— "Júnior Alonso ainda tá bem, não? Achei que ia cair de rendimento esse ano."
— "Cara, 31 jogos. Ele não saiu do time uma vez."
— "Pois é. Zagueiro bom a gente só percebe quando some."
Júnior Alonso não some. Em 2026, aos 33 anos, o zagueiro paraguaio segue no centro da defesa do Atlético Mineiro como se o tempo tivesse feito um acordo com ele. Enquanto outros veteranos cedem espaço para reposições de prateleira, o camisa 6 do Galo aparece nas escalações semana após semana, sem alarde, sem oscilação visível.
Sob a lente do treinador
Júnior Osmar Ignacio Alonso Mujica nasceu em Assunção, no Paraguai, em 9 de fevereiro de 1993. Mede 185 cm e pesa 83 kg — físico equilibrado para um zagueiro que também pode atuar como lateral-esquerdo. Essa versatilidade tática é um argumento permanente para qualquer comissão técnica.
Na temporada atual do Brasileirão Série A, Alonso acumula 31 jogos, 1 gol e 1 assistência. Para um zagueiro de 33 anos, a constância de presença é o dado mais revelador: nenhum treinador mantém um defensor central com essa frequência de aparições se houver dúvida sobre o rendimento físico ou tático.
Sua capacidade de leitura de jogo, desenvolvida em passagens por Cerro Porteño, Boca Juniors e no próprio Atlético Mineiro, permite que ele opere com economia de esforço — o que, nessa fase da carreira, é diferencial competitivo.
Sob a lente do torcedor
Para o torcedor atleticano, Alonso não é novidade — é referência. Ele chegou ao Galo e foi peça central no título do Campeonato Brasileiro de 2021, da Copa do Brasil de 2021 e dos Campeonatos Mineiros de 2020, 2021, 2022 e 2025. Quatro estaduais em cinco anos. Isso não é acaso.
O ano de 2021 foi o pico documentado de sua carreira no Brasil: bicampeão com o Atlético, eleito para a Seleção do Campeonato Brasileiro pelo Prêmio Craque do Brasileirão e indicado na Seleção Ideal da América do Sul pelo jornal El País. Naquele ano, também conquistou a Bola de Prata — o segundo consecutivo, já que a premiação também veio em 2020.
Antes do Galo, o paraguaio já havia acumulado substância. Pelo Cerro Porteño, foi campeão paraguaio no Clausura 2013 e no Apertura 2015. Pelo Boca Juniors, levantou a Supercopa Argentina de 2018 e o Campeonato Argentino de 2019-20. São títulos em três países diferentes — Argentina, Paraguai e Brasil — antes dos 30 anos.
Sob a lente da planilha de dados
Os números da temporada 2026 contam uma história específica. Trinta e um jogos disputados em uma liga de 20 clubes, com calendário denso que inclui competições paralelas, representa presença quase integral. Um gol marcado e uma assistência distribuída completam o perfil funcional do zagueiro moderno — que não existe apenas para não tomar gol, mas para iniciar jogadas.
O histórico de seleções de base reforça o volume técnico construído ao longo da carreira. Em 2013, Alonso participou do Campeonato Sul-Americano Sub-20 — onde marcou dois gols — e da Copa do Mundo Sub-20 pela seleção paraguaia. Estreou na equipe principal no mesmo ano, em 11 de outubro de 2013, em empate de 1 a 1 contra a Venezuela pelas Eliminatórias para a Copa de 2014.
Seu primeiro gol pela seleção principal veio em 23 de março de 2017, na vitória por 2 a 1 sobre o Equador nas Eliminatórias para 2018. Na Copa América de 2019, foi titular em todos os jogos da campanha paraguaia, que chegou às quartas de final. São mais de dez anos de seleção — um volume que poucas posições sustentam com continuidade.
Sob a lente do mercado
Zagueiros com o perfil de Alonso — experientes, versáteis, com histórico de títulos em múltiplos países e presença confirmada em seleção nacional — têm mercado específico. Não são os mais caros, mas são os mais procurados por clubes que precisam de estabilidade imediata na defesa.
Aos 33 anos, o horizonte contratual se estreita naturalmente. Clubes brasileiros de ponta costumam renovar contratos desse perfil em ciclos curtos — 12 a 18 meses — com cláusulas de renovação automática atreladas a metas de jogos disputados. Não há dados públicos disponíveis sobre o valor atual do contrato de Alonso com o Atlético Mineiro, mas o fato de ele estar na 31ª aparição da temporada indica que o clube já ativou a confiança prática, independente dos valores formais.

O mercado sul-americano, especialmente Brasil e Argentina, tende a absorver zagueiros com esse currículo até os 35 anos quando o rendimento físico se sustenta. Alonso, com 185 cm e 83 kg mantidos ao longo da carreira, ainda opera dentro do padrão físico exigido pela Série A.

Para os próximos 12 meses, o cenário mais realista é a continuidade no Galo, com eventual renovação contratual ao fim de 2026. Uma saída para o Paraguai ou para um clube argentino de menor porte seria alternativa viável apenas se o Atlético optar por rejuvenescer o setor. Por ora, não há sinal disso.
Noite de jogo no Mineirão. A bola sobra na área. O camisa 6 corta antes do atacante chegar. Câmera já virou para o outro lado.










