Não, Matheus Cunha não é apenas um centroavante de área que espera a bola chegar. A narrativa que o reduzia a um atacante de instinto puro — útil, mas não decisivo — desmoronou em Old Trafford neste domingo (3) de maio, quando o brasileiro de 26 anos transformou um clássico contra o Liverpool numa aula de protagonismo. Três gols do Manchester United. Três com a digital do camisa 10. Placar final: 3 a 2. Vaga na Champions League 2026/27 carimbada.
Quem se beneficia diretamente
O barulho na arquibancada começou cedo. Aos 5 minutos, Mbeumo cobrou escanteio pela direita, a bola sobrou na entrada da área e Matheus Cunha arriscou de direita — a bola desviou no holandês Gravenberch. No rebote, a perna esquerda do brasileiro não perdoou: 1 a 0. Oito minutos depois, foi ele quem rolou para Luke Shaw após rebote do goleiro Woodman; o lateral cruzou, Bruno Fernandes cabeceou, Woodman espalmou e a bola bateu na barriga de Sesko antes de entrar. O VAR revisou suspeita de mão, confirmou o gol. Manchester United 2, Liverpool 0.
Matheus Cunha esteve diretamente envolvido nos três tentos dos Red Devils — gol, assistência para o segundo e cruzamento que originou o terceiro. Segundo análise do SportNavo, nenhum brasileiro havia sido decisivo num clássico United x Liverpool em Old Trafford desde o ciclo de Neymar no PSG, quando o confronto ainda era sonho distante. O volante Kobbie Mainoo fechou o placar aos 31 minutos do segundo tempo com uma chapada rasteira de fora da área, após cruzamento de Luke Shaw — mas o roteiro já tinha nome e sobrenome escritos na capa.
Quem perde
O Liverpool chegou a Old Trafford com 58 pontos e saiu com os mesmos 58 — e com a sensação de que o jogo escapou pelos dedos do goleiro Caoimhin Kelleher, que não estava em campo. Quem estava era Woodman, e depois Lammens, que cometeu o erro mais comentado da tarde: aos 10 minutos do segundo tempo, o arqueiro saiu jogando errado, entregou a bola de bandeja para Mac Allister — que armou a jogada para Gakpo empatar em 2 a 2. O presente virou armadilha: o United reagiu, Mainoo fez 3 a 2 e os Reds foram para casa com as mãos vazias.
Szoboszlai foi o nome do Liverpool no jogo — o húngaro marcou um golaço aos 2 minutos do segundo tempo, carregando desde o meio-campo e batendo rasteiro após driblar Maguire e Dalot. Mas dois gols de Szoboszlai não foram suficientes para segurar o ímpeto de um United — que, ironicamente, cedeu a posse de bola ao adversário durante boa parte da partida e venceu na eficiência. O time de Arne Slot permanece em quarto lugar, com 58 pontos, e pode ainda perder essa posição para o Aston Villa, que recebe o Tottenham hoje às 15h no Villa Park.

O efeito dominó nas próximas semanas
Com 64 pontos e terceiro lugar consolidado, o Manchester United não pode mais ser alcançado pelo quinto colocado nas três rodadas restantes — a vaga na Champions League 2026/27 está matematicamente garantida. Arsenal lidera com 76 pontos, Manchester City aparece em segundo com 70. Para o United, o calendário agora inclui a visita ao Sunderland no Stadium of Light no próximo sábado (9), sem a pressão de um resultado obrigatório.
O Liverpool — que ainda tem chances altíssimas de se classificar para a Champions — enfrenta o Chelsea no Anfield também no dia 9. A derrota de hoje não elimina os Reds da corrida europeia, mas o empate do Aston Villa com os 58 pontos do time de Slot transforma a rodada seguinte em campo minado. Conforme apuração do SportNavo, esta é a primeira vez desde 2019 que o United garante vaga na Champions antes do encerramento do campeonato inglês.
O quadro geral que se desenha
Matheus Cunha chegou ao Manchester United em janeiro de 2024, vindo do Wolverhampton por cerca de 35 milhões de libras. Demorou para encontrar ritmo — e as críticas vieram. Neste domingo, porém, o atacante respondeu dentro de campo com a consistência que os torcedores cobravam: gol, assistência e participação direta nos três tentos numa vitória sobre o maior rival histórico do clube. São números que pedem contexto, não euforia.
O atacante — que veste a camisa da Seleção Brasileira e carrega a expectativa de ser convocado para a Copa do Mundo de 2026 — mostrou em Old Trafford que consegue ser decisivo em jogos de altíssima pressão. A pergunta sobre seu espaço no time de Dorival Júnior ficou mais interessante após este domingo. O Manchester United volta a campo no dia 9 de maio, contra o Sunderland, no Stadium of Light, às 11h (horário de Brasília).
Matheus Cunha colocou o United na Champions. O resto é consequência.









