"O clube buscaria reforços no mercado interno e também no exterior para a sequência da temporada." A frase saiu da boca do presidente Cristiano Dresch logo após o empate do Cuiabá diante do Novorizontino, na Arena Pantanal, e soava como um diagnóstico público de urgência. Poucas semanas depois, o Dourado foi ao mercado japonês e trouxe de volta ao Brasil um nome que o futebol nacional não via desde 2019: Marcos Júnior, revelado pelo Fluminense, 33 anos, 455 partidas na carreira, 84 gols e 41 assistências acumuladas em duas décadas de profissão.
O pior ataque da Série B e a pressão que empurrou Dresch ao exterior
Os números do Cuiabá na Série B de 2026 são constrangedores para qualquer análise ofensiva: quatro gols em nove rodadas, o pior desempenho entre todos os 20 clubes da competição. Com 10 pontos e na 16ª colocação, o Dourado convive com o risco real de zona de rebaixamento caso a produção ofensiva não melhore nas próximas semanas. O elenco comandado pelo técnico Eduardo Barros conta com nomes como Rodrigo Rodrigues, Hernandes, Eliel, Vinicius Peixoto, Victor Barbara e Kauan Cristtyan no setor — mas nenhum deles conseguiu criar consistência ou volume de gols suficiente para aliviar a pressão sobre a diretoria.
A estratégia desenhada por Dresch para a janela seguiu três trilhos simultâneos: jogadores com pouca minutagem nas principais divisões do país, atletas em destaque nas divisões inferiores e nomes em reta final de contrato no exterior. Marcos Júnior se encaixou na terceira categoria: encerrou seu vínculo com o Sanfrecce Hiroshima ao fim da temporada japonesa de 2025 e ficou livre para negociar sem custo de transferência — condição que, segundo apuração do SportNavo, foi determinante para viabilizar a operação dentro do orçamento restrito do clube mato-grossense.
455 jogos, títulos no Japão e o que Marcos Júnior traz de bagagem para Cuiabá
Quem não tem cão caça com gato — e o Cuiabá, sem dinheiro para disputar atacantes da elite do Brasileirão, apostou em um perfil que o mercado europeu e sul-americano havia ignorado: um brasileiro experiente, tecnicamente refinado pelo futebol japonês, disponível a custo zero. Marcos Júnior foi destaque da Copinha de 2012 e integrou o grupo campeão brasileiro do Fluminense naquele mesmo ano, ao lado de Fred, Deco, Thiago Neves e Rafael Sóbis. Entre 2015 e 2018, somou mais de 240 partidas pelo Tricolor das Laranjeiras antes de aceitar a proposta do Yokohama F. Marinos em 2019.
No Japão, a carreira ganhou uma segunda vida. Já na primeira temporada pelo Yokohama, marcou 15 gols e foi peça decisiva na conquista da J1 League. Em 2020, manteve o nível com 13 gols. Depois migrou para o Sanfrecce Hiroshima, onde completou três temporadas e acumulou mais títulos: J.League Cup e Supercopa do Japão. O futebol japonês moldou um jogador de movimentação inteligente, leitura coletiva apurada e capacidade de atuar em diferentes posições no setor ofensivo — características que Eduardo Barros precisará explorar desde o início, dado o calendário comprimido da Série B.
O que muda no mapa ofensivo do Cuiabá nas próximas rodadas
A apresentação de Marcos Júnior ao clube mato-grossense ainda depende de exames médicos, mas a expectativa interna é de que o atacante esteja regularizado e disponível em breve. O primeiro desafio imediato do Cuiabá após o anúncio é o confronto desta sexta-feira (22) contra o Náutico, às 18h (horário de MT), no Estádio dos Aflitos, em Recife — partida em que o reforço ainda não deve aparecer, mas que já serve de termômetro para medir o quanto o setor ofensivo precisa evoluir.
A grande incógnita é o tempo de adaptação. Marcos Júnior ficou sete temporadas longe do futebol brasileiro, e a Série B de 2026 apresenta dinâmica física e tática bastante diferente da J1 League. O ritmo de jogo, a intensidade dos duelos e as características dos adversários exigirão um período de ajuste que o Cuiabá não tem o luxo de esperar por muito tempo — a cada rodada sem gols, a distância para a zona de acesso cresce e a pressão sobre o Z-4 aumenta. O calendário da Série B prevê confrontos decisivos já nas próximas três semanas, e o técnico Eduardo Barros precisará decidir rapidamente se o veterano entra como titular ou como opção de impacto no segundo tempo.
Para o torcedor cuiabano, o jogo do próximo fim de semana já vale atenção redobrada: será a primeira oportunidade de avaliar se a chegada de Marcos Júnior muda de fato o comportamento ofensivo da equipe ou se o problema vai além de um nome no elenco.










