Diz-se que zagueiro bom é aquele que não aparece nas estatísticas ofensivas. Na verdade, não é bem assim — e o caso de João Pedro é o argumento mais concreto contra essa premissa.

Onde ele está no jogo global

Na temporada atual do Brasileirão Série A, João Pedro Maturano dos Santos acumula 32 jogos pelo Grêmio, com 1 gol e 4 assistências. Quatro assistências. De um zagueiro. Com 179 cm e 71 kg — um defensor que não domina pelo físico avassalador, mas pela leitura de jogo e pela capacidade de iniciar jogadas que terminam em gol.

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Para contextualizar: um zagueiro que distribui quatro assistências numa temporada da Série A está operando num nível de contribuição ofensiva que a maioria dos meias-volantes não alcança. Isso não é acidente. É padrão.

Nascido em 15 de novembro de 1996, em Presidente Bernardes, no interior de São Paulo, João Pedro completou 29 anos no fim de 2025. Usa a camisa 18 no Grêmio e carrega uma trajetória que passou por dois dos maiores clubes do Brasil antes de chegar a Porto Alegre — uma cidade que, no compasso do futebol gaúcho, exige consistência acima de tudo.

O que os números dizem na comparação

Os dados disponíveis de carreira mostram um jogador que levou tempo para se firmar. Em 2020, pelo Bahia, somou apenas 5 jogos na Série A. Em 2021, dividiu a temporada entre Corinthians e Bahia, com aparições pontuais nas competições nacionais e continentais — incluindo a Copa do Nordeste e a CONMEBOL Sul-Americana.

No Corinthians, em 2022, foram apenas 2 jogos na Série A e 3 no Paulistão. Números modestos. O clube paulistano não lhe deu sequência.

A virada veio no Grêmio. Em 2023, foram 29 jogos na Série A, com 3 gols e 1 assistência — uma temporada de consolidação. Em 2024, 36 jogos na Série A, 1 gol e 4 assistências, além de participação na CONMEBOL Libertadores, onde marcou 1 gol em 7 partidas. E em 2026, já com 32 jogos disputados, João Pedro replica o padrão ofensivo da temporada anterior com a mesma produção de 4 assistências.

A comparação entre as fases é reveladora. Antes do Grêmio: presença irregular, minutos escassos, nenhuma sequência. Depois de 2023: titular consolidado, participante de competições continentais, defensor com contribuição ofensiva mensurável.

Onde ele está no jogo global João Pedro e a matemática que o Grêmio a
Onde ele está no jogo global João Pedro e a matemática que o Grêmio a

Onde ele se distingue dos rivais

Um zagueiro que distribui assistências com regularidade não é comum no futebol brasileiro. A maioria dos defensores da Série A opera dentro de uma lógica de contenção pura. João Pedro foge desse modelo.

Seus 179 cm não o colocam entre os zagueiros imponentes do campeonato. Ele não vence duelos pelo tamanho. Vence pela antecipação e pela qualidade de passe — características que explicam como um defensor chega a 4 assistências numa temporada.

Esse perfil tem valor crescente no futebol moderno. Clubes que jogam com linha alta e saída de bola elaborada precisam de zagueiros que pensem como construtores. João Pedro entrega isso.

A passagem pela CONMEBOL Libertadores em 2024 — 7 jogos, 1 gol — também é dado relevante. Poucos zagueiros da Série A têm no currículo atuações em Libertadores com participação direta em gols. Ele tem.

A trajetória que aponta o teto

A carreira de João Pedro tem um arco claro. Saiu de Presidente Bernardes, passou pelo Bahia sem espaço suficiente, tentou o Corinthians sem conseguir sequência, e encontrou no Grêmio o ambiente para crescer. Três temporadas consecutivas no clube gaúcho. Crescimento progressivo de participação. Regularidade que antes não existia.

Aos 29 anos, ele está no pico da maturidade para um zagueiro. Não é jovem promessa. É profissional estabelecido.

Os próximos 12 meses vão definir se João Pedro consolida um patamar ou busca novos desafios. Com 32 jogos já disputados na temporada atual e 4 assistências no currículo recente, o mercado observa. Um zagueiro com esse perfil — experiente em Libertadores, consistente na Série A, com contribuição ofensiva documentada — tem valor real de mercado.

O cenário mais provável é a renovação e continuidade no Grêmio, onde encontrou estabilidade após anos de peregrinação. O cenário alternativo envolve interesse de outros clubes da Série A ou até proposta do exterior — algo que, para um defensor de 29 anos com curriculum continental, não seria surpresa.

O que os números já responderam é o mais importante: João Pedro não é o zagueiro invisível que a premissa clássica celebra. É o zagueiro que aparece quando o jogo precisa — e os dados de 2026 confirmam que essa não é uma fase passageira. É um padrão.