Quatro gols sobre o Atlético-MG, 4 a 0 no placar do Brasileirão, e Leonardo Jardim entrou para um grupo seleto na história recente do Flamengo. Com o resultado do último domingo (26), o técnico português completou sete vitórias consecutivas no comando do Rubro-Negro — marca que, antes dele, só havia sido atingida por Tite, entre fevereiro e março de 2024. Agora, um único recorde resiste no horizonte: os dez jogos seguidos vencidos por Jorge Jesus, entre fevereiro e julho de 2020.
O peso de cada vitória na série de Jardim
Jardim não chegou a esse patamar por acaso. Sua sequência percorre competições distintas — Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores —, o que torna o desempenho ainda mais representativo. O Flamengo estreou na quinta fase da Copa do Brasil com vitória por 2 a 1 sobre o Vitória no Maracanã, garantindo a vantagem do empate no jogo de volta. No Brasileirão, o clube ocupa a segunda colocação com 26 pontos, tendo um jogo a menos que o Palmeiras, líder da competição. Na Libertadores, o Rubro-Negro lidera o Grupo A com seis pontos em duas partidas.
Antes de Jardim, Filipe Luís havia cravado, no máximo, seis vitórias seguidas — feito alcançado em três ocasiões diferentes ao longo de 2025. Ao superar essa marca, o atual treinador mostrou consistência superior à do seu antecessor imediato, mesmo em um período de calendário mais carregado.
Jorge Jesus em 2020 — a régua mais alta da história recente
Para dimensionar o que Jesus construiu, basta recuperar a lista de seus dez triunfos consecutivos: começou com Boavista 1 x 2 Flamengo pelo Carioca, passou por goleadas na Recopa Sul-Americana (3 a 0 sobre o Independiente Del Valle) e na Libertadores (3 a 0 sobre o Barcelona do Equador e 2 a 1 sobre o Junior Barranquilla), e encerrou a sequência com Flamengo 2 a 0 sobre o Volta Redonda, também no Carioca. Dez jogos, múltiplas competições, nenhuma derrota. Um ciclo construído sobre o elenco que havia acabado de conquistar a Libertadores e o Brasileirão de 2019.
A comparação entre os dois portugueses vai além dos números brutos. Jesus tinha à disposição um grupo de alto padrão internacional, já consolidado em seu sistema. Jardim, por sua vez, herdou uma equipe em transição e precisou impor identidade em tempo comprimido. Conforme levantamento do SportNavo, nenhum outro treinador do Flamengo desde 2020 havia chegado tão perto dessa marca antes de completar três meses no cargo.
O que Tite representou — e o que Jardim já superou
Tite também deixou sua marca nessa linha do tempo. Sua sequência de sete vitórias consecutivas, entre fevereiro e março de 2024, foi a mais longa no clube desde a era Jesus e foi celebrada como sinal de recuperação após um início de temporada turbulento. O Flamengo àquela altura brigava pela liderança do Carioca e se reposicionava no cenário nacional. Jardim, ao igualar essa marca, demonstra que o projeto de reconstrução tem base sólida — e não depende de uma única competição para se sustentar.

"O grupo está muito comprometido. Cada jogo é uma batalha e os jogadores entendem o que queremos", declarou Jardim em entrevista coletiva após o triunfo sobre o Atlético-MG, sinalizando o ambiente interno positivo que sustenta a sequência.
Três vitórias para a história
A aritmética é simples: Jardim precisa de mais três vitórias seguidas para igualar Jorge Jesus e mais quatro para superá-lo definitivamente. O caminho imediato começa na quarta-feira (29), quando o Flamengo enfrenta o Estudiantes (ARG) no Estádio Jorge Luis Hirschi, às 21h30, pela terceira rodada do Grupo A da Libertadores. Vencer em La Plata — casa de um clube que tem uma das torcidas mais ruidosas da Argentina — seria, por si só, o teste mais duro da sequência até aqui.
A análise do SportNavo aponta que, dos dez jogos na série de Jesus, quatro foram disputados fora do Brasil ou contra adversários sul-americanos de nível continental. Jardim chegará a essa proporção exatamente na quarta-feira. A história dos dois compatriotas, separados por seis anos e um ciclo inteiro de reconstrução rubro-negra, pode se reencontrar — ou se distanciar — a partir do apito inicial no interior da Argentina.









