Em 18 de maio de 2025, Leonardo Jardim estava no banco do Cruzeiro quando o Atlético-MG adotou uma postura que o irritou profundamente. O clássico terminou 0 a 0, mas o placar neutro não apagou a avaliação direta que o técnico português fez do adversário:
"Normalmente clássico é um jogo equilibrado. Mas hoje vi uma equipa dominante e a outra a travar muito o jogo com faltas, travar o jogo com contato e explorar só um tipo de futebol, que era contra-ataque e duelos. Eu esperava um pouco mais do adversário."Era uma crítica afiada, daquelas que técnicos do futebol brasileiro raramente fazem em público. Agora, pela 13ª rodada do Brasileirão 2026, a cena se repete — com papéis invertidos e stakes bem maiores.
O Flamengo que Jardim construiu não é o mesmo Cruzeiro que ele defendia
Quando fez aquela declaração, Jardim comandava o Cruzeiro numa temporada em que ainda tentava consolidar sua identidade no futebol brasileiro. O cenário em abril de 2026 é radicalmente diferente. Com o Flamengo, o português acumula 12 jogos, com 9 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota — campanha que coloca o clube na vice-liderança do Brasileirão com 23 pontos, a seis do líder Palmeiras, que tem uma partida a mais. A equipe só sofreu 10 gols em 12 rodadas, o mesmo número do Palmeiras, e vem propondo o jogo em praticamente todos os confrontos. A análise exclusiva do SportNavo mostra que nenhum técnico estreante no Flamengo nos últimos cinco anos chegou à 13ª rodada com aproveitamento superior ao atual.
O adversário desta noite chega em situação oposta. O Atlético-MG ocupa a 12ª colocação com apenas 14 pontos e vem de duas derrotas consecutivas no Brasileirão — para Coritiba e Santos —, resultados que aprofundaram a crise interna e acenderam o debate sobre identidade tática do time mineiro. Exatamente aquele ponto que Jardim criticou em 2025: a falta de proposta de jogo além do bloco baixo e do contra-ataque.
A Arena MRV como palco de memória recente
O estádio tem um peso simbólico particular para o Flamengo. Foi lá, em 2024, que Gonzalo Plata marcou de cavadinha para confirmar o título da Copa do Brasil, num jogo em que o clube carioca chegou com vantagem de dois gols do Maracanã — 3 a 1 no primeiro duelo, com dois de Gabigol e um de Arrascaeta — e sustentou a pressão atleticana. Desde 2022, o Flamengo não perde para o Atlético-MG em solo mineiro: foram quatro vitórias e um empate nos últimos cinco confrontos. Esse histórico pesa na cabeça do torcedor atleticano e alimenta a confiança rubro-negra para a noite deste domingo.

Plata, inclusive, é um nome que envolve expectativa dupla. O equatoriano vive fase irregular em 2026, mas sob Jardim ganhou minutagem crescente — foram oito participações no total, com três como titular. O reencontro com o estádio onde fez história pode funcionar como gatilho emocional num momento em que o atacante busca reconquistar espaço.
O que as críticas de Jardim revelam sobre o duelo de propostas
A declaração de maio de 2025 não foi um acidente retórico — foi um retrato do que Jardim considera futebol de baixa ambição. O técnico português, formado na escola tática europeia, tem como marca registrada equipes que dominam a posse e criam volume ofensivo. No Flamengo de 2026, esse DNA aparece nos números: o time é um dos que mais finaliza e mais cria chances no Brasileirão na temporada. Diante de um Atlético-MG que ainda não encontrou um padrão de jogo estável, a tendência, conforme apuração do SportNavo, é que o Flamengo volte a ser o lado propositivo do confronto — repetindo o roteiro que Jardim diagnosticou quando estava do lado oposto.
"A escolha do Villalba já vinha sendo construída perante a estratégia que a gente veio pro jogo. O Villalba é um jogador de excelente técnica, principalmente quando a gente precisa ter um espaço para atacar", exemplificou Rodrigo Bellão, técnico interino do Botafogo, ao justificar uma decisão tática — o tipo de raciocínio que Jardim cobra de qualquer adversário que ele enfrenta.
A frase de Bellão sobre construção estratégica pré-jogo ilustra bem o que Jardim quer ver nas duas linhas — da própria equipe e do rival. Quando o Atlético-MG não correspondeu a esse padrão em 2025, o técnico português verbalizou a decepção sem filtro. Agora, qualquer repetição desse comportamento atleticano beneficia diretamente o Flamengo, que tem velocidade e organização para explorar espaços em transições.
A bola rola neste domingo (26), às 20h30 (horário de Brasília), na Arena MRV, em Belo Horizonte. O Flamengo joga na quarta-feira seguinte, em 29 de abril, contra o Estudiantes, às 21h30, pela fase de grupos da Libertadores — o que torna o resultado desta noite ainda mais relevante para o ritmo do clube na sequência de compromissos decisivos.









