Quatro gols em quatro jogos seguidos. Esse é o número que coloca Luciano, do São Paulo, no centro de um dos debates mais incômodos — e necessários — da pré-Copa do Mundo de 2026: ele merece uma vaga na Seleção Brasileira antes de Neymar? A resposta não cabe em uma linha, mas os dados de 2025 apontam uma direção bastante clara.
O momento presente fala mais alto que o currículo
Neymar encerrou a Copa do Mundo de 2022 com 77 gols pela Seleção Brasileira, apenas dois abaixo do recorde histórico de Pelé, que marcou 77 tentos em 92 jogos oficiais com a amarelinha entre 1957 e 1971. O legado do camisa 10 é inegável. Mas convocações não são homenagens — são decisões técnicas baseadas em forma física e momento de jogo.
O São Paulo de Luciano ocupa o G-4 do Campeonato Brasileiro e venceu os dois confrontos disputados na Copa Sul-Americana nesta temporada. O atacante, nascido em 1994 em Vitória da Conquista (BA), acumula participação direta em gols como protagonista ofensivo do esquema do técnico Luis Zubeldía. Enquanto isso, o Santos de Neymar soma apenas um ponto em seis possíveis na fase de grupos da Sul-Americana e ainda oscila perigosamente na tabela do Brasileiro, com risco real de zona de rebaixamento.
"Luciano está entregando muito mais do que Neymar. Ele seria muito mais útil ao grupo de Carlo Ancelotti do que o camisa 10 do Santos", escreveu colunista do UOL Esporte, sintetizando o sentimento que cresce entre analistas do futebol brasileiro.
Análise tática no esquema de Ancelotti
Carlo Ancelotti historicamente prefere atacantes que se movimentam entre linhas e pressionam a saída de bola adversária — característica presente em nomes como Didier Drogba no Chelsea de 2004-05 e Karim Benzema no Real Madrid campeão da Champions em 2021-22. Luciano se encaixa nesse perfil com maior facilidade do que Neymar no momento atual, pois combina mobilidade, participação no pressing e eficiência na finalização.
Neymar, aos 33 anos, tem insistido em um estilo de jogo que o coloca como condutor de bola desde a sua própria intermediária — movimento que resulta, com frequência preocupante, em perdas de posse por desarmamentos. Conforme levantamento do SportNavo baseado nos jogos do Santos em 2025, o camisa 10 apresenta índice de dribles certos abaixo de 50% nas últimas seis partidas, dado que contrasta com a produtividade ofensiva que Ancelotti exige de seus meias avançados.
"Tem fome de bola, não faz cara feia para gramado sintético e não vive reclamando dos companheiros", descreveu a mesma análise sobre Luciano, traçando um perfil comportamental relevante para um grupo que disputará jogos em estádios dos Estados Unidos, México e Canadá — sedes da Copa de 2026, com previsão de abertura em 11 de junho.
Histórico de Copas e o peso da experiência
Neymar disputou três Copas do Mundo pela Seleção: 2010 (África do Sul, onde o Brasil caiu nas quartas para a Holanda por 2 a 1), 2014 (onde marcou quatro gols antes de se lesionar contra a Colômbia nas quartas) e 2022 (Qatar, onde sofreu torção no tornozelo na estreia e o Brasil foi eliminado nos pênaltis pela Croácia nas quartas de final). Ao todo, são 8 gols em 14 jogos de Copa, média de 0,57 por partida — referência histórica incontestável.
Luciano, por sua vez, nunca vestiu a amarelinha em uma Copa do Mundo. Suas convocações para a Seleção principal foram pontuais e sem continuidade. Essa assimetria de experiência é real e pesa, especialmente considerando que torneios mundiais exigem maturidade sob pressão. A Copa de 2022 mostrou, contudo, que experiência sem forma física resulta em risco: Neymar jogou machucado nas fases finais e o Brasil pagou caro.
A análise exclusiva do SportNavo mostra que, entre os atacantes brasileiros com mais de 10 gols em competições oficiais em 2025, Luciano figura entre os cinco mais eficientes em termos de participações por 90 minutos — dado que reforça a consistência do centroavante são-paulino nesta temporada.
Quem seria mais útil à Seleção em junho
A resposta honesta é: depende do Neymar que embarcará para a Copa. Se for o de 2014 — explosivo, determinante, com capacidade de decidir sozinho —, não há debate. Mas se for o de 2025, que conduz a bola até ser desarmado e cujo clube atravessa uma das piores campanhas de sua história recente, a convocação precisa ser questionada com dados, não com reverência ao passado.
Luciano reúne, agora, três qualidades que Ancelotti valoriza: ritmo de jogo elevado, gols em sequência e ausência de desgaste extracampo. O São Paulo volta a campo pela Sul-Americana na próxima semana, e cada partida é uma nova oportunidade para o atacante ampliar seu argumento perante a comissão técnica da Seleção — que definirá a lista de convocados nos meses que antecedem o torneio com início em 11 de junho de 2026.









