O silêncio que tomou conta do Maracanã no último domingo ainda ecoa pelos corredores do Ninho do Urubu. Não apenas pela derrota para o Bahia, mas pelo que ela representou: Lucas Paquetá clutchando a coxa esquerda aos 34 minutos do segundo tempo, deixando o gramado com aquela expressão que todo torcedor conhece - a máscara da contusão que muda planos. Agora, às vésperas do confronto decisivo contra o Vitória pela quinta fase da Copa do Brasil, Leonardo Jardim se vê obrigado a reescrever seu roteiro tático.

As baixas que mudam o jogo

O diagnóstico não mentiu: edema no tendão da coxa esquerda para Paquetá, que se junta a Erick Pulgar na enfermaria rubro-negra. O chileno, que vinha sendo peça fundamental no esquema de Jardim, ainda trata contusão no ombro esquerdo e iniciou trabalhos em campo com a fisioterapia apenas nesta semana. Uma dupla que somava mais de 70% dos passes certos no meio-campo flamenguista agora assiste de camarote.

A escalação divulgada pelo clube confirma as suspeitas: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Danilo e Ayrton Lucas; Evertton Araújo e De La Cruz; Luiz Araújo, Everton Cebolinha, Bruno Henrique e Pedro. Uma formação que coloca toda responsabilidade de armação nas costas do uruguaio De La Cruz e na promessa de 20 anos Evertton Araújo, que ganha sua chance de ouro em uma competição onde o Flamengo busca o hexacampeonato.

As baixas que mudam o jogo Jardim reorganiza meio-campo do Flamengo
As baixas que mudam o jogo Jardim reorganiza meio-campo do Flamengo

O dilema tático de Jardim

Segundo apuração do SportNavo, Leonardo Jardim trabalhou intensamente nos últimos dias para encontrar o equilíbrio perfeito sem seus dois principais organizadores de jogo. De La Cruz, que acumula 847 minutos em campo nesta temporada, assume o papel de maestro único - uma responsabilidade que não carrega desde os tempos de River Plate. Ao seu lado, Evertton Araújo representa a aposta na base rubro-negra, com seus 1,84m e capacidade de marcação que impressionou nas categorias inferiores.

Jorge Carrascal, que seria uma alternativa natural para compor o meio-campo alternativo da Copa do Brasil, está fora por suspensão do STJD. A ausência do colombiano fecha mais uma porta no quebra-cabeças de Jardim, que agora conta com Jorginho entre os relacionados após mais de três semanas afastado. O ítalo-brasileiro, que não entra em campo desde o dia 5 de abril na vitória por 3 a 1 sobre o Santos, voltou aos treinos nesta semana, mas começa no banco.

Vitória aproveita momento de fragilidade

Do outro lado, Jair Ventura não poderia pedir cenário mais favorável. O técnico do Vitória, mesmo lidando com uma extensa lista de desfalques - Claudinho, Riccieli e Pedro Henrique nem viajaram para o Rio de Janeiro -, sabe que enfrenta um Flamengo em reconstrução tática. A escalação baiana com Lucas Arcanjo; Nathan Mendes, Cacá, Luan Cândido e Ramon; Caíque, Zé Vitor e Martínez; Erick, Matheuzinho e Renê aposta na solidez defensiva para explorar as possíveis lacunas no meio-campo rubro-negro.

Marinho, recuperado de lesão na coxa esquerda, viajou com o grupo e representa o trunfo de Ventura para os momentos decisivos. O ex-flamenguista conhece como poucos os caminhos do Maracanã e pode ser a carta na manga para surpreender sua ex-casa. Com 14 jogadores entregues ao departamento médico, o Vitória chega enxuto, mas focado na maior oportunidade de sua história recente na Copa do Brasil.

Expectativas para o duelo das 21h30

A matemática é simples, mas a execução promete ser complexa. Evertton Araújo, com apenas 12 jogos como profissional, terá pela frente a pressão de substituir dois titulares absolutos em uma competição que o Flamengo venceu cinco vezes - 1990, 2006, 2013, 2022 e 2024. De La Cruz, por sua vez, precisará assumir responsabilidades ofensivas que não exercia com Paquetá em campo, mantendo ao mesmo tempo a solidez defensiva que Pulgar oferecia.

O confronto desta quarta-feira no Maracanã marca não apenas a estreia do Flamengo na Copa do Brasil 2025, mas também um teste de fogo para as alternativas de Jardim. Com transmissão do Premiere e arbitragem de Anderson Daronco, o jogo de ida define o tom da série que terá seu desfecho no dia 15 de maio, em Salvador. Para um time que busca o hexacampeonato, começar com o pé direito nunca foi tão literal - especialmente quando o meio-campo precisou ser reinventado em 72 horas.