O reencontro entre Flamengo e Bahia no Maracanã, neste domingo (19), às 19h30, marca mais que um duelo pela 12ª rodada do Brasileirão. Em campo, dois produtos do Ninho do Urubu seguem trajetórias distintas na Europa: Lucas Paquetá, do West Ham, e Jean Lucas, atualmente no Bahia após passagem pelo Lyon. Ambos disputam posição na Seleção Brasileira e representam diferentes modelos de sucesso para jovens revelados pelo clube carioca.

Trajetórias divergentes na Europa

Paquetá deixou o Flamengo em janeiro de 2019, vendido ao Milan por 35 milhões de euros. Em duas temporadas na Itália, disputou 44 jogos, marcou nove gols e deu sete assistências antes de se transferir para o Lyon por 20 milhões de euros. Já Jean Lucas saiu do Rubro-Negro em 2021, também rumo ao Lyon, por 8 milhões de euros, um ano após a ida do amigo para a França.

No clube francês, os números revelam performances contrastantes. Paquetá acumulou 87 partidas em duas temporadas no Lyon, com 21 gols e 14 assistências, média de 0,24 gol por jogo. Jean Lucas disputou 52 jogos no mesmo período, marcando quatro gols e dando três assistências, com média de 0,08 gol por partida.

"A relação com o Paquetá era top desde a época do Flamengo: eu, o meia, Vini Jr., Lincoln, a gente era da resenha, sempre junto. Paquetá subiu antes, um ano mais velho, me ajudou muito quando cheguei ao profissional", destacou Jean Lucas.

Valorização de mercado e convocações

Atualmente no West Ham desde 2022, Paquetá se consolidou na Premier League com 89 jogos, 16 gols e 13 assistências. Sua valorização no Transfermarkt alcança 40 milhões de euros, enquanto Jean Lucas, após retorno ao Brasil pelo Bahia, está avaliado em 6 milhões de euros. A diferença reflete não apenas os números individuais, mas também o prestígio dos campeonatos disputados.

Na Seleção Brasileira, Paquetá leva vantagem significativa. Segundo apuração do SportNavo, o meio-campista do West Ham esteve presente em três das cinco convocações do técnico Carlo Ancelotti, totalizando 15 partidas pela Amarelinha desde 2019. Jean Lucas foi chamado apenas uma vez, substituindo o lesionado Joelinton, sem estrear oficialmente.

Parceria histórica nos clubes

Os dois crias atuaram juntos em 17 partidas durante as passagens pelo Flamengo e Lyon, registrando apenas duas derrotas e quatro empates neste período. Curiosamente, nenhum dos dois conseguiu assistir o outro para gol ao longo desta parceria, demonstrando que jogavam em setores complementares, mas não diretamente conectados no último terço.

No Lyon, entre 2021 e 2022, a dupla dividiu o meio-campo em sistema tático que privilegiava Jean Lucas como volante e Paquetá como meia-armador. Esta experiência conjunta na França rendeu oito vitórias em 12 jogos disputados juntos, aproveitamento de 66,7%.

Modelos diferentes de sucesso

A análise dos dados mostra caminhos distintos para ex-revelados do Flamengo. Paquetá optou pela permanência na Europa, construindo carreira sólida em três ligas diferentes - Serie A, Ligue 1 e Premier League. Seus 154 jogos no exterior, com 46 gols e 34 assistências, credenciam-no como referência técnica internacional.

Jean Lucas escolheu o retorno ao Brasil após experiência européia, reforçando o Bahia na atual temporada. Com 24 anos, acumula 89 partidas na Europa, número respeitável para quem busca consolidação definitiva no futebol nacional. O meio-campista soma quatro gols e três assistências em solo europeu.

O confronto deste domingo representa, portanto, mais que rivalidade entre clubes. É o espelho de duas gerações do Ninho do Urubu que encontraram formas diferentes de sucesso profissional, ambas válidas dentro do complexo mercado do futebol moderno. O Flamengo segue de olho no desenvolvimento de ambos, já que mantém percentual de direitos econômicos dos atletas.