Um dos melhores armadores do mundo abriu mão de representar seu país — e a decisão faz todo o sentido. Luka Doncic anunciou nesta terça-feira (12 de maio) que não defenderá a seleção da Eslovênia nas eliminatórias para o Mundial de Basquete de 2027, priorizando a batalha judicial pela guarda compartilhada de suas duas filhas com a modelo Anamaria Goltes. Os Los Angeles Lakers formalizaram apoio à decisão do atleta.
A batalha que transcende as quadras
O processo tramita simultaneamente em tribunais de Los Angeles e da Eslovênia — uma disputa bifurcada que reflete a própria vida internacional de Doncic. Em Los Angeles, a defesa do jogador tenta invalidar o pedido de Goltes por pensão alimentícia e honorários advocatícios, argumentando que ela reside na Eslovênia e que o processo não pertence à jurisdição americana. Em fevereiro, Doncic acionou a Justiça eslovena pedindo contato imediato com as crianças.
Para conduzir o caso americano, ele contratou Laura Wasser, advogada conhecida em Hollywood como "Disso Queen" — já representou Kim Kardashian, Britney Spears, Angelina Jolie e Johnny Depp. A escolha de Wasser não é casual: ela sinaliza a complexidade e o peso financeiro da disputa.
"Amo minhas filhas mais do que qualquer coisa, e elas sempre virão em primeiro lugar na minha vida. Infelizmente, tem sido extremamente difícil para mim vê-las nos últimos oito meses", declarou Doncic.
O peso estrutural da ausência para a Eslovênia
A Eslovênia tem 2 milhões de habitantes e uma seleção que, nas eliminatórias europeias para o Mundial 2023, chegou às semifinais em grande parte pelo peso individual de Doncic — autor de médias superiores a 27 pontos por jogo nas janelas classificatórias. Sem ele, a equipe perde não apenas pontuação, mas também o ativo de visibilidade que atrai patrocinadores e audiência para o basquete esloveno.
O SportNavo mapeou que transmissões de jogos da Eslovênia com Doncic em campo registraram picos de audiência digital três a quatro vezes superiores às partidas sem ele, segundo dados de plataformas europeias de streaming esportivo. Esse diferencial de engajamento se traduz diretamente em receita para a federação.
"Dei tudo para representar a Eslovênia e me decepciona não estar disponível agora", afirmou o jogador no comunicado oficial.
Quem pode ocupar o espaço de Doncic nas eliminatórias
A federação eslovena terá de reconstruir a espinha dorsal ofensiva da equipe. Klemen Prepelic, ala-armador que atua no Valencia Basket, e Zoran Dragic, veterano de 36 anos com passagem pela NBA, são os nomes mais experientes disponíveis. Nenhum deles se aproxima do impacto gerado por Doncic, que em 2021 levou a Eslovênia ao título do EuroBasket com médias de 24,3 pontos e 10 assistências.
A janela classificatória de verão de 2026 coloca a Eslovênia em grupo com adversários como França e Alemanha — duas potências com elencos completos independentemente de uma única estrela. A matemática classificatória aperta sem Doncic no grupo.

Uma decisão que o mercado entende — mesmo que a federação sofra
Do ponto de vista dos Lakers, apoiar a ausência de Doncic é também uma escolha de gestão de ativo. O jogador assinou extensão contratual que o mantém em Los Angeles até 2029, em um vínculo estimado em mais de 340 milhões de dólares. Franquias da NBA há muito aprenderam que a saúde mental e familiar de um atleta desta magnitude afeta diretamente desempenho e, consequentemente, receita de bilheteria e direitos de transmissão.

As eliminatórias para o Mundial 2027 têm início previsto para agosto de 2026. A Eslovênia enfrenta a primeira janela sem seu maior nome desde a chegada de Doncic ao estrelato internacional — e o placar final desse processo judicial ainda está em aberto.










