O placar já marcava 3 a 0 e Samuel Lino tinha acabado de encobrir o goleiro do Coritiba pela segunda vez na noite. Na sala de imprensa do Maracanã, Leonardo Jardim chegou tranquilo — mas não chegou sem recado. O técnico do Flamengo usou a coletiva pós-jogo deste sábado (30) para mapear, em público, os buracos que precisa tapar antes de a janela de transferências do meio do ano fechar.

O diagnóstico de Jardim sobre o lado direito do Flamengo

O português foi direto ao identificar o desequilíbrio. No lado esquerdo, o Flamengo tem Bruno Henrique, Luiz Araújo e o jovem Cebola como opções. No direito, o plantel encolhe. Jardim não citou nomes para cobrir o flanco, mas o silêncio já diz o suficiente.

"No lado esquerdo, o nosso lado esquerdo está muito assim sobrecarregado. Temos jogadores que é o Bruno. Temos o Luiz Araújo, que também pode jogar por lá. Temos o Cebola, que também gosta de jogar por lá. Temos muita gente daquele lado. E do lado direito é onde temos menos gente. Por isso eu gosto de um plantel equilibrado para a gente ter soluções para as diversas situações de jogo, para os diversos adversários e para os diversos momentos", afirmou Jardim.

O Flamengo chega à pausa para a Copa do Mundo na vice-liderança do Brasileirão, com 34 pontos em 17 jogos — quatro atrás do Palmeiras, líder. A folga no calendário, com o próximo jogo só em 22 de julho contra a Chapecoense, abre espaço para negociações sem pressão de datas.

O meia que o Boto está buscando para o elenco

Além do flanco direito, Jardim sinalizou outra lacuna: o meio-campo criativo. Arrascaeta e Carrascal dividem a função de armador, mas o treinador quer um terceiro perfil — diferente dos dois — para ampliar as possibilidades táticas. Segundo Jardim, o diretor executivo Boto já está trabalhando nessa busca.

O diagnóstico de Jardim sobre o lado direito do Flamengo Jardim pede meia difere
O diagnóstico de Jardim sobre o lado direito do Flamengo Jardim pede meia difere
"Nesse momento, a meia é um pouco do Arrascaeta e do Carrascal, acho que poderíamos ter um jogador diferente. Por isso, o Boto está trabalhando nessa situação", disse o técnico.

O clube não divulgou orçamento disponível para a janela, mas Jardim deixou claro que não quer contratações por volume. A diretriz é qualidade pontual: nenhuma movimentação que não agregue ao nível atual do elenco.

A matéria do SportNavo apurou que o interesse é em um meia com perfil mais dinâmico e fisicamente mais intenso do que os dois titulares atuais — características que se encaixam na proposta de pressão alta que Jardim vem aplicando no Flamengo.

O Flamengo está disposto a pagar por um meia que já chegue pronto — ou vai apostar em outro jovem que precisará de tempo para amadurecer no plantel?

A aposta nos jovens e o alerta sobre o castelo de cartas

Jardim usou a experiência no Cruzeiro para fundamentar o argumento. No clube mineiro, em 2025, ele contratou cinco jogadores jovens. No início da temporada seguinte, eles já eram titulares consolidados — exatamente o ciclo que o técnico quer replicar no Flamengo.

"O projeto Flamengo tem que ter já algumas peças, porque ano passado, os jogadores tinham uma idade, este ano têm outra, e ano que vem vão ter ainda mais, e precisamos de alguém para já acompanhá-los, para que no futuro não aconteça como um castelo de cartas, cai tudo e olha-se para a base e não tem nada", alertou Jardim.

O técnico ainda pontuou que a lógica de rejuvenescimento não é um projeto pessoal. "Não é só um projeto para a equipe do Jardim, é um projeto para qualquer equipe", afirmou, sinalizando que quer deixar uma estrutura que sobreviva à sua passagem pelo clube.

Dentro de campo, o argumento de Jardim ganhou força neste sábado. O Flamengo dominou o Coritiba mesmo com dez desfalques — número que o próprio treinador mencionou na coletiva. Samuel Lino marcou dois gols e deu uma assistência para Pedro, que também balançou a rede. A estratégia, segundo Jardim, foi idêntica à aplicada contra o Palmeiras: "sermos sufocantes e não deixar jogar".

A eficiência na finalização ainda preocupa o português. Em três jogos seguidos — contra Palmeiras, Cusco e Coritiba — o Flamengo criou chances, mas Jardim reconheceu que o último gesto técnico ainda fica abaixo do esperado. A contratação de um meia diferente pode ser a peça que falta para transformar criação em gols com mais regularidade.

A janela de transferências do meio do ano abre formalmente em julho. Com o Flamengo garantido na Libertadores — e já classificado para o Mundial de Clubes — o planejamento financeiro do clube precisa contemplar ao menos duas frentes: o reforço imediato para a sequência da temporada e o jovem que vai crescer junto com o grupo. O próximo jogo oficial do Flamengo está marcado para 22 de julho, contra a Chapecoense, pela 19ª rodada do Brasileirão — com ou sem reforços, Jardim já sabe exatamente onde o elenco dói.

No vestiário do Maracanã, Samuel Lino saiu com a bola debaixo do braço. Do lado de fora, o mercado já estava sendo mapeado.