O Macará não deu espaço para o Alianza Atlético na noite desta sexta-feira e construiu uma vitória sólida por 2 a 0 no Estadio Miguel Grau del Callao, em Callao, pela terceira rodada da fase regular da Copa Sudamericana 2026. Franco Posse, com assistência de Mateo Viera, abriu o placar logo aos quatro minutos, e Matías Miranda, servido pelo próprio Posse, fechou a conta aos 34 da primeira etapa. O resultado consolida a campanha do clube equatoriano na competição continental.
Um gol precoce que definiu o roteiro do jogo
Raramente uma partida de mata-mata sul-americano se define tão cedo, mas o Macará soube impor seu ritmo desde o apito inicial. Aos 4 minutos, Mateo Viera conduziu a bola pela direita e encontrou Franco Posse em posição privilegiada dentro da área. O meia argentino, com categoria, bateu de pé direito e inaugurou o marcador. Era o início da noite perfeita do visitante no velho estádio que homenageia o herói naval peruano Miguel Grau — casa histórica do futebol do Callao, erguida em 1966 e palco de inúmeras batalhas continentais ao longo de seis décadas.
O Alianza Atlético, pressionado pela torcida a reagir, não conseguiu organizar uma resposta consistente. A equipe peruana tentou sair em transição, mas encontrou um bloco médio equatoriano bem posicionado, que cortava as linhas de passe com eficiência. A tentativa de equilibrar as ações durou pouco. Aos 34 minutos, Franco Posse devolveu a assistência que havia recebido no primeiro gol — desta vez como garçom — e lançou Matías Miranda em profundidade. O atacante recebeu na esquerda, ajeitou o corpo e bateu cruzado com o pé esquerdo, sem chances para o goleiro adversário. 2 a 0 e jogo encaminhado antes do intervalo.
A dupla Posse-Miranda e o padrão tático do Macará
A atuação do Macará nesta quinta-feira foi um exercício de objetividade. Na avaliação do SportNavo, o clube de Ambato apresentou um esquema compacto no setor defensivo e letal nas transições ofensivas — característica que remete às grandes campanhas do futebol equatoriano na Sudamericana, como a do Deportivo Cuenca nos anos 2000. A troca de assistências entre Posse e Miranda não foi casual: os dois construíram uma cumplicidade tática evidente ao longo dos 34 minutos iniciais, alternando as funções de finalizador e armador com naturalidade.
Franco Posse foi, sem dúvida — e aqui o rigor da análise exige o registro — o grande nome do confronto. Participou diretamente dos dois gols, seja finalizando com precisão no primeiro, seja encontrando Miranda com um passe milimétrico no segundo. É o tipo de atleta que define partidas em competições continentais sem fazer alarde, mas com consistência técnica admirável. Matías Miranda, por sua vez, demonstrou frieza de artilheiro veterano ao converter com o pé esquerdo em uma das melhores jogadas da noite.
Substituições e o cartão que marcou o segundo tempo
Com o resultado controlado, o intervalo trouxe a primeira movimentação de Alianza Atlético. Logo no início do segundo tempo, Guillermo Larios cedeu lugar a Jorge del Castillo — indicativo de que o técnico peruano buscava mais criatividade para desmontar o bloco equatoriano. A iniciativa, contudo, não alterou o panorama da partida. O Macará seguiu seguro, administrando a vantagem com posse de bola e pressing seletivo.
Aos 55 minutos, Anthony Gordillo recebeu cartão amarelo, numa falta que evidenciou o desgaste emocional do time da casa diante da incapacidade de perfurar a defesa adversária. Sete minutos depois, aos 62, o Alianza promoveu três mudanças simultâneas — saíram Jesús Alexander Mendieta Rojas, Cristian Penilla e S. Quiroga, e entraram Anthony Gordillo, Jimmy Pérez e Franchesco Flores. Curiosamente, Gordillo entrou em campo como substituto após ter levado o cartão amarelo ainda como jogador em campo — sinal de que o técnico viu nele potencial para o segundo tempo apesar da advertência. As alterações deram algum frescor ao Alianza, mas não foram suficientes para ameaçar o goleiro do Macará.
O que este resultado significa na tabela e o caminho à frente
Com esta vitória na terceira rodada da fase regular, o Macará somou pontos importantes para consolidar sua posição no grupo da Copa Sudamericana 2026. O clube equatoriano demonstra que sua participação na competição não é de figurante — há uma estrutura tática coesa e jogadores capazes de decidir em alto nível. O histórico do futebol equatoriano na Sudamericana tem crescido progressivamente desde que a LDU conquistou o torneio em 2009, e clubes como o Macará têm parte nessa evolução cultural do futebol andino.
O Alianza Atlético, do outro lado, vive uma situação delicada. Levar dois gols em casa — e ambos ainda no primeiro tempo — fragiliza a posição do clube peruano no grupo e exige uma reação imediata nas próximas rodadas. Conforme apurado pelo SportNavo, os times peruanos têm encontrado dificuldades históricas para se impor em fases de grupos de competições continentais desde os anos de maior expressão do Universitario e do Alianza Lima na Libertadores dos anos 1970 e 80. Reverter esse quadro demanda consistência que a equipe ainda não demonstrou nesta edição. Na próxima rodada, o Macará terá a chance de ampliar ainda mais a vantagem e praticamente assegurar sua classificação, enquanto o Alianza precisará somar pontos fora de casa para permanecer vivo na disputa.










