Dois gols, uma vitória por 5 a 4 e um prêmio informal que poucos jogadores em atividade recebem desta forma: Khvicha Kvaratskhelia saiu do Parque dos Príncipes, na última terça-feira (28), com a etiqueta de melhor jogador do mundo colada nas costas. Quem assinou o documento foi Clarence Seedorf, tetracampeão da Champions League.

O que Seedorf viu no Parc des Princes

Ao vivo pela Prime Video, o ex-meio-campista neerlandês não poupou adjetivos ao analisar a atuação do atacante georgiano de 25 anos.

"Kvaratskhelia é o melhor jogador do mundo e continuará evoluindo. Ele carrega o time nas costas e sabe o que fazer em todos os momentos. Valorizo muito sua inteligência. Ele é fundamental na criação de jogadas e também faz a diferença no ataque. Ele é incrível!" — Clarence Seedorf, ao Prime Video.

A declaração não surgiu do nada. O camisa 7 do PSG encerrou a partida com dois gols marcados sobre o Bayern de Munique de Vincent Kompany, num confronto que terminou 5 a 4 e que já circula nas redações europeias como uma das melhores partidas do século.

Números que sustentam o argumento

A avaliação do SportNavo sobre o desempenho de Kvaratskhelia na edição atual da Champions League mostra um padrão de consistência raro: o georgiano é o segundo jogador com mais participações em gols na competição (15), empatado com Harry Kane, com 10 gols e 5 assistências.

O que Seedorf viu no Parc des Princes Kvaratskhelia marca dois e vira protagon
O que Seedorf viu no Parc des Princes Kvaratskhelia marca dois e vira protagon

Mais do que o volume, a distribuição impressiona. Kvaratskhelia se tornou o primeiro atleta a marcar em todas as fases da Champions desde a mudança de formato:

  • Fase de liga: 3 gols
  • Playoffs: 2 gols (contra o Monaco)
  • Oitavas de final: 3 gols e 1 assistência (contra o Chelsea)
  • Quartas de final: 1 gol e 1 assistência
  • Semifinais: 2 gols (contra o Bayern)

No mata-mata desta edição, são 3 gols e 2 assistências — números de centroavante para um atacante de corredor que opera majoritariamente pela esquerda.

O que mudou taticamente com a chegada do georgiano

Contratado em janeiro de 2025 junto ao Napoli por 70 milhões de euros (cerca de R$ 436 milhões na época), Kvaratskhelia chegou ao PSG para ocupar a posição de Bradley Barcola entre os titulares. A transição foi mais rápida do que o esperado.

Números que sustentam o argumento Kvaratskhelia marca dois e vira protagon
Números que sustentam o argumento Kvaratskhelia marca dois e vira protagon

No esquema de Luis Enrique, o georgiano opera como extremo de inversão pela esquerda, mas com liberdade para buscar o pivô e participar das transições ofensivas. Sua inteligência posicional — citada pelo próprio Seedorf — permite que ele seja tanto o primeiro receptor após a saída de bola quanto o finalizador na área. Não é função de um único perfil: é polivalência funcional.

A compactação defensiva do Bayern no primeiro tempo da semifinal forçou o PSG a explorar as diagonais internas. Kvaratskhelia utilizou exatamente esse corredor para criar desequilíbrio nas costas da linha de quatro bávara — os dois gols marcados saíram de movimentações que combinaram a queda para receber entre as linhas com a aceleração posterior em direção ao gol.

O contexto da outra semifinal

Enquanto o PSG protagonizava um 5 a 4 épico, o outro duelo das semifinais reservava um cenário tático distinto. Atlético de Madrid e Arsenal se enfrentam nesta quarta-feira (29), às 16h (de Brasília), no Metropolitano de Madri. Para ambos, é uma semifinal inédita: o Atlético busca uma final de Champions pela primeira vez desde a derrota nos pênaltis para o Real Madrid em 2016, em Lisboa — já a segunda eliminação de Diego Simeone em decisões diante do rival.

O Arsenal chega invicto na competição em 12 jogos e com a melhor defesa da Champions, apenas 5 gols sofridos. No histórico recente entre os clubes, os ingleses golearam os espanhóis por 4 a 0 no Emirates Stadium em outubro de 2024, com gols de Gabriel Magalhães, Martinelli e dois de Gyökeres. O vencedor desta semifinal enfrenta PSG ou Bayern na final.

Quem avançar do lado de Kvaratskhelia terá pela frente exatamente o perfil defensivo que o Arsenal representa — baixo volume de gols sofridos, linha de pressão organizada, transições controladas. O georgiano soma 15 participações diretas em gols nesta Champions e precisaria de apenas uma para igualar a marca de Kylian Mbappé, já eliminado com o Real Madrid. A volta contra o Bayern está marcada para a próxima semana, em Munique.