O Real Betis monitora Roberto Martínez como possível substituto de Manuel Pellegrini, segundo a Radio Marca. A mudança representaria revolução tática significativa: migração do tradicional 4-2-3-1 andaluz para o 3-4-3 implementado pelo técnico belga na Seleção Portuguesa.

Sistema tático requer reformulação estrutural

Martínez consolidou em Portugal um modelo baseado em três centrais, com Pepe, Rúben Dias e Inácio formando linha defensiva escalonada. O Betis atual opera com dupla de zagueiros centrais - Chadi Riad e Marc Bartra como titulares - exigindo adaptação ou contratação de terceiro defensor.

A transição ofensiva portuguesa privilegia saída de bola pelos laterais avançados, com Cancelo e Nuno Mendes assumindo posições de ala. No esquema de Pellegrini, Aitor Ruibal e Juan Miranda cumprem função mais recuada, focada na compactação defensiva.

"O presidente Ángel Haro e o diretor esportivo Manu Fajardo veem com bons olhos a chegada de um novo treinador", segundo a Radio Marca.

Fekir e Isco enfrentariam mudança posicional

A análise do SportNavo revela incompatibilidade inicial entre o estilo de Fekir e as demandas do 3-4-3 de Martínez. O francês atua como meia-atacante no 4-2-3-1, com liberdade para flutuar entre linhas. No sistema português, ocuparia posição de falso 9 ou extremo direito invertido.

Isco apresenta perfil mais compatível com a função de meio-campista criativo, similar ao papel de Bernardo Silva na Seleção. Sua capacidade de condução e passes verticais se alinharia à filosofia de construção desde o fundo implementada por Martínez.

Os dados de posse de bola evidenciam diferenças significativas: Portugal mantém 61% de posse média sob Martínez, enquanto o Betis registra 58% com Pellegrini. A diferença indica maior ênfase na circulação de bola no modelo belga.

Transições e linha de pressão adaptadas

O pressing coordenado português inicia na linha de três quartos do campo, com os extremos fechando por dentro para comprimir espaços centrais. Pellegrini prefere pressão na altura do meio-campo, mantendo estrutura 4-4-2 sem bola.

Guido Rodríguez e William Carvalho funcionariam como dupla de volantes no 3-4-3, assumindo responsabilidades similares às de Palhinha e Vitinha em Portugal. A cobertura defensiva seria garantida pelo trio de zagueiros, liberando os meio-campistas para transições mais ousadas.

As estatísticas mostram Portugal com 2,1 gols por jogo nos últimos seis meses, contra 1,4 do Betis no mesmo período. A diferença sugere maior efetividade ofensiva do sistema de Martínez, embora as competições sejam distintas.

Projeção para adaptação na La Liga

A implementação do modelo tático exigiria período de adaptação de aproximadamente três meses, considerando a complexidade das movimentações coordenadas. Jogadores como Ayoze Pérez e Ez Abde se beneficiariam das funções de extremo no 3-4-3.

Conforme levantamento do SportNavo, o Betis possui nove jogadores com experiência em sistemas de três zagueiros, facilitando a transição. A contratação de lateral-direito seria prioritária para equilibrar as alas.

O clube andaluz volta aos treinamentos em julho, com pré-temporada programada para testar adaptações táticas. Martínez possui contrato com Portugal até a Copa do Mundo de 2026, complicando eventuais negociações imediatas.