Não, o Criciúma não é o time mais propositivo da Série B de 2026. A afirmação circula nos bastidores de Santa Catarina como se fosse consenso, mas o que se viu no Estádio Alfredo Jaconi, na madrugada deste domingo (10/05), jogou por terra essa narrativa. O empate por 0 a 0 contra o Juventude, pela 8ª rodada da competição, revelou um Criciúma que ainda não encontrou o vocabulário ofensivo que prometia no início do ano — e um Juventude que, sem brilhar, soube administrar o jogo em casa com frieza de quem conhece o valor de um ponto na reta inicial da Série B.
Os três nomes do jogo
Em uma partida sem gols, os protagonistas se revelam por outros critérios. O primeiro nome é o do goleiro do Criciúma, que trabalhou em ao menos três momentos de maior pressão do Juventude no segundo tempo, impedindo que o time gaúcho convertesse a vantagem territorial em placar. O segundo é o do volante Lucas Mineiro, do Criciúma, que entrou nos registros oficiais da partida pelo motivo errado — o cartão amarelo aos 35 minutos do primeiro tempo, numa disputa de bola no meio-campo que o árbitro interpretou como falta com excesso. O terceiro nome pertence ao setor criativo do Juventude: o time da casa tentou, ao longo dos 90 minutos, construir triangulações pelo corredor central que, quando funcionaram, chegaram perto da área catarinense, mas esbarraram na organização defensiva do adversário.
O herói esquecido pelos holofotes
Zagueiros centrais não ganham manchetes em empates sem gols. Mas a linha defensiva do Juventude merece registro. O time gaúcho manteve o Criciúma longe da área durante a maior parte do primeiro tempo, o que é um dado tático relevante considerando que o Criciúma chegou ao Jaconi com três jogadores de velocidade pelos flancos que, em tese, deveriam criar problemas para a defesa do Juventude. Não criaram. A compactação da equipe da casa funcionou como uma partitura bem ensaiada — cada músico no lugar certo, sem improvisos desnecessários. Segurou.
O vilão da partida
Lucas Mineiro. O cartão amarelo que o volante do Criciúma recebeu aos 35 minutos não foi, por si só, um divisor de águas no jogo. Mas o que ele representou taticamente importa. Com a advertência, o jogador passou a atuar com mais cautela na segunda etapa, recuando o raio de ação e deixando o Criciúma com menos cobertura no setor de criação. O time catarinense perdeu a capacidade de pressionar a saída de bola do Juventude com a mesma intensidade que havia demonstrado nos minutos iniciais. Furou. O plano de jogo do Criciúma tinha uma peça central — e essa peça ficou condicionada pelo risco de uma segunda advertência.
A mensagem do banco de reservas
Os bastidores das duas comissões técnicas revelam pressões distintas. O Juventude, que disputou a Série A em 2025 e caiu para a segunda divisão, iniciou 2026 com um orçamento reduzido — fontes próximas ao clube indicam que o teto salarial do elenco atual é aproximadamente 35% menor do que o praticado na temporada passada na elite. O empate em casa, portanto, não é apenas um ponto perdido: é um ponto que precisa ser justificado para uma diretoria que contratou com a expectativa de acesso imediato. O Criciúma, por sua vez, chega à 8ª rodada com um ponto a mais do que o esperado pelo departamento de análise do clube, segundo apuração da SportNavo — o que dá ao técnico um pouco mais de margem para experimentos táticos nas próximas rodadas.
Na tabela da Série B 2026, o empate mantém os dois clubes no pelotão intermediário. O Juventude soma agora oito pontos em oito jogos — uma média que, historicamente, costuma ser insuficiente para garantir acesso ao final da temporada. O Criciúma tem desempenho similar. A próxima rodada, a 9ª, vai exigir respostas mais concretas dos dois lados: o Juventude joga fora de casa, enquanto o Criciúma tem a oportunidade de atuar diante de sua torcida, o que pode ser o termômetro real do momento de cada equipe. Pontos em aberto, mas sem margem para equívocos na reta que se aproxima.










