O aeroporto de São José do Rio Preto viveu uma tarde histórica na última segunda-feira (6) quando recebeu o primeiro voo internacional de sua história. A bordo estava o elenco do Lanús, da Argentina, que optou por uma rota inédita para enfrentar o Mirassol na estreia da fase de grupos da Libertadores 2026. A escolha revela uma mudança no mapa logístico dos clubes estrangeiros que disputam partidas no interior brasileiro.
Tradicionalmente, equipes sul-americanas que enfrentam times paulistas do interior chegam aos aeroportos de Congonhas ou Guarulhos, em São Paulo, seguindo de ônibus até o destino final. O trajeto de São Paulo até São José do Rio Preto, por exemplo, demanda cerca de 4 horas de viagem rodoviária, tempo que pode comprometer o preparo físico dos atletas em competições de alto nível.
A estratégia por trás da escolha inusitada
O aeroporto Professor Eribelto Manoel Reino, nome oficial da estrutura rio-pretense, possui pista de 2.100 metros e capacidade para receber aeronaves de médio porte. A decisão do Lanús de utilizar essa infraestrutura eliminou completamente o deslocamento terrestre, já que o estádio José Maria de Campos Maia, casa do Mirassol, fica a apenas 25 quilômetros do aeroporto regional.
Fontes do setor aeroportuário indicam que a operação inaugural envolveu trâmites especiais da Receita Federal e Polícia Federal, que deslocaram equipes especializadas para viabilizar o desembarque internacional. Os custos dessa logística diferenciada ainda não foram divulgados, mas especialistas estimam que podem ser competitivos quando comparados ao modelo tradicional de voo comercial mais transporte rodoviário.
Impacto na preparação das equipes visitantes
A estratégia adotada pelo clube argentino oferece vantagens táticas evidentes. Enquanto equipes que seguem a rota convencional chegam ao destino com pelo menos 5 horas de viagem acumulada, o Lanús desembarcou praticamente na porta do hotel, preservando energia e reduzindo o desgaste físico dos jogadores.

Dados da Confederação Sul-Americana de Futebol mostram que 40% dos jogos da Libertadores 2025 envolveram deslocamentos superiores a 3 horas entre aeroportos e estádios. Essa realidade impacta especialmente times que enfrentam clubes brasileiros sediados em cidades médias, como Mirassol, Cuiabá, Fortaleza e Bahia.
Precedente para outros aeroportos regionais
O sucesso da operação em Rio Preto pode inspirar clubes estrangeiros a explorar aeroportos regionais em outras regiões do Brasil. Estruturas similares existem em Bauru, Ribeirão Preto, Marília e outras cidades paulistas que sediam times das séries A e B do Campeonato Brasileiro.
A Infraero confirmou que aeroportos regionais brasileiros possuem capacidade técnica para receber voos internacionais, desde que cumpridos os protocolos de segurança e alfandegários exigidos pela legislação. O movimento pode representar uma descentralização do tráfego aéreo esportivo, hoje concentrado nos grandes hubs metropolitanos.
A tendência se alinha com estratégias modernas de otimização logística no futebol profissional, onde cada detalhe pode influenciar o rendimento em campo. Times europeus já utilizam aeroportos alternativos há décadas, priorizando proximidade aos destinos finais em detrimento de estruturas aeroportuárias mais robustas.
O Mirassol recebe o Lanús nesta quinta-feira (9), às 21h30, no estádio José Maria de Campos Maia, pela primeira rodada do Grupo C da Libertadores. A partida será o primeiro teste para verificar se a estratégia logística argentina se traduzirá em vantagem competitiva dentro das quatro linhas.

