Quando John Kennedy empatou com Pedro na lista dos maiores artilheiros formados em Xerém, aos 31 gols pelo Fluminense, poucos imaginavam que o mesmo garoto que quase deixou o clube no início de 2026 se transformaria no protagonista ofensivo da era Luis Zubeldía. O atacante de 22 anos não apenas rejeitou propostas do Shakhtar Donetsk como se consolidou como peça fundamental no esquema tático do argentino.
A trajetória de Kennedy lembra outros casos emblemáticos da base tricolor. Assim como Wellington Nem precisou de tempo para explodir - foram três temporadas até se firmar como titular -, o atual camisa 9 também passou por período de amadurecimento. A diferença é que Kennedy já superou nomes consagrados da academia de Xerém: Alan, Gustavo Scarpa, Carlos Alberto e Wellington Nem ficaram para trás no ranking histórico.
A hierarquia histórica de Xerém
Roger Flores permanece isolado no topo com 56 gols em 178 jogos pelo Fluminense entre 2003 e 2008. O atacante que brilhou no tricampeonato carioca (2005-2007) estabeleceu marca que parece inalcançável para a geração atual. Marcos Júnior ocupa o segundo posto com 37 tentos, meta mais realista para Kennedy alcançar ainda em 2026.
A igualdade com Pedro ganha simbolismo especial. Ambos estrearam profissionalmente no mesmo período - Kennedy em 2021, Pedro em 2020 -, mas seguiram caminhos distintos. Enquanto o atual centroavante rubro-negro se transferiu para o Flamengo em 2023 por R$ 105 milhões, Kennedy permaneceu nas Laranjeiras mesmo com sondagens europeias.
Zubeldía e a transformação tática
Sob comando de Zubeldía, Kennedy encontrou a regularidade que faltava em temporadas anteriores. Os 10 gols na era do técnico argentino, dividindo a artilharia com Serna, representam média superior a um gol a cada três jogos. O aproveitamento contrasta com o início irregular de 2025, quando alternava entre titularidade e banco de reservas.
Segundo apuração do SportNavo, a permanência de Kennedy resultou mais da decisão pessoal do jogador do que de insistência da diretoria tricolor. As propostas do Shakhtar Donetsk chegaram a ser formalizadas, mas o atacante optou por reconquistar espaço no clube que o revelou.
O sistema tático de Zubeldía favoreceu as características de Kennedy. O argentino utiliza o brasileiro como referência central, mas com liberdade para aparecer pelos lados e criar situações de finalização. A mobilidade lembra o estilo de Roger Flores, que também não se limitava à área e participava da construção ofensiva.

Contexto geracional e perspectivas
Kennedy integra geração dourada de Xerém que inclui ainda Thiago Silva (19 gols), André, Luiz Henrique e outros talentos exportados para o futebol europeu. A comparação com Pedro se intensifica porque ambos representam perfis distintos de centroavante: Pedro, mais físico e aéreo; Kennedy, mais móvel e técnico.
Os números de 2026 colocam Kennedy à frente de nomes experientes como Cano e Everaldo na hierarquia ofensiva tricolor. A sequência de cinco jogos fora do Rio de Janeiro será teste decisivo para confirmar a consolidação do atacante como referência absoluta do ataque fluminense.
O Fluminense retorna aos gramados na próxima rodada do Campeonato Brasileiro, quando Kennedy terá nova oportunidade de ampliar a vantagem sobre os demais artilheiros da equipe e se aproximar dos 37 gols de Marcos Júnior no ranking histórico de Xerém.









