O Flamengo precisa de um centroavante justamente quando seu principal alvo não quer sair. Esse é o paradoxo que a diretoria rubro-negra precisa resolver antes que a temporada escape entre os dedos.
A lesão de Pedro e o buraco que ninguém consegue tapar
Quando Pedro voltou a sentir o joelho e foi novamente afastado dos gramados, o efeito imediato foi expor uma fragilidade estrutural do elenco. Juninho, contratado junto ao Qarabag no início do ano exatamente para cobrir essa lacuna, disputou 22 dos 39 jogos do Flamengo na temporada, foi titular em apenas sete e marcou três gols — números que não convencem nem o mais otimista dos torcedores. No Mundial de Clubes, o atacante entrou por alguns minutos no empate de 1 a 1 com o Los Angeles FC, partida em que o time já estava classificado e praticamente escalou reservas. A mensagem do campo foi clara: o substituto imediato do camisa 9 não existe no elenco atual.
Michael, a outra opção de área no grupo, está na porta de saída. O UOL apurou que o atacante está próximo de acertar com o Al-Ula, da segunda divisão saudita, por cerca de 3 milhões de dólares — aproximadamente R$ 15 milhões na cotação atual. A negociação travou antes por questões financeiras com o Santos, mas agora avança com o clube árabe. Com 29 partidas em 2025, dois gols e quatro assistências, Michael perdeu espaço progressivamente no segundo semestre e o Flamengo não criou obstáculos para a saída. Serão ao menos quatro atacantes que deixaram o elenco neste ciclo: Matheus Cunha, Juninho, Wallace Yan — em negociação avançada com o Red Bull Bragantino — e agora Michael.
Por que Marcos Leonardo é um alvo tão difícil quanto atraente
O nome que surgiu como solução ideal foi Marcos Leonardo, 22 anos, avaliado em 18 milhões de euros — R$ 111 milhões na conversão atual. A informação, levantada pelo jornalista Fabrício Lopes, do jornal O Dia, encontra respaldo nos números do atacante no Al-Hilal, onde vive fase consistente, com alta minutagem e gols regulares. Antes da Arábia Saudita, o centroavante passou pelo Benfica e deixou boas impressões no futebol europeu, o que alimenta uma fila de interessantes do Velho Continente que o Flamengo precisaria furar.
O contrato de Marcos Leonardo com o Al-Hilal vai até 2029. Isso significa que qualquer negociação passa obrigatoriamente pelo clube saudita, que não tem nenhuma pressão financeira para vender. O salário do atacante gira em torno de R$ 2,7 milhões mensais — seria injusto chamar isso de salário europeu, mas é uma escala salarial que poucos clubes brasileiros conseguem replicar sem comprometer o orçamento inteiro da folha de pagamento. O Flamengo precisaria não apenas pagar os 18 milhões de euros de valor de mercado, mas também igualar ou superar o pacote salarial atual. Financeiramente, a diretoria rubro-negra sinalizou que o valor de compra está dentro dos parâmetros aceitáveis — o problema é o salário mensal, que transforma a operação em uma das mais caras da história recente do clube.
Quem realmente ganha com a dificuldade de contratar Marcos Leonardo?
Anderson Talisca entra no radar como alternativa de custo zero
A resposta está em Anderson Talisca. O atacante do Fenerbahçe tem contrato encerrando em junho de 2026, o que permite ao Flamengo iniciar negociações imediatas sem pagar nenhuma taxa de transferência ao clube turco. Segundo apuração do Somos Fanáticos, Talisca está disposto a jogar no Rio de Janeiro — diferentemente de Marcos Leonardo, que não demonstrou qualquer movimento nessa direção. O técnico Leonardo Jardim, que substituiu Filipe Luís no início de março após a demissão do ex-lateral, teria aprovação interna pelos dois perfis de atacante, mas a equação financeira pesa cada vez mais a favor do jogador que chega sem custo de aquisição.
O SportNavo mapeou as movimentações do mercado rubro-negro e identificou um padrão claro neste janela: o Flamengo está enxugando o elenco ofensivo por fora — Juninho, Michael, Wallace Yan — enquanto busca uma peça de maior impacto para o centro do ataque. A lógica é liberar massa salarial para viabilizar um nome de peso, seja Marcos Leonardo ou Talisca. A diferença entre os dois cenários é de aproximadamente R$ 111 milhões na taxa de transferência.
Luiz Araújo na vitrine e o efeito cascata no setor ofensivo
Enquanto o clube busca reforços, o mercado árabe também monitora quem já está no Ninho do Urubu. O nome de Luiz Araújo surgiu no radar de clubes da Arábia Saudita após a Liga Saudita indicar o camisa 7 às equipes locais, segundo o portal Paparazzo Rubro-Negro. Sondagens da Rússia e da Turquia também chegaram ao estafe do jogador. Até o momento, nenhuma proposta oficial aterrissou no Flamengo, e Luiz Araújo participou normalmente do jogo contra o Grêmio no último domingo, entrando no segundo tempo da vitória em Porto Alegre. Com Leonardo Jardim, o pernambucano ganhou uma sobrevida que o mantém no grupo, mas o interesse externo é real e pode se materializar dependendo do valor oferecido.
Se Luiz Araújo sair, o buraco no setor ofensivo fica ainda maior — e a pressão por Marcos Leonardo ou Talisca aumenta proporcionalmente. O Flamengo volta a campo na quinta-feira, dia 14, contra o Vitória, às 21h30 em Salvador, pelo jogo de volta da Copa do Brasil. Com Pedro fora, Juninho como único centroavante de referência disponível e as negociações de reforço ainda sem desfecho, Leonardo Jardim precisará encontrar soluções dentro do elenco que já tem — pelo menos por mais alguns dias.










