Cento e vinte jogos. Todos pelo mesmo clube. Todos na Liga dos Campeões. Na vitória parisiense sobre o Bayern de Munique pelas semifinais da edição 2024/25, Marquinhos igualou Roberto Carlos como o brasileiro com mais partidas na história do torneio — e está a 90 minutos de superar sozinho o lendário lateral pentacampeão mundial.
Da Roma ao Parc des Princes — uma construção silenciosa
O PSG desembolsou 31,4 milhões de euros em 2013 para trazer um adolescente que havia se destacado pela Roma com apenas 19 anos. A contratação parecia audaciosa para um zagueiro tão jovem, mas o clube parisiense identificou atributos específicos: capacidade de sair jogando sob pressão, leitura de linhas de pressão adversária e vocação para atuar como pivô da saída de bola.
Nos primeiros anos, Marquinhos oscilou entre a zaga central e o meio-campo defensivo, dependendo do esquema do técnico da época. Essa versatilidade não foi acidente — foi parte de uma adaptação tática que moldou o jogador completo que se tornaria capitão do clube.
O perfil técnico que define o recordista
A análise do levantamento do SportNavo sobre os 120 jogos de Marquinhos na Champions revela padrões consistentes: alta taxa de acerto em passes curtos sob pressão, capacidade de cobrir espaços entre linhas e eficiência nas transições defensivas após perda de posse. Esses atributos o diferenciam de zagueiros que operam apenas de forma reativa.

Nos 519 jogos totais pelo PSG em todas as competições, Marquinhos acumula 43 gols e 12 assistências — números expressivos para um defensor central. Isso reflete sua participação ativa em bolas paradas e em coberturas de linha de pressão alta quando o time avança.
- 120 jogos na Champions League — todos pelo PSG
- 519 partidas totais pelo clube parisiense
- 43 gols e 12 assistências registrados na trajetória pelo PSG
- 25º jogador com mais jogos na história da Champions — Cristiano Ronaldo lidera com 183
A capitania e o título que fechou um ciclo
Ser capitão do PSG na conquista da Liga dos Campeões 2024/25 não é detalhe protocolar. Num clube que operou por mais de uma década contratando as maiores estrelas do futebol mundial — de Neymar a Mbappé —, um zagueiro brasileiro emergindo como líder inconteste do vestiário representa uma inversão estrutural do poder interno.
"Marquinhos é o tipo de jogador que você constrói um clube ao redor", disse o técnico do PSG em entrevista após a classificação para a final da Champions.
A comparação com Roberto Carlos vai além do número de partidas. O lateral brasileiro atuou pelo Real Madrid em um período em que a Champions era dominada por dois ou três clubes com poder financeiro e técnico concentrado. Marquinhos operou num ambiente diferente: o PSG tentou vencer o torneio com investimento massivo durante anos, e foi justamente quando o clube construiu uma identidade coletiva — com Marquinhos como símbolo — que o troféu veio.
Um passo para a história definitiva
O segundo jogo contra o Bayern de Munique, pela semifinal da Champions, dará a Marquinhos a chance de se tornar isoladamente o brasileiro com mais partidas na história do torneio. Com 121 jogos, ele passará à frente de Roberto Carlos de forma definitiva no ranking geral — onde ocupa atualmente a 25ª posição, ainda distante dos 183 de Cristiano Ronaldo, mas numa trajetória que ainda pode avançar.
"Cada jogo na Champions é especial. Mas quando você veste a faixa de capitão e sabe que pode fazer história pelo seu país, a responsabilidade é outra", declarou Marquinhos em entrevista à imprensa francesa após a vitória sobre o Bayern.
O segundo confronto entre PSG e Bayern de Munique, valendo a vaga na final da Liga dos Campeões, está programado para a próxima semana em Munique. Uma vitória parisiense colocaria Marquinhos na final com 121 partidas no torneio — e com a possibilidade de erguê-lo como o maior brasileiro da Champions em todos os sentidos.












