A lesão muscular de grau 4 sofrida por Estêvão contra o Manchester United representa um golpe devastador para as pretensões brasileiras na Copa do Mundo de 2026. O atacante de 18 anos do Chelsea, considerado a principal revelação do futebol nacional desde Pelé em 1958, tem chances praticamente nulas de disputar o torneio que começa em 11 de junho.

O jornal marroquino Koora classificou a possível ausência de Estêvão como uma "notícia catastrófica" para a Seleção Brasileira, evidenciando como os adversários acompanham de perto cada movimento do escrete canarinho. Para dimensionar o impacto, vale recordar que nas últimas seis Copas do Mundo (1994-2018), o Brasil sempre contou com pelo menos um atacante revelação decisivo: Ronaldo em 1994 e 1998, Ronaldinho em 2002, Robinho em 2006, Neymar em 2014 e 2018.

Números revelam dimensão da perda para Carlo Ancelotti Lesão grau 4 de Estêvão p
Números revelam dimensão da perda para Carlo Ancelotti Lesão grau 4 de Estêvão p

Números revelam dimensão da perda para Carlo Ancelotti

Estêvão acumulava 12 gols e 8 assistências em 28 jogos pelo Chelsea na temporada 2024-25, mantendo média de participação direta em gols superior a 0,7 por partida. Na Seleção principal, desde sua estreia em setembro de 2024 contra Equador pelas Eliminatórias, disputou 8 jogos com 4 gols marcados - aproveitamento que supera até mesmo Pelé aos 18 anos, quando tinha 3 gols em 7 jogos pela Seleção.

"O atacante deixou o campo chorando no vestiário do Chelsea, confirmando a gravidade do problema"

A análise do SportNavo dos últimos 20 anos de convocações brasileiras mostra que lesões de grau 4 em músculos da coxa exigem entre 3 e 4 meses de recuperação completa. Considerando que o Brasil estreia contra Marrocos em 13 de junho no MetLife Stadium, Estêvão teria apenas 4 meses e meio para se recuperar - prazo considerado insuficiente pelos médicos consultados.

Precedentes históricos de lesões antes de Copas

A história recente da Seleção registra casos similares de perdas importantes por lesão às vésperas de Mundiais. Em 2014, Neymar sofreu fratura na vértebra contra a Colômbia e desfalcou o Brasil na semifinal e final. Quatro anos antes, em 2010, Kaká chegou lesionado à África do Sul após problemas no Real Madrid e teve desempenho muito abaixo do esperado.

Precedentes históricos de lesões antes de Copas Lesão grau 4 de Estêvão pode ser
Precedentes históricos de lesões antes de Copas Lesão grau 4 de Estêvão pode ser

Mais dramático foi o caso de Romário em 1994: o atacante do Barcelona chegou aos Estados Unidos com dores na coxa direita, mas conseguiu se recuperar a tempo de se tornar artilheiro da Copa com 5 gols. A diferença fundamental é que Romário tinha lesão de grau 2, enquanto Estêvão enfrenta grau 4 - o mais severo na classificação médica.

Alternativas limitadas no ataque brasileiro

Carlo Ancelotti já perdeu Rodrygo por lesão no tornozelo e agora vê seu plano tático inicial desmoronar. O técnico italiano havia estruturado o ataque com Vinícius Júnior pela esquerda, Estêvão pela direita e Endrick como centroavante - formação testada com sucesso nos amistosos de março contra Inglaterra (1-0) e Espanha (2-1).

As opções de reposição incluem Raphinha do Barcelona, que disputou a Copa de 2022 no Catar, Antony do Manchester United e Savinho do Manchester City. Porém, nenhum deles possui o perfil de Estêvão: canhoto que joga pela direita, com capacidade de finalização e passes decisivos. Raphinha, por exemplo, tem apenas 2 gols em 15 jogos pela Seleção desde 2021.

Marrocos celebra ausência do brasileiro

A imprensa marroquina não esconde a satisfação com a possível ausência de Estêvão. O Koora destacou que a defesa dos Leões do Atlas, comandada por Achraf Hakimi, "respirou aliviada" com a notícia da lesão. Marrocos vem de campanha sólida nas Eliminatórias Africanas, com apenas 3 gols sofridos em 10 jogos.

"Para o Koora, a perda é um 'golpe doloroso' para Ancelotti, que já não terá Rodrygo"

O confronto entre Brasil e Marrocos em 13 de junho, às 19h no MetLife Stadium, ganha contornos ainda mais imprevisíveis. O grupo também conta com Haiti e Escócia, mas o duelo direto entre brasileiros e marroquinos pode definir a liderança da chave. Sem Estêvão, Ancelotti terá 45 dias para reformular completamente o setor ofensivo e encontrar alternativas que compensem a ausência do jovem prodígio do Chelsea.