Todo mundo sabe que a lista final da Colômbia terá 26 nomes. Como Johan Rojas, um atacante sem nenhuma convocação prévia para a seleção principal, chegou a disputar uma dessas vagas é a parte que merece atenção. Na tarde desta quinta-feira, 14 de maio, o técnico Néstor Lorenzo apresentou oficialmente a pré-lista com 55 jogadores para a Copa do Mundo 2026 — e o nome do vascaíno figurou entre eles ao lado de nomes como James Rodríguez e Radamel Falcao García, ícones de uma geração inteira do futebol colombiano.
O gol que colocou Rojas no radar da Colômbia
Vasco da Gama e Paysandu protagonizaram um empate recente no Brasileirão 2026, e o segundo gol da equipe carioca saiu dos pés de Johan Rojas. Não foi um gol de antologia, mas foi suficiente para que o nome do atacante circulasse com mais frequência nas análises táticas do entorno da seleção colombiana. Reparemos no detalhe: Lorenzo não convocou Rojas por impulso. A pré-lista de 55 nomes é um instrumento de mapeamento — ela serve para que a comissão técnica observe, nos próximos 15 dias, quem está em condições físicas e táticas de integrar o grupo definitivo de 26 atletas, cuja divulgação está prevista para 29 de maio.
Segundo apuração do SportNavo, Rojas nunca havia recebido chamado para nenhuma partida oficial ou amistoso da seleção principal colombiana antes desta pré-lista. Isso o coloca em situação distinta dos outros dois vascaínos relacionados: Carlos Cuesta tem histórico mais consolidado na equipe nacional, enquanto Carlos Gómez também busca regularidade para figurar na lista definitiva. A diferença entre estar numa pré-lista de 55 e num grupo de 26 é considerável, e Rojas sabe disso.
O Vasco entre os clubes brasileiros mais representados
O Vasco divide com o Athletico Paranaense a liderança entre os clubes brasileiros com mais representantes na pré-lista colombiana — três jogadores cada. Ao todo, Lorenzo relacionou 13 atletas que atuam no futebol brasileiro, o que transforma o Brasileirão numa espécie de laboratório de observação para a seleção cafetera. O Palmeiras tem John Arias, o Flamengo tem Carrascal, o Internacional aparece com Rafael Santos Borré e Carbonero, enquanto Cruzeiro, Coritiba e Botafogo completam o mapa com um jogador cada.
A concentração de colombianos no Brasil não é acidental. Ela reflete um movimento estrutural do mercado sul-americano: com o aumento da capacidade de investimento de clubes como Flamengo, Palmeiras e Vasco, o Brasileirão passou a competir com ligas europeias de segundo escalão na atração de talentos do continente. Para um jogador colombiano em início de carreira ou em busca de recolocação, o Brasil oferece visibilidade, salários competitivos e, agora, a possibilidade concreta de aparecer no radar da seleção nacional. A FIFA, por sua vez, paga aos clubes US$ 11 mil diários — o equivalente a aproximadamente R$ 55 mil — por cada jogador convocado, desde a fase de preparação até a eliminação da equipe no torneio. Para o Vasco, ter três atletas na pré-lista representa uma janela financeira que pode se materializar de forma relevante caso mais de um deles avance à lista definitiva.
Os coadjuvantes que definem o desfecho de Rojas
A trajetória de Rojas nos próximos 15 dias depende de variáveis que ele não controla inteiramente. Lorenzo tem à disposição nomes com trajetória europeia consolidada — James Rodríguez é o mais emblemático — e jogadores com ciclos longos na seleção, como Arias, que esteve presente na última Data FIFA de março de 2026, participando de dois compromissos pela equipe nacional. Essa sequência de convocações cria uma hierarquia informal que Rojas precisará subverter com desempenho em campo.
Borré, do Internacional, ilustra bem o quanto uma Copa do Mundo pode demorar a chegar. O atacante estreou pela seleção colombiana em 2015, ficou de fora em 2018 e viu o país não se classificar para 2022. Em 2026, aos 30 anos, ele pode finalmente disputar seu primeiro Mundial — uma narrativa de espera que ressoa com a de muitos atletas sul-americanos. Para Rojas, o horizonte é mais curto: ou ele convence Lorenzo nas próximas duas semanas, ou aguarda um próximo ciclo.
A Colômbia está no Grupo K da Copa do Mundo 2026, ao lado de Portugal, República Democrática do Congo e Uzbequistão. A estreia está marcada para 17 de junho, contra o Uzbequistão, na Cidade do México. O confronto mais exigente do grupo — contra Portugal, em Miami — ocorre em 27 de junho. Lorenzo precisará de um elenco equilibrado para navegar por esse grupo sem sobressaltos, o que significa que cada vaga na lista definitiva será disputada com critérios técnicos rigorosos. Rojas tem até 29 de maio para mostrar que pertence a esse grupo — e o Vasco joga no fim de semana. Vale acompanhar.









