"Entrei sem nada a perder." A frase é de Martin Landaluce, e ela esconde mais do que parece. Quem não tem nada a perder também não carrega o peso que paralisa um tenista no momento em que a bola paira entre o set e o break. O espanhol entrou no Masters 1000 de Roma como lucky-loser — ou seja, foi eliminado no qualifying e só ganhou uma vaga no quadro principal porque outro jogador desistiu. Dois dias depois, estava comemorando uma vitória de 7/5 e 6/4 sobre Hamad Medjedovic, o mesmo sérvio que havia derrubado o carioca João Fonseca na rodada anterior.
Como Landaluce chegou às quartas sem ser esperado por ninguém
Entrar num Masters 1000 como lucky-loser é, tecnicamente, a posição mais ingrata do tênis profissional. Você perdeu. Alguém te ligou de volta. E agora você precisa competir como se não tivesse perdido. Eu entendo esse estado mental de uma forma muito física — lembro de subir para um combate de muay thai no quinto round de um treino pesado, sabendo que o adversário estava fresco porque acabara de ser escalado no lugar de outro. A vantagem psicológica do "não tenho nada a perder" é real, mas dura pouco. Ela dura exatamente até o momento em que você percebe que pode ganhar. Aí o peso volta.
Landaluce não deixou esse peso pousar. Contra Medjedovic, o espanhol manteve consistência nos dois sets, fechando o primeiro em 7/5 com uma quebra no momento certo e o segundo em 6/4 com controle de fundo de quadra. Medjedovic havia chegado ao confronto com o moral elevado depois de eliminar Fonseca, mas o espanhol não lhe deu espaço para ritmar o jogo. Foram parciais limpas, sem tie-break, sem o drama que um lucky-loser normalmente precisa atravessar para sobreviver numa chave deste nível.
O que o placar 7/5 e 6/4 revela sobre o tênis de Landaluce
Existe uma diferença enorme entre vencer por 7/5 num set onde você dominou e vencer por 7/5 num set onde você sobreviveu. Pelo que as estatísticas de quadra mostram, Landaluce operou no primeiro modo: ele foi o jogador que ditou a profundidade das trocas, forçou Medjedovic a responder em posição defensiva e aproveitou os momentos de segunda bola do sérvio para encurtar o ponto. Isso não é tênis de lucky-loser. Isso é tênis de alguém que estava jogando bem antes de entrar no qualifying e que, por alguma razão — um dia ruim, um adversário quente, uma bola que saiu dois centímetros fora — não conseguiu passar pela fase classificatória.
Tecnicamente, o saibro favorece o estilo de Landaluce. A superfície lenta amplia o tempo de reação, permite que um tenista com bom posicionamento de base consiga construir pontos longos sem ser penalizado pela velocidade de saque do adversário. Medjedovic tem um jogo mais explosivo, baseado em variações de ritmo. No saibro do Foro Italico, essa explosividade encontrou uma muralha de consistência.
Decidiu.
No segundo set, com 4/3 e saque para Medjedovic, Landaluce quebrou. Esse foi o ponto de inflexão que transformou um jogo disputado numa vitória administrada. A partir daí, o espanhol sacou para fechar sem sustos.
O que Landaluce enfrenta nas quartas e o que muda no mapa do torneio
Casper Ruud também está nas quartas de final em Roma. O norueguês venceu Lorenzo Musetti, que abandonou a partida por lesão, e chegou à fase com a confiança de quem, segundo ele mesmo declarou à imprensa, está "próximo do seu melhor nível" depois de um período marcado por inconsistências. Ruud lamentou o abandono do italiano, reconhecendo que encarar um adversário com problemas físicos torna a vitória tecnicamente inconclusiva — mas o fato é que ele avançou e está no caminho que pode cruzar com Landaluce dependendo do sorteio das quartas.
"Estou próximo do meu melhor nível", celebrou Ruud após avançar às quartas, reconhecendo ao mesmo tempo o constrangimento de ver Musetti abandonar por lesão.
Do outro lado da chave, Andrey Rublev virou uma partida e agora desafia Jannik Sinner numa das quartas mais aguardadas da semana no Foro Italico. A presença de Rublev e Sinner na mesma metade da chave pode, dependendo dos resultados desta quarta-feira, abrir espaço para que um lucky-loser chegue mais longe do que qualquer projeção inicial indicaria.
Para Landaluce, o desafio imediato é manter a cabeça no mesmo lugar em que estava contra Medjedovic — aquele estado de quem joga sem calcular o que vem depois. Cada vitória que acumula torna isso mais difícil. A pressão que ele não sentia quando entrou no torneio começa a se materializar conforme o quadro encolhe. Nas quartas de final de um Masters 1000, não existe mais o conforto do anonimato.
As quartas de final do Masters 1000 de Roma estão programadas para esta quarta-feira, 13 de maio, no Foro Italico. Se você acompanha o circuito ATP e quer entender como um lucky-loser pode realmente chegar à semifinal, vale gravar o jogo de Landaluce — porque esse tipo de trajetória não aparece com frequência numa chave desta magnitude.








