez voltou a ser o que sempre foi: o homem que muda o jogo antes de o jogo precisar ser mudado.

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A narrativa do jogador acabado nunca foi tão conveniente — nem tão errada

Nos últimos dois anos, o mercado europeu tratou James Rodríguez como item descontinuado. Clubes de segunda linha, lesões que reapareciam quando a temporada esquentava, ausências na Seleção Colombiana que alimentavam o discurso do declínio. A imprensa especializada foi eficiente em construir o obituário precoce do camisa 10. Não há tragédia: há contabilidade — e a conta, desta vez, estava errada.

A narrativa do jogador acabado nunca foi tão conveniente — nem tão errada James
A narrativa do jogador acabado nunca foi tão conveniente — nem tão errada James

Contra a Costa Rica, aos 30 minutos do primeiro tempo, James recebeu na entrada da área e finalizou de canhota. O goleiro Sequeira espalmou, mas o lance já era um aviso. Aos 27 minutos, foi a corrida de Córdoba dentro da área que arrancou o pênalti — e James estava no centro de tudo, organizando, pressionando, conectando. Luis Díaz converteu a cobrança no canto direito para abrir o placar.

O segundo gol veio num escanteio de Arias, com Sánchez cabeceando firme aos 14 minutos do segundo tempo. O terceiro, o mais bonito, foi assinado pela inteligência de James: um lançamento longo preciso que encontrou Córdoba em profundidade, e o atacante só empurrou para o gol aos 17 minutos. Assistência confirmada, protagonismo consolidado.

"James fez uma grande partida, como tem feito nesta Copa. É um jogador que não precisa correr o campo inteiro — ele decide com a bola nos pés", disse o técnico colombiano Néstor Lorenzo após a partida.

O que o esquema de Lorenzo liberta em James

O detalhe tático que a narrativa do 'jogador acabado' sempre ignorou: James nunca foi atleta de volume. Foi sempre atleta de qualidade. E o sistema de Lorenzo entende isso com uma clareza rara. A Colômbia opera com James como meia-direita em estrutura de 4-2-3-1, onde ele recebe entre linhas, tem liberdade para inverter e raramente precisa defender mais de 25 metros de campo.

Contra o Paraguai, no primeiro jogo do Grupo D — uma vitória colombiana que já sinalizava o que estava por vir —, James também foi decisivo. Dois jogos, duas atuações de alto nível. A Colômbia lidera o Grupo D com 6 pontos, já classificada para as quartas de final, sem ter sofrido nenhum gol na fase de grupos.

O que o esquema de Lorenzo liberta em James James Rodríguez desmonta Costa Rica
O que o esquema de Lorenzo liberta em James James Rodríguez desmonta Costa Rica

O que acontece quando um jogador tecnicamente superior recebe o contexto certo? Glendale respondeu em 90 minutos. O calor seco do Arizona, quase 38 graus na tarde de sexta-feira, não tirou de James a precisão nos passes nem a leitura de jogo que o fez ser o melhor jogador da Copa do Mundo de 2014. Esse jogador não morreu. Estava esperando o esquema certo.

"Estou me sentindo bem fisicamente. Trabalhei muito para chegar aqui em boas condições", afirmou James em entrevista coletiva antes do torneio — uma frase que soou modesta demais para o que ele estava prestes a mostrar.

O Brasil espera — e James já sabe o que isso significa

Na terça-feira (2), a Colômbia enfrenta o Brasil na fase de grupos. É o jogo que toda a Copa América estava aguardando desde o sorteio. E James Rodríguez entra nesse confronto como o nome mais quente do torneio — não por hype, mas por desempenho acumulado em dois jogos consecutivos de protagonismo real.

A Seleção Brasileira, que empatou com a Costa Rica na primeira rodada e ainda busca consistência no meio-campo, terá pela frente exatamente o tipo de jogador que mais complica times que pressionam alto: aquele que, com dois toques, já virou o campo e deixou três marcadores para trás. Lorenzo deve preservar James por pelo menos 70 minutos — o suficiente para causar dano irreparável.

A Costa Rica, eliminada na prática com 1 ponto, enfrenta o Paraguai também na terça. Mas essa já é outra história. A história desta Copa América tem nome, número e bandeira: James Rodríguez, camisa 10, Colômbia.

Em matéria do SportNavo, o duelo Colômbia x Brasil está marcado para terça-feira (2), com transmissão ao vivo. O vencedor avança em posição privilegiada para as quartas de final — e James já avisou, sem precisar de palavras, que chegou para decidir.

James saiu de campo aos 25 minutos do segundo tempo, caminhando devagar, aplaudido pelo setor colombiano nas arquibancadas de Glendale. Ele não olhou para cima. Já sabia o que tinha feito.