"Temos altas expectativas para esta franquia e a responsabilidade de construir uma organização de basquete capaz de disputar títulos de forma sustentável." A frase é de Masai Ujiri, o novo presidente do Dallas Mavericks, e ela foi suficiente para encerrar o ciclo de Jason Kidd na franquia texana nesta terça-feira, 19 de maio.

A demissão foi anunciada como "decisão mútua", mas a realidade é outra: Ujiri chegou a Dallas em 5 de maio e, quando perguntado sobre Kidd na coletiva de apresentação, foi cirúrgico — "vamos examinar as coisas da cabeça aos pés". Duas semanas depois, o técnico estava fora.

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O que os números de Kidd nos Mavs realmente dizem

Cinco temporadas. 205 vitórias. 205 derrotas. Cinquenta por cento de aproveitamento — o número que resume e condena ao mesmo tempo. Nos playoffs, o saldo foi positivo: 22 vitórias e 18 derrotas, com passagem pelas finais da Conferência Oeste em 2022 e chegada às Finais da NBA em 2024. Esses são os fatos que sustentam a defesa de Kidd.

A contra-leitura, porém, é igualmente válida. Kidd comandou os Mavs durante o auge de Luka Doncic — o jogador mais dominante da franquia desde Dirk Nowitzki — e ainda assim não converteu esse talento em título. Quando a troca bombástica de Doncic para o Los Angeles Lakers veio a público, em fevereiro de 2025, Kidd garantiu que não sabia de nada. Mark Cuban, ex-dono e atual acionista minoritário, contradisse publicamente o técnico, afirmando que ele estava envolvido na negociação por conta de problemas físicos do esloveno. A versão de Kidd nunca foi completamente engolida.

Depois da saída de Doncic, o técnico ainda tentou se reposicionar internamente. Com a demissão do general manager Nico Harrison em novembro, Kidd expressou interesse em assumir a presidência de operações de basquete. O dono Patrick Dumont disse não — e escolheu Ujiri. Decidiu.

Por que a chegada de Ujiri torna a demissão inevitável

Ujiri construiu o Toronto Raptors campeão de 2019 do zero, com visão de longo prazo, controle total de operações e disposição para tomar decisões impopulares. Ele não chegou a Dallas para gerir o que estava posto — chegou para redesenhar a estrutura.

O que os números de Kidd nos Mavs realmente dizem Masai Ujiri demite Jason Kidd
O que os números de Kidd nos Mavs realmente dizem Masai Ujiri demite Jason Kidd

Manter Kidd seria como contratar um novo diretor de cinema e deixar o roteirista anterior no set. A analogia não é forçada: Ujiri precisa de um técnico que compartilhe sua filosofia desde a fundação, não de alguém com quatro anos e US$ 40 milhões de contrato que já tentou ocupar o cargo do novo chefe.

A avaliação do SportNavo é que o custo financeiro da demissão — Kidd ainda receberá o valor restante do contrato, mesmo fora do cargo — é o menor dos problemas. O passivo real está na reconstrução do elenco, no draft e na capacidade de Ujiri atrair um técnico de alto nível para uma franquia em transição.

O que vem agora para os Mavericks sob Ujiri

Ujiri prometeu uma "busca minuciosa" pelo próximo técnico principal e deixou claro que toda a estrutura do departamento de basquete será reavaliada. Nomes como Ime Udoka, Mike Budenholzer e Kenny Atkinson já circulam nos bastidores da NBA como candidatos com perfil compatível com o que Ujiri costuma buscar — técnicos que valorizam sistema, desenvolvimento de jovens e identidade defensiva.

O elenco atual dos Mavs tem peças jovens com potencial, mas carece de uma estrela definitiva desde a saída de Doncic. A escolha do próximo treinador vai dizer muito sobre se Ujiri pretende reconstruir com paciência ou tentar acelerar o processo via mercado de transferências no verão de 2026.

O prazo para anunciar o novo técnico deve ser as próximas semanas, antes do início da free agency da NBA, marcada para o começo de julho — uma janela crítica para sinalizar ao mercado qual direção os Mavericks vão tomar.