A última vez que o Liverpool entrou em Old Trafford sem Mohamed Salah disponível para um jogo de tamanha magnitude, o resultado foi desolador — e os Reds aprenderam a lição de forma amarga. Agora, na 35ª rodada da Premier League 2025/2026, o técnico Arne Slot enfrenta o mesmo dilema com peso ainda maior: uma vitória neste domingo (3) coloca o Liverpool à frente do Manchester United na tabela e abre caminho direto para a próxima Champions League. A ausência do artilheiro egípcio, confirmada pelo próprio Slot em entrevista coletiva, transforma o duelo em uma prova tática que pode definir o futuro europeu de ambos os clubes.
Hoje: o que já é fato
Mohamed Salah está fora do clássico por lesão — confirmação dada pelo técnico Arne Slot antes do treino desta semana. O goleiro Alisson também é tratado como dúvida, o que coloca pressão adicional sobre o setor de defesa. Do lado do Manchester United, comandado por Michael Carrick, o zagueiro Lisandro Martínez cumpre suspensão automática e Matthijs de Ligt segue em recuperação de um problema nas costas. O atacante Matheus Cunha, que desfalcou a equipe recentemente, apresenta evolução física mas ainda não tem presença confirmada.
Na tabela, o United ocupa a terceira posição e precisa de apenas dois pontos nas rodadas finais para matematicamente garantir a vaga na Champions. O Liverpool está três pontos atrás e depende de vitória para ultrapassar os rivais. Trata-se, portanto, de um confronto direto que concentra em 90 minutos meses de trabalho de ambas as comissões técnicas.

"Estamos preparados para jogar de diferentes formas. Temos jogadores capazes de criar e decidir mesmo sem determinadas peças", afirmou Arne Slot, sem revelar detalhes da escalação alternativa.
Esta semana: o que se desdobra
Quando Salah está em campo, ele organiza o ataque pelos movimentos na direita, atraindo marcação e abrindo espaço para Luis Díaz e Darwin Núñez. Quando ele está ausente, o Liverpool perde não só o artilheiro, mas o termômetro ofensivo que regula o ritmo de toda a equipe — o pulmão criativo que conecta meio-campo e ataque nos momentos de pressão alta.
Quando Díaz assume o lado direito, ele tende a inverter a jogada para o pé esquerdo com mais frequência, sobrecarregando o corredor contrário. Quando Núñez joga mais solto no ataque, o Liverpool ganha verticalidade mas perde precisão nos passes finais — estatística que se repete: nos três jogos em que Salah ficou fora nesta temporada, o time marcou apenas dois gols no total.
A análise do SportNavo mostra que, nos últimos 19 confrontos entre as equipes pela Premier League, o Manchester United venceu apenas três vezes — retrospecto que favorece os Reds mesmo diante das ausências. Na temporada passada, o Liverpool venceu em Old Trafford por 3 a 0, em atuação coletiva que não dependeu exclusivamente do egípcio para construir as jogadas decisivas.
"O United de Carrick é diferente do que enfrentamos há 12 meses. Eles têm mais organização defensiva e transição rápida", reconheceu uma fonte próxima à comissão técnica dos Reds, segundo apuração do SportNavo.
Michael Carrick acumula 29 pontos desde que assumiu o comando dos Diabos Vermelhos, sequência que inclui vitórias sobre Arsenal e Tottenham. O United chega ao clássico com estrutura defensiva sólida e confiança crescente — cenário que torna a ausência de Salah ainda mais sensível para os visitantes.
Próximas 4 semanas: o que vai mudar
Se o Liverpool vencer neste domingo, ultrapassa o United e passa a controlar o próprio destino nas três rodadas finais. A equipe de Slot tem sequência menos exigente na reta final — enfrenta Wolverhampton, Everton e Brentford — enquanto o United ainda pega o Chelsea, adversário direto na briga pela Champions.
Em caso de empate ou derrota, o United pode garantir matematicamente sua vaga já na próxima rodada, dependendo dos resultados paralelos. Para o Liverpool, o cenário se complica: seria necessário vencer todos os jogos restantes e torcer por tropeços dos rivais para ainda assim alcançar o top 4.
A situação de Salah também adiciona uma camada institucional ao momento. O atacante de 33 anos, com contrato próximo do fim e especulações sobre destinos na Saudi Pro League e nos Estados Unidos, pode estar vivendo seus últimos jogos com a camisa dos Reds. A ausência em Old Trafford, portanto, não é apenas tática — carrega o peso de uma despedida que ainda não foi oficializada.
O Liverpool volta a campo na próxima quarta-feira, contra o Wolverhampton, em Anfield, em partida que pode definir matematicamente suas chances de Champions — mas que terá impacto muito menor do que o resultado de domingo em Manchester.








