Diz-se que a Holanda é a favorita do Grupo F por tradição e por nomes. Na verdade, não é — e o motivo importa mais do que qualquer ranking FIFA. Neste domingo, 14 de junho, às 17h (horário de Brasília), o AT&T Stadium em Arlington, Texas, recebe 80 mil torcedores para um jogo que pode redefinir quem manda na chave: Holanda x Copa do Mundo estreia do Japão, dois times em momentos opostos, num confronto que tem cheiro de armadilha laranja.

O calor seco do Texas em junho não perdoa. Trinta e seis graus na tarde de domingo, céu aberto, grama do AT&T Stadium impecável. Do lado de fora, a bandeira do sol nascente já misturava com o laranja holandês desde as primeiras horas da manhã. Duas das torcidas mais barulhentas da Copa ocuparam o entorno do estádio como se fossem tomar a cidade.

Seis vitórias que ninguém estava esperando

O Japão não chegou aqui por acaso. Os Samurais Azuis construíram uma sequência de seis vitórias consecutivas que inclui nomes pesados: Brasil e Inglaterra foram derrubados na preparação, além de Escócia e Gana. São resultados do segundo semestre de 2025 para cá — e que deixaram o mundo do futebol em estado de atenção máxima. O técnico Hajime Moriyasu montou um time de pressão intensa, transição rápida e capacidade real de explorar espaços contra blocos defensivos organizados.

O problema chegou às vésperas da estreia: o volante e capitão Wataru Endo foi cortado por lesão. É uma perda enorme. Endo era o eixo de equilíbrio do meio-campo japonês, a peça que permitia aos meias mais criativos subirem com segurança. Sem ele, Moriyasu vai precisar reinventar o setor central — e fazer isso justamente contra um adversário que tem Frenkie de Jong como arma principal é um desafio e tanto.

Conforme registrado pelo SportNavo ao longo da cobertura da fase de preparação, o Japão apresentou placares modestos em alguns amistosos, mas os jogos de maior nível foram consistentemente over — muitos gols, muita intensidade. A leitura do momento da equipe asiática aponta para uma seleção que cresce exatamente quando o adversário é mais qualificado.

A Laranja Mecânica e o peso de uma promessa que nunca virou título

A Holanda carrega um fardo singular no futebol mundial. Vice-campeã em 1974, 1978 e 2010 — três finais, três derrotas. Nenhuma seleção chegou tão perto do topo tantas vezes sem conquistar. Ronald Koeman sabe disso melhor do que ninguém, e a pressão que chega com essa bagagem histórica é visível até nos bastidores da delegação laranja.

O elenco tem qualidade. Virgil van Dijk lidera uma defesa experiente. Frenkie de Jong controla o ritmo no meio. Cody Gakpo e Memphis Depay são opções reais de decisão no ataque. Mas a temporada europeia 2025/2026 foi irregular para vários desses jogadores — e Koeman aposta em nomes que não estiveram entre os melhores de seus clubes nos últimos meses. A pergunta não é se a Holanda tem talento. A pergunta é se tem entrosamento.

"A Holanda é extremamente competitiva, mas ainda precisa se provar em grandes jogos", avaliaram analistas consultados antes da estreia, numa leitura que resume o sentimento de desconfiança que cerca a Laranja Mecânica nesta Copa.

O esquema de Koeman oscilou entre o 4-3-3 e variações com três zagueiros durante a preparação. Essa falta de identidade tática fixa é exatamente o tipo de inconsistência que o Japão sabe explorar. Moriyasu vai pressionar alto, vai tentar forçar erros na saída de bola holandesa — e van Dijk terá que ser mais do que defensor: terá que organizar o jogo desde a primeira linha.

O efeito cascata no Grupo F

O Grupo F ainda tem Suécia e Tunísia, mas o confronto deste domingo define a hierarquia da chave. Quem vencer sai na frente com três pontos e, mais do que isso, com a moral psicológica de ter batido um adversário de peso logo na abertura. Uma derrota holandesa colocaria Koeman em situação delicada já na segunda rodada. Uma derrota japonesa, por outro lado, testaria a resiliência de uma equipe que perdeu o capitão e ainda assim foi considerada azarão capaz de surpresa.

O empate — que muitos analistas apontam como resultado mais provável dado o equilíbrio e o estilo de ambas as seleções — também tem seu peso. Com o novo formato da Copa, os melhores terceiros colocados avançam, o que significa que um ponto na estreia não é catástrofe para ninguém. Mas nenhuma das duas equipes veio a Arlington para dividir pontos com quem quer que seja.

"Para muitos, a Holanda é a maior seleção do mundo sem conquistar uma Copa do Mundo", lembrou análise pré-jogo amplamente citada, reforçando a carga emocional que envolve cada partida laranja num Mundial.

Como assistir e onde torcer pelo Japão em São Paulo

A partida tem transmissão ao vivo pela TV Globo e pelo SBT no sinal aberto. No fechado, N Sports e SporTV cobrem o jogo. Para quem prefere streaming, Cazé TV, GETV e Globoplay exibem em tempo real. O pontapé inicial está marcado para as 17h de Brasília, logo após a primeira parte do Domingão com Huck na Globo.

Em São Paulo, a Japan House, na Avenida Paulista, 52, transmite a partida gratuitamente a partir das 17h deste domingo — classificação livre, sujeito à capacidade do espaço. Para quem quer sentir a atmosfera nipônica dentro do Brasil, é o destino certo.

O Japão entra em campo com seis vitórias na bagagem, sem o capitão Endo, e com a missão de provar que não foi sorte — a Holanda entra com três finais perdidas, jogadores abaixo do melhor momento e a obrigação histórica de finalmente conquistar o que lhe falta. Arlington está pronto para o jogo. Falta saber qual das duas pressões vai pesar mais.