Uma cena nos minutos finais do Parque dos Príncipes na última terça-feira, 28 de abril, concentrou o estado de alerta de dois projetos ao mesmo tempo: ao esticar demais a perna direita na perseguição ao meio-campista Konrad Laimer, Achraf Hakimi sentiu o músculo ceder e caiu no gramado. O PSG havia esgotado as substituições na vitória por 5 a 4 sobre o Bayern de Munique, então o lateral marroquino terminou a partida mancando, numa imagem que resume o tamanho do problema para clube e seleção.

O diagnóstico e o calendário do PSG

Os exames realizados na quarta-feira, 29 de abril, confirmaram o que a comissão médica parisiense temia: ruptura leve nos isquiotibiais, a musculatura da parte posterior da coxa direita. A informação foi divulgada pelo jornalista Fabrice Hawkins, da RMC Sports, veículo de referência no acompanhamento do clube francês. Por se tratar de lesão muscular com grau de comprometimento acima de uma simples contratura, a previsão de afastamento é de pelo menos duas semanas — o que encerra qualquer possibilidade de participação no duelo de volta das semifinais da Champions League, marcado para 6 de maio, na Allianz Arena, em Munique.

O PSG, portanto, precisará avançar à final sem seu lateral titular, considerado por muitos analistas o melhor da posição no mundo atualmente. Curiosamente, há otimismo nos bastidores do clube de que Hakimi possa reaparecer justamente na decisão do torneio, agendada para 30 de maio, em Budapeste — mas apenas se os parisienses eliminarem o Bayern sem ele.

A janela apertada antes da Copa do Mundo

O problema para Marrocos começa exatamente onde o do PSG termina. Se Hakimi retornar no final de maio, estará com tempo restrito para recondicionar o físico antes da Copa do Mundo de 2026. A seleção marroquina estreia no torneio no dia 13 de junho, diante do Brasil, às 19h (horário de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, na região metropolitana de Nova York. O intervalo entre uma possível final da Champions e a estreia no Mundial é de pouco mais de duas semanas — tempo suficiente para recuperação clínica, mas insuficiente para alcançar o nível competitivo pleno após uma lesão muscular com grau de ruptura.

Segundo apuração do SportNavo, a margem de segurança é estreita. Atletas com esse tipo de lesão frequentemente apresentam episódios de recaída quando retornam ao ritmo de alta intensidade antes do prazo ideal de consolidação tecidual, que os fisioterapeutas estimam entre 21 e 28 dias para ruptura leve de isquiotibiais. A confluência de datas coloca a comissão técnica de Marrocos em posição delicada: apressar o retorno do camisa 2 para a Liga dos Campeões pode comprometer sua integridade física justamente para o momento mais importante do ano.

"A participação de Hakimi na Copa do Mundo, por Marrocos, não está ameaçada", informou a RMC Sports — mas a condição física com que ele chegará ao torneio é uma questão em aberto.

O que Marrocos perde sem Hakimi em plena forma

Desde a Copa do Mundo de 2022, quando Marrocos chegou às semifinais no Catar — feito inédito para um país africano —, Hakimi consolidou-se como o jogador mais influente do sistema tático do técnico Walid Regragui. O lateral não apenas protege o corredor direito, mas é o principal ativador ofensivo da equipe: nas Eliminatórias africanas para 2026, contribuiu diretamente com 5 gols e assistências decisivas, segundo dados da Confederação Africana de Futebol (CAF). Seu modelo de jogo, baseado em subidas frequentes e cruzamentos precisos, consome reservas físicas que uma lesão muscular recente pode reduzir significativamente.

A análise do SportNavo sobre o grupo F da Copa do Mundo aponta que o confronto contra o Brasil, no dia 13 de junho, será imediatamente seguido de mais dois jogos na fase de grupos. Um Hakimi abaixo do pico físico pode ser gerenciado numa estreia pontual, mas o acúmulo de partidas testará os limites de sua recuperação ao longo de toda a fase classificatória.

Cenários concretos para a comissão técnica marroquina

Regragui terá de elaborar ao menos dois planos. O primeiro considera Hakimi apto para a estreia contra o Brasil, mas com carga de minutos controlada — uma decisão que envolve risco calculado diante de uma das seleções mais fisicamente exigentes do torneio. O segundo cenário projeta a entrada de seu substituto mais direto, Mohammed Amhaouch, do Al-Qadsiah, que atuou nas qualificatórias e demonstrou solidez defensiva, embora sem o nível de desequilíbrio ofensivo do titular.

O diagnóstico e o calendário do PSG Lesão de Hakimi abre dúvida real sobre M
O diagnóstico e o calendário do PSG Lesão de Hakimi abre dúvida real sobre M
"Ele tem boas chances de voltar à ação antes do fim da temporada", afirmou fonte próxima à delegação do PSG à RMC Sports — uma declaração que, traduzida para o calendário do Mundial, significa retorno previsto para a última semana de maio.

A definição sobre a participação de Hakimi na pré-temporada do Mundial marroquino dependerá, em última análise, dos laudos médicos da seleção nas primeiras semanas de junho. O jogador de 26 anos tem histórico de recuperação eficiente, sem lesões musculares recorrentes ao longo da carreira, o que aumenta o otimismo dos especialistas. Mas o Brasil, adversário na abertura do grupo, terá informações precisas sobre seu estado físico até lá — e Dorival Júnior certamente incluirá esse fator no planejamento tático para o dia 13 de junho no MetLife Stadium.