A fumaça entrou pelo túnel antes da bola parar de rolar. Jogadores do Flamengo chegaram ao vestiário com os olhos vermelhos — não de raiva, mas de gás lacrimogênio. Esse detalhe, relatado pelo diretor de futebol José Boto, transforma o episódio do Atanasio Girardot em algo mais grave do que uma simples briga de torcida: é evidência concreta de falha de segurança sob responsabilidade do clube mandante.

O que os jogadores do Flamengo viveram dentro do Atanasio Girardot

Boto foi direto ao ponto logo após o cancelamento da partida, válida pela 4ª rodada da fase de grupos da Libertadores. Segundo ele, sinais de que o jogo não teria condições de acontecer já eram visíveis antes do apito inicial.

"Desde o início nós percebemos que não havia condições de segurança. Logo nos primeiros minutos, estavam tacando sinalizadores na direção do Rossi, não havia barreira nenhuma e nem policiais suficientes. Teve gás lacrimogênio, os jogadores chegaram a chorar", relatou Boto.

O árbitro interrompeu o jogo quando torcedores começaram a arremessar objetos em direção à área do goleiro Rossi. A polícia usou gás lacrimogênio para conter a invasão que parecia iminente — e os atletas rubro-negros em campo foram diretamente atingidos pelos efeitos do agente químico. O clube declarou que estava disposto a jogar, desde que houvesse garantia real de segurança. Essa garantia nunca veio.

O que o jornal espanhol Diario As revelou adiciona uma camada ainda mais perturbadora: a ação dos ultras do Medellín não foi espontânea. Foi planejada. O objetivo era forçar punições severas da Conmebol ao clube, em meio ao descontentamento com o acionista majoritário, Raúl Giraldo — que, segundo o argentino Olé, chegou a entrar em campo após uma derrota e mostrar cédulas de dinheiro aos próprios torcedores, rindo.

O regulamento da Conmebol e a responsabilidade do clube mandante no caso

O estatuto disciplinário da Conmebol é claro: o clube mandante é responsável pela segurança dentro e nos arredores do estádio. Falhas nesse quesito resultam em punições que escalam conforme a gravidade — multas financeiras, jogos com portões fechados, perda de mando de campo e, nos casos mais extremos, exclusão da competição.

Não é a primeira vez que esse regulamento entra em cena em situações graves. O Boca Juniors foi punido com perda de mando de campo na semifinal da Libertadores de 2018 após torcedores atacarem o ônibus do River Plate com spray de pimenta antes do jogo no Bombonera — episódio que levou a Conmebol a transferir a finalíssima para Madrid. O River, por sua vez, também já respondeu a processos disciplinares por incidentes com sua torcida em jogos continentais.

No caso do Medellín, o agravante é o que o colombiano El Colombiano descreveu com precisão cirúrgica: "A arquibancada norte se transformou no epicentro do caos. Torcedores com capuzes alimentavam o caos em meio às colunas de fumaça que já cobriam setores inteiros do estádio". Não houve contenção. Houve omissão.

O SportNavo acompanhou os regulamentos históricos da Conmebol e identificou que, em casos onde há invasão de campo tentada, uso de artefatos pirotécnicos contra jogadores adversários e falha comprovada do aparato de segurança do mandante, a exclusão da competição está dentro do leque de penalidades aplicáveis — não é hipótese remota.

O que os jogadores do Flamengo viveram dentro do Atanasio Girardot Jogadores do
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Qual punição o Medellín enfrenta e o que isso muda na chave do Flamengo

O Flamengo já sinalizou que reivindica os três pontos da partida cancelada. A lógica regulamentar apoia essa posição: quando um jogo é interrompido por falha de segurança atribuída ao mandante, a Conmebol historicamente concede o W.O. ao visitante. Se isso se confirmar, o Rubro-Negro sobe para 10 pontos no grupo — liderança sólida.

Para o Medellín, os cenários são todos ruins. As possíveis sanções incluem:

  • Multa financeira — piso mínimo em qualquer infração de segurança
  • Portões fechados nos próximos jogos como mandante na Libertadores
  • Perda de mando de campo para sede neutra, como aconteceu com Boca em 2018
  • Exclusão da competição — penalidade máxima, aplicada quando a gravidade é considerada excepcional pela câmara disciplinar

O agravante que pode pesar contra o Medellín é exatamente o que o Diario As apontou: há indícios de que o caos foi orquestrado, não acidental. Se a Conmebol considerar que houve premeditação — e os relatos internacionais constroem essa narrativa com consistência —, a punição tende a ser mais severa do que em episódios de violência espontânea.

A câmara disciplinar da Conmebol tem prazo para se pronunciar. O Flamengo volta a campo pela Libertadores ainda nesta fase de grupos, e a definição dos três pontos em disputa pode mudar completamente a matemática da classificação para as oitavas. A pergunta que fica é concreta: se a Conmebol optar pela exclusão do Medellín, como a chave será reconfigurada — e qual time herdará os pontos já disputados contra o clube colombiano?