Cinco minutos. Foi o tempo que Martinelli aguentou em campo na partida contra o Operário antes de ser retirado com dores na coxa esquerda. Os exames de ressonância realizados no sábado, 23 de abril, confirmaram o pior: edema muscular de grau 3 no retofemoral anterior, uma das lesões mais delicadas que um volante pode sofrer, com previsão de recuperação entre seis e oito semanas. O Fluminense perde, de uma só vez, um dos jogadores mais importantes do seu meio-campo no momento mais exigente da temporada.
O diagnóstico e o que ele significa
O comunicado oficial do clube foi direto ao ponto:
"Os exames de ressonância realizados pelo volante Martinelli, no sábado (23/04), detectaram um edema de grau 3 no retofemoral anterior da coxa esquerda. O jogador já iniciou o tratamento no CT Carlos Castilho e tem previsão de retorno às atividades de campo entre seis a oito semanas."O grau 3 numa lesão muscular representa ruptura parcial significativa das fibras — não é a ruptura total, o grau 4, mas está longe de ser simples. Historicamente, esse tipo de trauma em volantes costuma consumir o tempo máximo da estimativa médica, não o mínimo. Com oito semanas de afastamento, Martinelli só retorna às atividades de campo próximo à pausa para a Copa do Mundo, o que na prática significa que o Fluminense disputará a reta crucial do Brasileirão e ao menos dois ou três jogos da Copa do Brasil sem o jogador.
Os jogos que o Tricolor perderá sem seu volante
O calendário do futebol brasileiro neste período é implacável. O Brasileirão acumula rodadas semanais e a Copa do Brasil exige jogos de mata-mata que não permitem improvisos. Para dimensionar o tamanho do rombo, basta observar que o Fluminense de Fernando Diniz, no segundo semestre de 2023, perdeu Alexsander por lesão muscular em fase decisiva e precisou de cinco rodadas para reencontrar equilíbrio no setor — acabou oscilando entre vitórias e tropeços pontuais até a recuperação do jogador. A situação atual guarda paralelos incômodos com aquele momento. A diferença é que o elenco de hoje chega ao desfalque com Germán Cano, Lucho Acosta, Matheus Reis e Nonato também no departamento médico, o que reduz a margem de manobra de Mano Menezes a praticamente zero.
As opções que Mano Menezes tem — e suas limitações
Segundo apuração do SportNavo, os nomes que devem ganhar espaço imediato no meio-campo tricolor são Bernal, Alisson, Otávio e Hércules. Cada um carrega perfil distinto. Bernal é o mais próximo de Martinelli no que diz respeito à capacidade de distribuição e cobertura em duas fases, mas tem histórico de irregularidade física ao longo das temporadas — em 2024, não conseguiu manter sequência superior a cinco jogos consecutivos sem desgaste visível. Hércules é uma opção de maior intensidade física, mais adequada para cobrir espaços em transição rápida, mas perde em qualidade de passe. Otávio agrega experiência e leitura de jogo, tendo acumulado mais de 200 partidas por Fluminense e Porto ao longo da carreira, mas opera melhor como segundo volante do que como pivô da construção. Alisson, por sua vez, tem características mais ofensivas, o que pode desequilibrar o setor defensivo caso seja escalado na vaga de Martinelli sem as devidas compensações táticas.

A análise do SportNavo sobre o padrão de jogo do Fluminense sob Mano Menezes mostra que a equipe tem operado com um meio-campo de dois volantes de perfil mais compacto, priorizando a cobertura de espaços e a saída de bola organizada. Martinelli cumpria as duas funções. Substituí-lo por um jogador de perfil unilateral obrigará o treinador a rearranjar a dupla de meio-campo inteira — e não apenas preencher uma vaga.

O peso histórico de lesões no setor e o que Mano precisa resolver
A história do futebol brasileiro oferece exemplos concretos do custo que lesões de volantes impõem a equipes em fase decisiva. O Corinthians de 2012, ao perder Rômulo por lesão muscular na coxa em agosto daquele ano, viu a equipe de Tite reconfigurar o meio-campo com Paulinho e Danilo jogando mais juntos, atraindo maior pressão defensiva ao setor. O time manteve rendimento, mas exigiu do treinador uma leitura cirúrgica das limitações do elenco. A comparação não é perfeita — o contexto é outro —, mas o princípio tático é o mesmo: a ausência de um volante completo raramente é resolvida apenas com uma substituição direta. Ela demanda ajuste de toda a arquitetura da equipe.
Mano Menezes tem no currículo passagens por Corinthians, Seleção Brasileira, Cruzeiro e Internacional, clubes nos quais enfrentou situações de desfalques múltiplos e precisou reorganizar setores inteiros do elenco. A questão é que, desta vez, o acúmulo de lesionados no Fluminense — cinco atletas relevantes fora ao mesmo tempo — comprime as alternativas a um ponto incomum. A próxima partida do Tricolor pelo Brasileirão será o exame mais imediato dessa capacidade de adaptação.









