O ar da tarde em Rijeka cheirava a sal e a tensão acumulada. No Stadion HNK Rijeka, com a torcida croata tentando empurrar o time, as arquibancadas vibravam como se fosse mata-mata — mas o resultado final falou mais alto do que qualquer canto. A Bélgica venceu a Croácia por 2 a 0, nesta terça-feira (2/6), num amistoso preparatório que funcionou como um aviso ao mundo: os dois carrascos do Brasil ainda estão de pé, e com fome.
Gols de Youri Tielemans, aos 38 minutos do primeiro tempo, e de Romelu Lukaku, nos acréscimos do segundo, garantiram o placar limpo para os belgas. A Croácia, mesmo em casa, finalizou apenas duas vezes na etapa inicial — uma estatística que diz muito sobre o desequilíbrio tático do duelo.
O vestiário belga antes do apito e o que Doku carregou em campo
Bastidores de um amistoso raramente transpiram drama. Mas havia algo diferente no corredor que levava ao gramado de Rijeka. A Bélgica entrou em campo com a postura de quem não precisa provar nada — e foi exatamente isso que a tornou perigosa. Jeremy Doku, craque do Manchester City, foi o principal protagonista ofensivo antes de o placar ser aberto: ele arrancou pela esquerda com aquela velocidade que paralisa zagueiros, cruzou rasteiro na área e, após bate-rebate, a bola sobrou para Tielemans bater de canhota no cantinho de Livakovic.
A cena lembrava, em ritmo e intensidade, o caos organizado de uma avenida paulistana às 18h — tudo acontecendo ao mesmo tempo, mas com uma lógica invisível que só os iniciados conseguem enxergar. A Bélgica não brilhou com futebol de gala, mas foi eficiente, compacta e letal quando teve a chance.
"A equipe mostrou maturidade. Não precisamos de espetáculo, precisamos de resultado", disse o técnico belga, segundo o portal Terra, sintetizando o espírito da noite em Rijeka.
A Croácia que travessão salvou e o fantasma de 2022 que não some
Para quem eliminou o Brasil nos pênaltis no Catar, a Croácia de Zlatko Dalic apresentou uma versão abaixo do esperado. O goleiro Thibaut Courtois, do Real Madrid, mal precisou se esticar no primeiro tempo. A melhor chance croata veio aos 15 minutos da etapa complementar: Budimir recebeu cruzamento da esquerda completamente livre e tentou cabecear no ângulo — a bola explodiu no travessão. O barulho metálico soou como um epitáfio para as pretensões da casa.
Pasalic ainda tentou de fora da área nos minutos finais, mas mandou à direita de Courtois sem sustos. E quando Lukaku recebeu em profundidade aos 45+5' e bateu forte de canhota para fazer 2 a 0, o silêncio das arquibancadas croatas tinha um peso específico: o de uma equipe que ainda busca o ritmo certo antes de estrear na Copa contra a Inglaterra, no dia 17 de junho, no AT&T Stadium, em Arlington, no Texas.
"Precisamos melhorar antes da estreia. Hoje não foi o nosso melhor futebol", reconheceu o técnico Zlatko Dalic em entrevista após o jogo, conforme registrado pelo SportNavo.
O que Bélgica e Croácia revelam sobre o Brasil na Copa do Mundo 2026
Kazan, 2018. Lusail, 2022. Duas noites que ainda doem em qualquer torcedor que tenha acompanhado a Seleção Brasileira com o coração na garganta. A Bélgica eliminou o Brasil por 2 a 1 nas quartas de final da Rússia; quatro anos depois, a Croácia despachou os brasileiros nos pênaltis, por 4 a 2, depois de um empate em 1 a 1 no tempo regulamentar e na prorrogação. Dois traumas. Dois adversários que seguem competitivos.
A Bélgica, inserida no Grupo G ao lado de Egito, Irã e Nova Zelândia, chega à Copa com uma geração que mistura experiência e fome. Courtois no gol, Doku pela ponta, Lukaku na área — o esqueleto segue reconhecível. Antes da estreia contra os egípcios, no dia 15 de junho, no Lumen Field, em Seattle, os belgas ainda enfrentam a Tunísia em Bruxelas, no sábado (6/6). A Croácia, por sua vez, ainda tem um amistoso contra a Eslovênia no domingo (7/6) antes de cruzar com a Inglaterra no Texas.
O Brasil está no Grupo C e, matematicamente, só cruzaria com belgas ou croatas em fases eliminatórias. Mas o amistoso desta terça em Rijeka funcionou como um lembrete: a história não perdoa quem subestima adversários com memória. Em 17 de junho, quando a Croácia encarar a Inglaterra no AT&T Stadium, saberemos se o time de Dalic ainda tem pernas para ir longe — e se o pesadelo brasileiro de 2022 tem mesmo ficado no passado.










