Três coisas: 31 anos, goleiro titular e 37 jogos na temporada atual. Tudo se explica daí.

João Paulo — nome completo João Paulo Silva Martins, nascido em 29 de junho de 1995 em Dourados, Mato Grosso do Sul — é hoje o guardião do Santos no Brasileirão Série A de 2026. Aos 31 anos, 188 cm e 86 kg, ele representa um tipo específico de jogador que o futebol brasileiro frequentemente subestima: o goleiro de alto volume que entrega consistência sem exigir holofote.

O dia em que tudo mudou

A temporada 2022 foi o divisor de águas na trajetória de João Paulo. Foram 37 partidas na Série A — número que se repete na temporada atual de 2026 — com nota média de 7,14, uma das mais altas de sua carreira até então. Naquele mesmo ano, o goleiro ainda somou 12 jogos no Campeonato Paulista e 13 partidas entre Copa do Brasil e CONMEBOL Sudamericana. O volume era alto. A entrega, também.

Aquele ciclo consolidou João Paulo como goleiro titular incontestável da Vila Belmiro — e não por acidente. Ele atravessou competições de calendário apertado sem perder espaço, algo que exige não apenas técnica, mas resistência física e mental para sustentar o desempenho ao longo de meses.

Antes do divisor de águas

Antes de 2022, João Paulo já acumulava passagens consistentes pelo Santos em competições regionais e nacionais. O Campeonato Paulista foi o laboratório — 12 jogos em 2022, com nota 7,25, e outros 12 em 2023, com 6,65. A variação nas notas entre competições revela um padrão: o goleiro performa melhor quando o nível de exigência tática é mais alto, como ficou evidente nos 34 jogos da Série A de 2023, quando registrou nota 7,08.

Em 2023, João Paulo também somou 5 partidas na CONMEBOL Sudamericana — competição que exige adaptação rápida a adversários de diferentes contextos táticos — e 2 jogos na Copa do Brasil, onde registrou sua melhor nota individual de carreira: 7,70. Pequena amostra, mas dado relevante.

O ano de 2024 trouxe o episódio mais delicado: o Santos foi rebaixado para a Série B, e João Paulo esteve em campo em 8 partidas da segunda divisão — nota 6,65 — além de 15 jogos no Paulistão com média de 7,00. Permanecer no clube durante o rebaixamento, quando muitos jogadores buscam saída, diz algo sobre o vínculo do goleiro com a instituição.

Como o futebol mudou ao redor dele

O goleiro moderno é cobrado por muito além das defesas. Construção com os pés, liderança na linha defensiva, distribuição rápida — são atributos que passaram a pesar tanto quanto o reflexo. João Paulo — que tem 188 cm, altura acima da média para a posição no Brasil — reúne as condições físicas para atuar nesse modelo, ainda que os dados disponíveis não permitam mensurar sua participação na saída de bola com precisão.

O que os números confirmam é volume e regularidade. Ao longo de temporadas entre 2022 e 2026, João Paulo acumulou mais de 130 partidas pelo Santos em competições diversas — um número que, para um goleiro, representa estabilidade contratual e confiança técnica da comissão. Poucos jogadores na mesma posição mantêm esse volume em um único clube por tanto tempo no futebol brasileiro atual.

A comparação com pares é inevitável. Goleiros na faixa dos 30 a 32 anos com mais de 30 jogos por temporada representam um grupo restrito no Brasileirão — são atletas que já passaram pela curva de aprendizado e chegaram ao pico de maturidade. João Paulo está exatamente nesse intervalo em 2026: 37 jogos na Série A, mesma marca que atingiu em 2022, seu melhor ano individual.

O próximo capítulo já começou

Aos 31 anos, João Paulo está na janela mais produtiva para um goleiro — fase em que experiência e condição física coexistem antes de a segunda começar a ceder. Os próximos 12 meses serão determinantes para definir se ele seguirá como referência no Santos ou se o mercado, interno ou externo, vai movimentar sua situação contratual.

O Santos — clube que passou pela Série B em 2024 e voltou à elite — precisa de estabilidade em todas as linhas. A meta de um goleiro que já disputou 37 partidas na temporada vigente é, no mínimo, um ativo valioso num elenco em reconstrução. Não há dado disponível sobre valores de contrato ou cláusula de rescisão, mas a permanência de João Paulo durante o rebaixamento sugere que o vínculo não é puramente financeiro.

O cenário mais realista para os próximos meses envolve a manutenção da titularidade — e, eventualmente, uma renovação contratual que o clube precisará equacionar antes que o mercado de transferências de 2027 coloque seu nome em pauta. Goleiros com esse perfil — experientes, de alto volume, sem histórico recente de lesões documentadas — costumam despertar interesse de clubes médios da Série A e até de equipes do exterior em busca de estabilidade imediata.

João Paulo (Santos)
João Paulo (Santos)

João Paulo entrou em campo 37 vezes em 2026. O Santos voltou à elite. A conta parece simples — mas será que o clube já tratou de garantir que esse goleiro esteja em campo também nos 37 jogos de 2027?