O couro subiu no segundo poste, João Pedro girou no ar e a bicicleta entrou no ângulo do Stamford Bridge. Eram os acréscimos do segundo tempo, o placar já marcava 3 a 0 para o Nottingham Forest, e o estádio reagiu com aquela mistura estranha de encantamento e frustração — o tipo de gol que merecia outro contexto, outro jogo, outra temporada.
Hoje: o que já é fato
O Chelsea perdeu em casa por 3 a 1 para o Nottingham Forest na 35ª rodada da Premier League, neste domingo. Taiwo Awoniyi marcou duas vezes e Igor Jesus converteu um pênalti para os visitantes. O único tento dos Blues veio do brasileiro João Pedro, nos acréscimos — o 20º gol dele na temporada 2025/26 e o primeiro da equipe em 543 minutos de Premier League.
Cole Palmer teve a chance de abrir o placar ainda no primeiro tempo, mas desperdiçou uma cobrança de pênalti defendida pelo goleiro Matz Sels. É o tipo de detalhe que resume o momento do clube: oportunidades desperdiçadas, adversários eficientes, resultado pesado.
A derrota confirma a sexta sequência negativa consecutiva do Chelsea na liga inglesa — a pior série do clube desde 1993, há mais de três décadas.

Esta semana: o que se desdobra
João Pedro com 20 gols em uma única temporada de Premier League é um número que merece atenção. Para ter dimensão: são mais gols do que o somatório de toda a linha de ataque do Wolverhampton na temporada 2025/26, que registra 18 tentos até a 35ª rodada. Um atacante isolado superando um elenco inteiro.
Mas o que os dados mostram vai além da contagem de gols. Conforme levantamento do SportNavo, o xG (expected goals) acumulado de João Pedro na temporada está em torno de 14.8 — o que significa que ele está convertendo bem acima do esperado pelos modelos estatísticos, com uma taxa de finalização que coloca ele entre os cinco atacantes mais eficientes da Premier League. Isso não é sorte; é leitura de jogo e qualidade técnica consistente.

- xG de João Pedro na temporada: ~14.8 — gols reais: 20 (superperformance de +5.2)
- Progressive passes recebidos por jogo: média de 4.1 — entre os três centroavantes mais acionados da liga
- Defensive actions do Chelsea por 90 min (PPDA): deteriorou nas últimas 6 rodadas, saindo de 9.2 para 13.7 — quanto maior o PPDA, menos pressão o time faz no campo adversário
O PPDA do Chelsea nessa sequência negativa conta muito da história. O time parou de pressionar alto, recuou o bloco defensivo e passou a conceder espaço para transições rápidas — exatamente o que o Forest explorou com Awoniyi. Nas palavras do técnico interino do clube, o time "precisa recuperar a intensidade coletiva que tinha no início da temporada", segundo declaração à imprensa inglesa após o apito final.
"Estou feliz pelo gol, mas o resultado é o que importa e hoje não foi bom para nós", disse João Pedro em entrevista rápida na saída do gramado do Stamford Bridge.
A análise do SportNavo sobre os últimos seis jogos do Chelsea mostra um padrão preocupante: o time criou xG acima de 1.5 em apenas dois desses confrontos. A equipe não está apenas perdendo — está tendo dificuldade para criar chances de qualidade de forma consistente, o que é um problema estrutural, não pontual.
Próximas 4 semanas: o que vai mudar
Com três rodadas restantes na Premier League 2025/26, o Chelsea precisa definir sua posição final na tabela. A vaga em competições europeias na próxima temporada ainda está matematicamente em jogo, mas a margem de erro zerou — qualquer tropeço adicional pode custar caro no planejamento do clube para 2026/27.
O Nottingham Forest, por sua vez, chegou aos 68 pontos com a vitória e segue firme na briga por posições europeias. Igor Jesus, que converteu o pênalti decisivo, acumula 9 gols na temporada — números que reforçam a transformação do clube de Nuno Espírito Santo em força real da Premier League.
"O Forest merece tudo que está conquistando. Jogaram com muita organização", reconheceu um dos líderes do vestiário do Chelsea, segundo fonte ouvida pela imprensa inglesa.
Para João Pedro, individualmente, a reta final da temporada é uma vitrine. Vinte gols com o clube em crise coletiva é o tipo de dado que aparece em relatórios de mercado — e o mercado de transferências de verão abre em julho. O brasileiro tem contrato com o Chelsea, mas sua valorização pessoal nunca esteve tão alta. A próxima rodada do Chelsea, prevista para o meio de semana, contra o Bournemouth no Vitality Stadium, é uma boa oportunidade para acompanhar se o time consegue ao menos encerrar o jejum de vitórias — e se João Pedro segue sendo o único ponto fixo de qualidade num time que parece ter perdido o fio da meada coletiva.









