A última vez que o Fluminense entrou em campo no Maracanã precisando de uma vitória para sobreviver na Libertadores com esse grau de dependência externa foi na edição de 2008, quando o Tricolor caiu na fase de grupos com um ponto a menos do que o necessário. Dezoito anos depois, o roteiro volta com intensidade semelhante — mas desta vez com um detalhe que muda a equação: Martinelli está de volta.
O cenário que o Fluminense precisa construir esta noite
A matemática é crua. O Tricolor precisa vencer o Deportivo La Guaira, adversário venezuelano que chega ao Rio sem pressão de classificação, e ainda torcer por um tropeço do Bolívar diante do Independiente Rivadavia. Dois resultados simultâneos, nenhum sob controle do clube. Quem acompanhou o Milan de 1993 ou o Barcelona de 2000 sabe que essa condição — vencer e esperar — cria uma tensão particular no vestiário, porque a equipe precisa jogar com urgência sem deixar o desespero contaminar a estrutura tática.
Luis Zubeldía definiu a escalação: Fábio; Guga, Jemmes, Freytes e Arana; Martinelli, Hércules, Acosta; Savarino, Canobbio e John Kennedy. É uma formação que prioriza equilíbrio entre construção e pressing, com Lucho Acosta como pivô criativo e Savarino e Canobbio dando amplitude nas pontas. A ausência de Ganso — que informou à diretoria o interesse de outro clube em sua contratação na próxima janela — retira do time uma opção de jogo posicional, mas abre espaço para um futebol mais vertical.
Martinelli e o peso de um volante que organiza sem aparecer
Há jogadores que somem das estatísticas e aparecem no jogo. Martinelli é exatamente esse tipo. O volante retornou aos treinos integrais na segunda-feira (25) e foi liberado pelo departamento médico na véspera da partida, com a presença sendo tratada como incerta até as últimas horas. Zubeldía, que conhece bem o perfil do jogador, não hesitou em escalá-lo como titular.
Para entender o que Martinelli representa, basta pensar no que foi Makelele para o Real Madrid entre 2000 e 2003 — não o jogador que aparece nos melhores momentos do gol, mas aquele cuja ausência explica por que os momentos ruins acontecem. Quando o camisa 8 está fora, o Fluminense perde o filtro entre a linha defensiva e a criação. Hércules e Acosta têm qualidades distintas, mas o equilíbrio que Martinelli traz ao bloco médio é um tipo de inteligência posicional que não se improvisa.
"A presença do volante ainda era tratada como incerta até a atividade desta terça, mas o jogador acabou liberado e estará à disposição de Luis Zubeldía no Maracanã", confirmou a reportagem do Lance!
O movimento de Martinelli no meio-campo lembra aquele tipo de corredor estreito que se abre como uma fenda entre pedras — silencioso, quase invisível, mas decisivo para quem sabe onde olhar. Ele não vai aparecer no pôster da classificação, mas pode ser o motivo pelo qual ela acontece.

Os desfalques que Zubeldía ainda carrega e o que eles significam
Nem tudo é otimismo no Laranjeiras. Alisson segue em transição física e não retornou aos trabalhos completos com o elenco. Matheus Reis está em recuperação de cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho direito — o tipo de lesão que consome pelo menos seis meses de calendário. Ignácio fraturou o quarto metacarpo da mão direita e também está fora. São três peças que afetam profundidade e opções de banco.
Quem acompanhou a Juventus de 1999 ou o Arsenal de 2002 sabe que times que chegam a decisões de grupo com três titulares ausentes precisam de uma coisa acima de tudo: clareza de sistema. Zubeldía tem construído exatamente isso — um time que sabe o que faz sem depender de nomes específicos para executar. A linha de quatro com Guga, Jemmes, Freytes e Arana é suficientemente compacta para suportar a pressão de uma noite decisiva.
Segundo informações do Lance!, Ganso novamente não foi relacionado após informar à diretoria o interesse de outro clube em sua contratação na próxima janela de transferências.
A saída de Ganso do grupo — mesmo que temporária e motivada por questões contratuais — é um sinal de que o Fluminense já está, de certa forma, pensando no que vem depois desta fase. Isso pode ser lido como distração ou como maturidade institucional. Depende do resultado desta quarta.
O Fluminense entra em campo nesta quarta-feira (27) às 21h30, no Maracanã, contra o Deportivo La Guaira. Se vencer e o Bolívar tropeçar diante do Independiente Rivadavia na partida simultânea, o Tricolor avança às oitavas de final. O sorteio da próxima fase está marcado para 30 de maio — e até lá, a matemática precisa de dois resultados certos.










