O Chelsea vive sua pior crise ofensiva em 112 anos. Os Blues completaram cinco jogos consecutivos sem marcar gols, algo inédito desde 1912, após a derrota por 3 a 0 para o Brighton na terça-feira (21). O jejum histórico intensificou as críticas às duas maiores contratações da história do clube: Enzo Fernández (€121 milhões) e Moisés Caicedo (€116 milhões), que somados custaram €237 milhões aos cofres londrinos.

Frank Leboeuf, ex-zagueiro que defendeu o Chelsea entre 1996 e 2001, foi categórico ao avaliar o desempenho da dupla argentina-equatoriana. O francês questiona se os investimentos recordes no meio-campo trouxeram o retorno esperado, especialmente em termos de liderança dentro de campo.

Investimento milionário sem liderança

A análise dos números revela o tamanho do problema. Desde que chegaram a Londres, Enzo Fernández disputou 47 partidas pelo Chelsea, marcando apenas 3 gols e distribuindo 5 assistências. Caicedo, por sua vez, atuou em 35 jogos, sem gols e com apenas 2 assistências. Os dados contrastam com o investimento de €257 milhões feito pelo clube no meio-campo nas últimas duas temporadas.

Leboeuf não poupou críticas ao comparar a atual geração com ídolos do passado. Segundo o ex-defensor, jogadores como Dennis Wise, Craig Burley e Roberto Di Matteo eram verdadeiros líderes no meio-campo dos Blues nos anos 1990.

"Caicedo e Enzo Fernández não são líderes. Desculpem, eu vi líderes. Joguei com Dennis Wise, Craig Burley e Roberto Di Matteo no meio-campo. Eles eram líderes. Esses jogadores não merecem atuar pelo Chelsea neste momento. Não têm qualidade suficiente", disparou Leboeuf em entrevista à ESPN.

Polêmicas extraeampo agravam cenário

Além do baixo rendimento técnico, Enzo Fernández enfrenta questionamentos sobre seu comprometimento com o projeto do Chelsea. O argentino de 23 anos deu sinais de que gostaria de se transferir para o Real Madrid, gerando desconforto interno. Na quinta-feira (23), o jornal "The Athletic" vinculou o nome do meio-campista ao Manchester City, evidenciando que uma saída de Londres pode estar próxima.

A situação se agrava quando analisada sob a ótica institucional. Conforme levantamento do SportNavo, o Chelsea investiu €1,2 bilhão em contratações desde que Todd Boehly assumiu o controle do clube em 2022. Dos 23 reforços contratados neste período, apenas 4 se estabeleceram como titulares indiscutíveis, revelando um aproveitamento de menos de 20%.

Comparação com era de ouro expõe declínio

O francês foi além das críticas individuais e traçou um paralelo devastador entre gerações. Na época em que Leboeuf vestia a camisa azul, o Chelsea conquistou a Copa da Inglaterra (1997), a Recopa Europeia (1998) e a FA Cup (2000), sempre com líderes naturais em cada setor do campo.

"Sem falar dos defensores como Marcel Desailly e Steve Clarke, ou no ataque com Vialli, Gullit e Zola, jogadores vencedores da minha época. E nem estou falando do que veio depois, na era Roman Abramovich. O que pode ser mudado agora, eu não sei. Mas, no próximo ano, por favor, peço à diretoria que contrate líderes", completou o ex-zagueiro.

A declaração de Leboeuf ganha peso quando contextualizada historicamente. Entre 2003 e 2021, durante a gestão Abramovich, o Chelsea conquistou 21 títulos, incluindo 2 Champions League, 6 Premier League e 5 FA Cup. O clube se estabeleceu como uma potência europeia justamente pela capacidade de atrair e desenvolver líderes naturais como John Terry, Frank Lampard e Didier Drogba.

Futuro incerto e pressão crescente

A crise atual coloca Enzo Maresca, técnico argentino de 44 anos, sob intensa pressão. O treinador, contratado em junho de 2024 após passagem vitoriosa pelo Leicester City, enfrenta o desafio de extrair o máximo de um elenco que custou mais de €1 bilhão para ser montado.

O impacto financeiro de possíveis saídas também preocupa a diretoria. Uma venda de Enzo Fernández por valores inferiores aos €121 milhões investidos representaria uma desvalorização significativa no balanço do clube. O meio-campista tem contrato até junho de 2031, o que teoricamente dá poder de negociação ao Chelsea.

O próximo teste para quebrar o jejum será diante do Wolverhampton, no sábado (25), em Stamford Bridge. O confronto marca o início de uma sequência de seis jogos em casa que pode definir se o clube conseguirá se reerguer ou se aprofundará ainda mais na crise que assombra West London desde o início da temporada.