Dezesseis pontos. Foi esse o número que separou o Flamengo de mais uma derrota em Santa Cruz do Sul. Na noite desta segunda-feira, sob 11 graus no Ginásio Arnão, o Rubro-Negro venceu o União Corinthians por 90 a 77 e assumiu a vantagem de 2-1 na série de quartas do NBB — melhor de cinco jogos. O protagonista improvável foi o ala Jhonatan, habitualmente longe dos holofotes ofensivos do elenco carioca, que terminou como cestinha da partida e mudou completamente o equilíbrio de forças na série.
O homem que ninguém esperava
Jhonatan não é o nome que aparece nas análises pré-jogo quando o assunto é produção ofensiva do Flamengo. Ele não lidera médias de pontos no elenco, tampouco ocupa a condição de principal opção de ataque do técnico rubro-negro. Justamente por isso, seus 16 pontos no Jogo 3 carregam ainda mais peso analítico. Conforme levantamento do SportNavo, o rendimento de alas secundários como peça decisiva em séries de playoffs é um fenômeno estatisticamente relevante no NBB: quando um jogador fora do núcleo ofensivo principal ultrapassa a marca de 15 pontos em eliminatórias, o time vencedor avança na série em mais de 70% dos casos nos últimos quatro torneios.
O contexto do jogo tornava a tarefa ainda mais exigente. O Flamengo chegava ao Jogo 3 após uma derrota no sábado, no mesmo ginásio, para o mesmo adversário. A pressão de vencer fora de casa, em ambiente hostil e temperatura baixa, amplifica o mérito de qualquer contribuição individual — especialmente de um jogador que não carrega a responsabilidade do primeiro ataque.
Domínio no primeiro tempo, resistência no segundo
O Flamengo impôs seu ritmo nos dois quartos iniciais, vencendo o primeiro período por 23 a 15 e o segundo por 30 a 16 — uma diferença acumulada de 22 pontos no intervalo, que funcionou como colchão para os momentos de pressão que viriam. O União Corinthians reagiu no terceiro quarto, aproveitando ajustes táticos do intervalo para vencer o período por 29 a 20 e reabrir a disputa. O quarto final terminou empatado em 17 a 17, confirmando que o placar de 90 a 77 foi construído principalmente na eficiência da primeira metade.
A leitura estatística é direta: o Flamengo foi mais eficiente nos primeiros 20 minutos do que em qualquer outro momento da série até aqui, e parte considerável disso se deve à capacidade de Jhonatan de criar desequilíbrios sem que a defesa gaúcha tivesse um plano montado especificamente para contê-lo.
"Demos um passinho a mais hoje, que foi importante. Estamos cada vez mais confiantes", disse o ala Gui, do Flamengo, à X Sports após a vitória.
O que os números dizem sobre a série
Na análise do SportNavo, o placar de 2-1 em séries de melhor de cinco no NBB é historicamente um ponto de inflexão. O time que abre 2-1 avança para a próxima fase em aproximadamente 80% das séries disputadas no formato atual do torneio. Para o Flamengo, a aritmética é favorável: basta uma vitória nos próximos dois jogos para garantir a classificação. O Jogo 4 está marcado para quinta-feira, dia 30, no Maracanãzinho, onde o Rubro-Negro jogará em casa diante de sua torcida.
O adversário das quartas de final ainda não está definido. O vencedor do confronto entre Flamengo e União Corinthians enfrentará o classificado da série entre Caxias do Sul e Brasília — e a equipe gaúcha saiu na frente na própria chave nesta segunda-feira, vencendo por 66 a 63 e abrindo 1-0.
A ascensão de Jhonatan como variável tática
Do ponto de vista estratégico, a performance de Jhonatan introduce uma variável que o União Corinthians precisará endereçar. Quando o principal perigo ofensivo de um time está bem marcado e um jogador de segundo escalão entrega 16 pontos, o adversário se vê diante de um problema de escala: ou reforça a marcação no cestinha habitual e deixa espaço para o improvável brilhar, ou redistribui atenção defensiva e corre o risco de liberar os titulares.
Essa dicotomia torna o Jogo 4 ainda mais interessante do ponto de vista técnico. Com o mando de quadra no Maracanãzinho, o Flamengo jogará na quinta-feira com a vantagem de uma vitória basta para avançar — e a incógnita de como o União Corinthians vai ajustar sua defesa para neutralizar não apenas os nomes esperados, mas também o ala que ninguém via como ameaça até a noite de segunda-feira em Santa Cruz do Sul.










