— Cara, você viu que o Neymar deu uma rasteira no filho do Robinho?
— Vi. E o Santos vai deixar passar, como sempre.
— Dessa vez não parece. O menino notificou o clube.
A conversa do bar resume o que aconteceu no CT Rei Pelé no último domingo e o que se desdobrou até a noite desta segunda-feira (4): uma briga entre Neymar e Robinho Jr. durante um treino do Santos, seguida de uma notificação formal ao clube e, horas depois, de um jantar em que os dois atacantes se sentaram lado a lado em Ponta Porã, no Mato Grosso, junto com Gabigol.
O diagnóstico do momento
Segundo relatos apurados pela ESPN, Neymar se sentiu desrespeitado ao ser driblado por Robinho Jr. no treino de domingo e reagiu aplicando uma rasteira no jovem de 18 anos. Os dois discutiram e foram separados pelos companheiros de elenco. Robinho Jr. acusa o camisa 10 de agressão física.

Ainda na manhã desta segunda, Robinho Jr. e seu estafe exigiram um pedido de desculpas públicas de Neymar — mesmo após uma primeira conversa descrita como mais amistosa entre as partes. O Santos foi formalmente notificado e abriu uma sindicância interna. O Departamento Jurídico do clube está conduzindo a apuração.
À noite, após o desembarque da delegação santista no hotel em Ponta Porã — cidade-gêmea de Pedro Juan Caballero, no Paraguai, separadas por fronteira seca —, o cenário mudou de tom. Neymar, Robinho Jr. e Gabigol jantaram juntos e conversaram normalmente na última refeição antes do jogo contra o Deportivo Recoleta, marcado para esta terça-feira (5), às 21h30 (de Brasília).
Os fatores que explicam o quadro
A convivência forçada de uma viagem internacional — hotel, refeições e vestiário compartilhados — acelerou uma trégua que, no plano formal, ainda não está encerrada. A sindicância aberta pelo Santos segue em curso, independentemente do jantar.
Robinho Jr. carrega o peso de um sobrenome que atrai escrutínio constante e, aos 18 anos, já demonstrou disposição para usar instrumentos institucionais. A notificação ao clube não é um gesto comum no futebol brasileiro para jogadores nessa faixa etária, e o estafe do atleta deixou claro que a exigência de desculpas públicas permanecia mesmo depois de uma conversa inicial mais cordial.
Do lado de Neymar, a reação no treino — uma rasteira após ser dribblado — é o tipo de episódio que alimenta o debate sobre seu comportamento desde o retorno ao Santos. Segundo apuração do SportNavo, o contrato do atacante com o clube prevê cláusulas de conduta interna, cujo descumprimento pode gerar advertências formais registradas no histórico disciplinar do jogador.
O contexto esportivo também pesa. O Santos é o lanterna do Grupo D da Sul-Americana, com apenas dois pontos em três jogos. O Deportivo Recoleta, adversário desta terça, tem três pontos e ocupa o terceiro lugar. San Lorenzo lidera com cinco pontos, seguido pelo Deportivo Cuenca, com quatro. Qualquer tropeço adicional coloca o Santos em situação crítica na competição.
Os cenários possíveis daqui
O jantar em Ponta Porã reduz o risco de ruptura imediata no ambiente do elenco, mas não resolve a questão jurídica. A sindicância interna do Santos precisa concluir se houve ou não agressão, e o resultado pode ter implicações contratuais para Neymar.
Se a apuração confirmar a versão de Robinho Jr., o clube terá de decidir entre aplicar punição disciplinar interna — com possível desconto salarial ou suspensão de treinos — ou arquivar o caso após acordo entre as partes. A segunda opção exigiria, formalmente, a retirada da notificação por parte do jogador de 18 anos.
Há um terceiro caminho: Neymar fazer o pedido de desculpas públicas exigido pelo estafe de Robinho Jr. Até o fechamento desta reportagem, isso não havia ocorrido.
Na avaliação do SportNavo, o episódio expõe uma tensão geracional dentro do elenco santista que não se resolve com um jantar. Neymar, que retornou ao clube em 2025 após passagens por PSG, Al-Hilal e uma longa recuperação de lesão no joelho esquerdo, ainda não reencontrou a consistência esperada. Robinho Jr. tenta se firmar como titular em uma equipe que precisa de resultados imediatos.
O Santos enfrenta o Deportivo Recoleta nesta terça-feira (5) no Estádio Monumental Rio Parapiti, em Pedro Juan Caballero. Três pontos são obrigatórios para o clube sair da lanterna do Grupo D. O prazo para a conclusão da sindicância interna ainda não foi divulgado oficialmente pelo Departamento Jurídico do Peixe — e até 13 de maio, quando o Santos joga contra o Coritiba pela Copa do Brasil, a situação contratual de ambos os atletas precisa estar definida.










