A discussão sobre a presença de Neymar na Copa do Mundo de 2026 ganhou novos contornos com as avaliações de jornalistas europeus especializados. Guillem Balagué, renomado biógrafo de Messi e Maradona, considera que o atacante do Santos não deve integrar a Seleção Brasileira no próximo Mundial, enquanto outros profissionais da imprensa internacional divergem sobre a real necessidade do camisa 10.

Balagué questiona o comprometimento de Neymar

O jornalista espanhol, colunista da BBC Sports, foi categórico ao avaliar a situação atual do brasileiro. Segundo Balagué, que entrevistou recentemente Davide Ancelotti para a emissora britânica, a questão transcende aspectos técnicos e envolve postura profissional. O técnico auxiliar da Seleção deu uma resposta diplomática ao afirmar que "para a Copa iria quem merecesse", mas a análise do especialista aponta para problemas mais profundos.

"Eu acho que já faz tempo que Neymar decidiu que tinha outras prioridades, e um jogador de elite não pode escolher quando está bem e quando está mal, ou quando está menos focado", considera Balagué.

Para o biógrafo, que acompanha a carreira do atacante há anos, a inconsistência tem sido uma constante. O SportNavo apurou que essa percepção se baseia não apenas no desempenho em campo, mas na abordagem profissional demonstrada pelo jogador nos últimos anos. A alternância entre momentos de brilho e períodos de ausência tem gerado questionamentos sobre sua capacidade de sustentar o nível exigido em competições de elite.

Balagué questiona o comprometimento de Neymar Jornalistas europeus avaliam chanc
Balagué questiona o comprometimento de Neymar Jornalistas europeus avaliam chanc

Visão francesa contrasta com análise espanhola

Regis Dupont, repórter especial do L'Équipe, apresenta perspectiva distinta sobre a importância de Neymar para a Seleção. O jornalista francês considera que o Brasil atual não possui conjunto suficientemente forte para dispensar o talento do atacante santista. Na avaliação de Dupont, a carência criativa da equipe nacional justificaria a convocação, mesmo com as limitações físicas evidentes.

A comparação estabelecida pelo profissional francês com Cristiano Ronaldo em Portugal ilustra sua posição. Segundo Dupont, "o Brasil precisa mais do Neymar do que Portugal precisa do Cristiano Ronaldo", considerando que a Seleção Brasileira "não é um grande time" no momento atual e "não tem o potencial como pode ter, por exemplo, a França".

Concorrência europeia intensifica pressão

O cenário se torna mais complexo quando analisamos o desempenho dos concorrentes diretos de Neymar que atuam na Europa. Raphinha tem se destacado no Barcelona com 12 gols e 10 assistências na temporada, enquanto Vinícius Júnior mantém números impressionantes no Real Madrid. Rodrygo, também do clube merengue, e Savinho, revelação do Manchester City, representam opções técnicas consistentes.

Os dados de participação em jogos oficiais favorecem claramente os atletas baseados na Europa. Enquanto Neymar disputou apenas 15 partidas pelo Santos em 2024, seus concorrentes acumularam mais de 35 jogos cada um em suas respectivas equipes. A diferença no ritmo de competição e na intensidade dos confrontos europeus cria uma disparidade evidente na preparação física e técnica.

Números revelam declínio preocupante

A análise estatística corrobora as preocupações levantadas pelos jornalistas europeus. Nos últimos dois anos, Neymar apresentou média de disponibilidade de apenas 60% dos jogos possíveis, considerando lesões e ausências diversas. Em comparação, atacantes como Raphinha e Vinícius Júnior mantiveram disponibilidade superior a 85% no mesmo período.

"Acho que já faz um tempo que tem sido difícil para ele jogar no nível exigido para, por exemplo, ter uma vaga na Copa do Mundo", afirma Balagué sobre o momento atual do brasileiro.

O investimento em estrutura médica e preparação física no futebol europeu também representa vantagem competitiva. Clubes como Barcelona, Real Madrid e Manchester City destinam mais de 15 milhões de euros anuais para departamentos médicos, valor que supera o orçamento total de muitas equipes brasileiras. Essa disparidade impacta diretamente na prevenção de lesões e na longevidade da carreira dos atletas.

A decisão final sobre a convocação de Neymar para a Copa de 2026 caberá à comissão técnica da CBF, que deve considerar não apenas o aspecto sentimental, mas principalmente o rendimento técnico e a capacidade física demonstrada pelo atacante. O próximo período de observação será crucial, com a Seleção enfrentando os classificatórios sul-americanos a partir de março de 2025.