— Você aceitaria o Chelsea depois do que aconteceu com Maresca e Rosenior?
— Depende do que te dão de poder.
— Aí é outra conversa.

Essa troca hipotética resume com precisão o que está no centro das negociações entre o Chelsea e Xabi Alonso, 44 anos. Segundo o jornal espanhol AS e confirmado pelo portal inglês The Touchline, o técnico fez uma exigência clara à BlueCo, a empresa que controla o clube londrino: controle total sobre o elenco e participação ativa nas decisões esportivas. Sem isso, não há acordo. Com isso, as conversas avançaram.

Chelsea - Manchester City

O que Xabi Alonso pediu e por que o Chelsea aceitou ouvir

A temporada 2025-26 foi uma das mais caóticas da história recente de Stamford Bridge. Enzo Maresca, demitido em 1º de janeiro após 92 jogos — 55 vitórias, 16 empates e 21 derrotas —, deu lugar a Liam Rosenior, que durou apenas 23 partidas antes de ser dispensado em 22 de abril, depois de criticar publicamente o elenco após uma derrota por 3 a 0 para o Brighton. O interino Calum McFarlane assumiu o leme, e o clube termina a Premier League na oitava colocação, com 48 pontos, enquanto disputa a final da Copa da Inglaterra.

Segundo apuração do SportNavo junto a fontes próximas ao clube, a BlueCo entendeu que o erro com Maresca foi justamente não ceder autonomia suficiente ao treinador. Agora, com Alonso, a disposição é diferente. O espanhol está sem clube desde janeiro de 2026, quando deixou o Real Madrid após a derrota na final da Supercopa da Espanha para o Barcelona — seu ciclo no clube madrilenho durou pouco mais de sete meses, com diversas polêmicas internas e jogadores que perderam espaço.

O que Xabi Alonso pediu e por que o Chelsea aceitou ouvir Luis Enrique virou mod
O que Xabi Alonso pediu e por que o Chelsea aceitou ouvir Luis Enrique virou mod
"Os jogadores acreditam que o próximo técnico precisa ser alguém que imponha respeito e saiba controlar os egos", informou The Guardian, descrevendo o perfil buscado pelo elenco do Chelsea.

O modelo PSG e a receita de Luis Enrique que Alonso quer replicar

O paralelo com Luis Enrique não é retórico — é estrutural. Quando o técnico asturiano chegou ao PSG em 2023, herdou um camarim com estrelas acostumadas a ditar regras e um projeto sem coluna vertebral. Ele exigiu as mesmas condições que Alonso pede hoje: poder de veto sobre contratações, hierarquia técnica inegociável e liberdade para reformular o elenco sem interferência do departamento de marketing. O resultado foi uma Champions League conquistada e uma segunda final consecutiva na competição — transformando o PSG de vitrine de egos em máquina coletiva.

Alonso conhece esse manual. No Bayer Leverkusen, entre 2022 e 2024, construiu algo parecido em escala menor: um time que encerrou a hegemonia do Bayern de Munique na Bundesliga após onze títulos seguidos e ainda conquistou a Copa da Alemanha. A diferença agora é o tamanho da obra. O Chelsea tem um elenco de valor de mercado superior a 1 bilhão de euros, com Joao Pedro — 20 gols na temporada, 15 deles na Premier League, e considerado intocável pelo clube — como peça central. Transformar esse contingente em algo coeso exige exatamente o tipo de autoridade que Alonso está reivindicando.

"Alonso parece encaixar nesse perfil, considerando o que conquistou como jogador e o que já mostrou na sua ainda curta carreira como treinador", avaliou o relatório interno reproduzido pelo The Guardian.

Os concorrentes e o prazo que o Chelsea impôs a si mesmo

Alonso é o nome preferido de uma lista que inclui Andoni Iraola, do Bournemouth — que confirmou sua saída ao fim da temporada —, Marco Silva, do Fulham, além de Oliver Glasner e Filipe Luís, estes dois considerados opções secundárias no momento. Iraola e Alonso compartilham a mesma agência, o que facilita o trânsito das negociações. O Liverpool também monitorava Alonso como substituto eventual de Arne Slot, mas os Reds devem renovar a confiança no holandês.

O Chelsea quer fechar o nome do novo técnico antes do início do Mundial de Clubes, em junho. A janela de tempo é curta, o elenco está fragmentado e a oitava colocação na Premier League é o pior resultado do clube em anos recentes. Alonso chega com 44 anos, menos de quatro anos de experiência como treinador e uma derrota política no Real Madrid nas costas — mas também com a certeza de quem sabe o preço exato do poder que precisa ter para trabalhar.