Não é o título da Libertadores que vai definir o destino do Flamengo no Mundial de Clubes 2029. A conquista sobre o Palmeiras na final disputada em Lima, com placar de 1 a 0, apenas abre a porta. O que o clube fizer entre 2025 e 2028 — dentro e fora de campo — é que vai determinar se o Rubro-Negro chegará ao torneio como um candidato real ao título ou como figurante de luxo, como aconteceu na edição inaugural de 2025, quando caiu nas oitavas de final diante do Bayern de Munique por 4 a 2.

A vaga do Flamengo e o tabuleiro sul-americano que ainda vai mudar

A FIFA divulgou, em 27 de abril de 2026, o ranking oficial que vai distribuir as vagas restantes para o Mundial de Clubes 2029. A América do Sul terá seis representantes. Desses, o Flamengo já está garantido pela Libertadores 2025. As outras cinco vagas serão preenchidas pelos campeões das edições de 2026, 2027 e 2028 da Libertadores — mais dois clubes definidos pela pontuação acumulada no ranking da Conmebol.

O sistema de pontuação é objetivo: 3 pontos por vitória, 1 por empate e 3 pontos adicionais por cada fase superada na competição continental. Com esse modelo, uma campanha profunda na Libertadores vale muito mais do que um título conquistado por goleadas na fase de grupos e uma sequência de jogos sofridos na fase eliminatória. O Palmeiras lidera o ranking atual com 53 pontos — dois a mais do que o próprio Flamengo, que soma 51. LDU Quito, Racing Club e Estudiantes completam o top 5 da Conmebol.

O cenário é comparável ao sistema de classificação olímpica por ranking: vencer é necessário, mas a consistência ao longo de quatro anos pesa tanto quanto o resultado pontual. Clubes que oscilam entre fases de grupo e quartas de final acumulam menos pontos do que equipes que repetem semifinais e finais, mesmo sem levantar o troféu.

O que o ranking da FIFA significa nos bastidores do Flamengo

Segundo os critérios divulgados pela FIFA, apenas as edições de 2025 a 2028 da Libertadores contam para o ranking da Conmebol. Isso significa que o Flamengo, mesmo já classificado, tem incentivo concreto para manter campanhas sólidas no torneio continental — cada ponto acumulado pode determinar a composição do grupo adversário em 2029 e, consequentemente, o chaveamento nas fases eliminatórias.

Nas palavras do presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Samir Xaud, ao comunicar a candidatura do Brasil para sediar o torneio ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, em junho de 2025, o interesse do país vai além da competição em si: trata-se de aproveitar a infraestrutura da Copa do Mundo de 2014 e do Mundial Feminino de 2027 para posicionar o futebol brasileiro no centro do calendário global. Infantino, segundo relatos da época, se mostrou receptivo à candidatura — e o Brasil hoje é apontado como favorito para sediar o torneio.

Se o Brasil confirmar a sede, o regulamento prevê uma vaga adicional para o país anfitrião, determinada pelo ranking da confederação local. Nesse cenário, um sétimo clube brasileiro poderia se juntar ao Flamengo e aos demais classificados sul-americanos — o que transformaria a Copa do Mundo de Clubes 2029 em algo próximo de um torneio doméstico de alto nível para o futebol nacional.

Cinco adversários já confirmados e o desafio de 2029

O Flamengo não estará sozinho no torneio. Até agora, cinco equipes têm vaga garantida: o PSG, campeão da Champions League 2024/25 com goleada de 5 a 0 sobre a Inter de Milão; o Al-Ahli, da Arábia Saudita, bicampeão asiático ao superar o Kawasaki Frontale em 2025 e o Machida Zelvia em 2026; o Cruz Azul, do México, que goleou o Vancouver Whitecaps por 5 a 0 na final da Concacaf; e o Pyramids FC, do Egito, que bateu o Mamelodi Sundowns por 3 a 2 no agregado da CAF Champions League. O Chelsea, campeão da edição inaugural com vitória por 3 a 0 sobre o PSG na final, ainda aguarda definição da FIFA sobre uma possível vaga automática ao atual campeão.

Planejado.

Essa palavra resume o que diferencia um clube que chega ao Mundial para competir de outro que apenas participa. O Flamengo tem três anos para construir um elenco calibrado para disputar contra PSG, Al-Ahli e os campeões europeus que ainda serão definidos pelas edições de 2026, 2027 e 2028 da Champions League. A premiação do torneio em 2029 deve superar os valores de 2025 — o Fluminense, melhor brasileiro naquela edição, arrecadou R$ 331 milhões. Uma campanha mais longa pelo Rubro-Negro pode render valores substancialmente maiores.

O próximo passo concreto do Flamengo na busca por mais pontos no ranking da Conmebol começa já na Libertadores 2026. Cada vitória, cada fase superada, cada decisão de elenco tomada com o horizonte de 2029 no radar vai compor o projeto que transforma uma vaga garantida em protagonismo real no segundo Mundial de Clubes da história.