Oito vitórias em 12 confrontos. Este é o aproveitamento do Fluminense contra equipes argentinas no Maracanã pela Copa Libertadores, um índice de 75% que representa uma das maiores fortalezas do clube carioca na competição continental. Após dois anos longe do estádio na disputa da principal competição sul-americana, o Tricolor retorna ao seu templo sagrado em busca de repetir a fórmula que o levou ao título em 2023.
Fortaleza histórica contra hermanos
Os números revelam a dimensão da vantagem tricolor quando atua em casa contra rivais argentinos. Desde 1999, quando enfrentou o Estudiantes pela primeira vez no Maracanã na Libertadores, o Fluminense construiu um histórico impressionante. Das 12 partidas disputadas no estádio contra equipes da Argentina, foram oito triunfos, dois empates e apenas duas derrotas.
Entre os momentos mais marcantes desta trajetória, destaca-se a vitória por 3 a 1 sobre o Boca Juniors em 2012, quando Thiago Neves marcou dois gols e conduziu uma das maiores atuações da era moderna tricolor na competição. Três anos depois, foi a vez do Racing sofrer com a força da casa: 2 a 0 no placar, com gols de Cícero e Gum que garantiram a classificação às oitavas de final.
O retrospecto ganha ainda mais relevância quando analisado sob a perspectiva do último título continental. Na campanha de 2023, o Fluminense não enfrentou equipes argentinas no Maracanã, mas utilizou outros estádios como fortaleza. O retorno ao seu palco principal representa uma oportunidade de potencializar ainda mais o aproveitamento contra os rivais platinos.
Impacto da torcida nos momentos decisivos
A atmosfera única do Maracanã tem se mostrado fator determinante nos confrontos mais importantes. Em 2008, diante do Estudiantes, mais de 60 mil torcedores presenciaram uma virada épica: perdendo por 1 a 0, o Tricolor buscou o empate com Washington e garantiu a classificação pelo critério de gols fora de casa.
Fred, maior artilheiro da história do clube, vivenciou essa força em primeira pessoa durante sua primeira passagem pelo Fluminense. Em declaração de 2012, o atacante destacou:
"O Maracanã lotado é nossa 12ª jogadora. Contra os argentinos, isso fica ainda mais evidente, porque eles sentem o peso da nossa torcida". O centroavante marcou quatro gols em seis jogos contra equipes argentinas no estádio.
A estatística de público também impressiona: a média de 45 mil espectadores nos confrontos contra argentinos supera em 15% a média geral do Fluminense no Maracanã em jogos da Libertadores. Este dado comprova o interesse especial da torcida tricolor pelos duelos contra os rivais platinos.
Análise tática do aproveitamento
Do ponto de vista tático, o Fluminense historicamente adota estratégias mais ofensivas quando enfrenta argentinos em casa. A média de 2,1 gols marcados por partida contra 1,3 sofridos demonstra a eficácia do modelo propositivo adotado pelos diferentes treinadores que comandaram o clube nestes confrontos.
Abel Braga, técnico campeão da Libertadores de 2008, implementou um padrão que se tornou referência: pressão alta no primeiro tempo para aproveitar o fator casa e controle de jogo na segunda etapa. Esta metodologia resultou em 67% dos gols tricolores marcados na primeira metade dos confrontos contra equipes argentinas no Maracanã.
Fernando Diniz, responsável pela conquista de 2023, herdou esta tradição e a adaptou ao seu estilo de jogo. Durante entrevista coletiva no ano passado, o treinador explicou:
"O Maracanã nos permite jogar com mais liberdade criativa. Contra os argentinos, que costumam ser mais defensivos fora de casa, essa vantagem se torna ainda maior".

Perspectivas para nova campanha
O retorno ao Maracanã na Libertadores 2025 coincide com um momento de renovação do elenco tricolor. Com a manutenção de peças-chave como Germán Cano e a chegada de novos reforços, o clube busca replicar o sucesso de 2023 utilizando sua fortaleza histórica como ponto de partida.
A primeira oportunidade de testar novamente esta vantagem estatística pode surgir já na fase de grupos, caso o sorteio coloque uma equipe argentina no caminho tricolor. River Plate, Boca Juniors e Racing aparecem entre os possíveis adversários, todos com histórico de confrontos anteriores no estádio carioca.
O Fluminense estreia na fase de grupos da Libertadores 2025 no dia 19 de fevereiro, com adversário e local ainda a serem definidos pelo sorteio desta quinta-feira, em Luque, no Paraguai. A expectativa é que o primeiro jogo no Maracanã pela competição aconteça entre março e abril, retomando uma tradição vitoriosa que pode ser decisiva na busca pelo bicampeonato continental.

