É um relógio suíço com pavio curto.
Essa é a melhor definição para o Bahia que pisou no Estádio Major Antônio Couto Pereira na noite desta segunda-feira (25/05/2026). Preciso, cadenciado, mas capaz de explodir em velocidade quando encontra o espaço certo. O tricolor baiano derrotou o Coritiba por 1 a 0 — placar que, aliás, não traduz a extensão do controle exercido pelos visitantes — em partida válida pela 17ª rodada do Brasileirão Série A. Tiago Cóser e Bruno Melo marcaram os gols. Josué assitiu nos dois.
A leitura tática do jogo
O Bahia entrou em campo com uma proposta clara de ocupação dos espaços intermediários, explorando as costas da linha defensiva do Coritiba com movimentos de terceiro homem. Josué funcionou como o eixo organizador dessa dinâmica — não como um camisa 10 clássico, mas como um meia de ligação que acelerava a transição e chegava aos bolsões entre as linhas adversárias antes que a defesa coxa-branca pudesse se reposicionar. O que para o argentino é o enganche — aquele jogador que costura o jogo com toque curto e visão periférica —, para o português é o médio-organizador que dita o ritmo sem precisar aparecer nas estatísticas de finalizações. Josué foi os dois ao mesmo tempo nesta noite.
O Coritiba, por sua vez, apostou em um bloco médio-baixo que funcionou razoavelmente bem nos primeiros vinte minutos. A equipe paranaense tentou sair em transições rápidas, mas a compactação defensiva do Bahia no setor central cortou sistematicamente as tentativas de ligação direta para os atacantes.
A partir do gol aos 26 minutos, o jogo mudou de natureza.

Com a vantagem no placar, o Bahia passou a administrar a posse com mais critério, forçando o Coritiba a se abrir — e abrindo, consequentemente, os espaços que o tricolor baiano precisava para ampliar. A substituição do Coritiba aos 45 minutos, com João Paulo cedendo lugar a Léo Vieira, foi uma tentativa de injetar dinamismo ofensivo no segundo tempo, mas o diagnóstico chegou tarde demais para mudar o roteiro da partida.
Os minutos decisivos minuto a minuto
Aos 26 minutos, Josué recebeu em posição adiantada no lado esquerdo do ataque e encontrou Tiago Cóser com um passe milimétrico que cortou a linha defensiva coxa-branca. Cóser dominou, ajeitou para o pé esquerdo e bateu cruzado, sem chances para o goleiro. O gol revelou o padrão que o Bahia havia ensaiado: Josué como ativador, o atacante como finalizador posicionado.
Quatro minutos depois, aos 30 minutos, o Coritiba recebeu um cartão amarelo para Nicolás Acevedo — uma falta que interrompeu uma jogada promissora do Bahia em velocidade e que sinalizou o desgaste emocional que a equipe paranaense já acumulava diante da pressão visitante.
No intervalo, o técnico do Coritiba optou pela troca: João Paulo saiu, Léo Vieira entrou. A mudança tinha lógica — João Paulo havia tido atuação apagada — mas não alterou a dinâmica do jogo de forma substancial.
Aos 56 minutos, o Bahia matou a partida. Josué voltou a aparecer como assistente, desta vez pelo lado direito, encontrando Bruno Melo em posição de finalização. O lateral-esquerdo — que havia avançado em sobreposição — bateu de pé direito, firme, no canto. Segundo gol da partida, segunda assistência de Josué. A noite estava encerrada.
Os números que sustentam a leitura
Josué terminou a partida com duas assistências — dado que, por si só, resume a influência do meia baiano. Tiago Cóser e Bruno Melo dividiram as responsabilidades ofensivas, mas foram instrumentos de uma engrenagem que Josué operou com precisão cirúrgica.
O Coritiba, que acumula dificuldades na Série A 2026, viu mais uma vez sua estrutura defensiva ser explorada por um adversário organizado. A equipe paranaense não conseguiu uma única finalização de real perigo no primeiro tempo, e as tentativas no segundo tempo chegaram tarde e sem criatividade para inquietar o goleiro adversário.
O Bahia, com esta vitória, consolida sua posição no pelotão de cima da tabela — um resultado que reforça a consistência da campanha tricolor na temporada e que coloca pressão direta nos rivais que disputam as mesmas posições. O Coritiba, na outra ponta, segue em zona de alerta: a derrota em casa agrava o quadro de um time que precisa urgentemente encontrar regularidade defensiva e produção ofensiva.

Próximos passos na temporada
Para o Bahia, a vitória no Couto Pereira representa um passo estratégico em uma sequência de jogos que pode definir o posicionamento do clube na tabela até o fim do primeiro turno. O tricolor baiano terá agora tempo para trabalhar a semana e se preparar para a 18ª rodada com a confiança de um elenco que demonstrou maturidade tática e coletiva.
O Coritiba, por sua vez, enfrenta uma equação cada vez mais delicada. A derrota em casa, diante de sua própria torcida no Couto Pereira, não é apenas um resultado ruim — é um sinal de que os ajustes necessários vão além da troca de peças no intervalo. A comissão técnica terá de responder perguntas difíceis antes da próxima rodada: como reorganizar a saída de bola, como dar mais presença ao setor ofensivo e como evitar que adversários com a qualidade de Josué encontrem espaços tão facilmente entre as linhas. O relógio — este sim, sem pavio — segue correndo.










