Zero títulos. Esse é o número que define — e condena — a temporada 2025/26 do Real Madrid. Não um número qualquer: é a primeira vez em duas temporadas consecutivas que o clube mais vitorioso da história europeia termina o ano de mãos vazias. Sem a Copa del Rey, eliminado da La Liga matematicamente no clássico contra o Barcelona, e fora da Champions antes das semifinais. A noite desta quinta-feira, 14 de maio, no Santiago Bernabéu, foi apenas a cerimônia fúnebre de um ciclo que já estava morto.
O Bernabéu que vaiu antes do apito
Madrid, 21h30 no horário local. O calor seco da capital espanhola envolvia um estádio que parecia ter perdido a alma. As arquibancadas do Bernabéu estavam visivelmente vazias quando os jogadores do Real Madrid saíram para o aquecimento — e o que veio da torcida presente não foi apoio. Foram vaias. Sonoras, prolongadas, sem piedade. O Marca descreveu a cena como "más pitos que aplausos, con el Bernabéu muy vacío", e quem estava na tribuna de imprensa relatou que parecia "mais música de vento do que um concerto de futebol". O adversário da noite, o Real Oviedo, chegava já rebaixado à Liga Hypermotion — e mesmo assim o clima no estádio era de velório.
O técnico Álvaro Arbeloa, que já sabe que não continuará no cargo na próxima temporada, tentou apagar o incêndio antes mesmo do apito inicial.
"Sempre disse que o Madrid é mais forte quando estamos juntos. Assim foi na nossa história e nas grandes noites"— palavras que soaram mais como despedida do que como motivação. Arbeloa escalou Courtois; Alexander-Arnold, Asencio, Alaba e Carreras; Camavinga, Tchouaméni e Brahim; Mastantuono, Gonzalo e Vinícius. Kylian Mbappé ficou no banco.
Mbappé no banco — o símbolo que ninguém queria ver
Quem não tem cão caça com gato — e o Real Madrid desta temporada caçou com tudo que tinha, menos com sua arma mais cara. Mbappé, contratado para ser o centroavante da próxima era merengue, começou a última rodada como suplente. O Marca notou que ele foi o único dos reservas que não saiu para o aquecimento junto com os companheiros, "tratando de atrasar ao máximo seu julgamento público". Uma imagem que vale mais do que qualquer estatística.
O contexto é devastador. Na jornada 2 desta mesma temporada, em agosto de 2025, Mbappé havia marcado duas vezes na vitória por 3 a 0 sobre o próprio Oviedo. Menos de nove meses depois, o francês assistia do banco ao encerramento de uma temporada que prometia ser histórica — e foi, mas pelo motivo errado. Para completar o quadro, Didier Deschamps deixou Eduardo Camavinga fora da lista de 26 convocados da França para o Mundial, notícia que chegou justamente no dia do jogo, enquanto o volante se preparava para ser titular no Bernabéu.
O que zero títulos projeta para o futuro merengue
Quando um clube gasta o que o Real Madrid gastou e termina sem nada, as perguntas são inevitáveis. Quando a torcida vaia antes do apito inicial, as respostas precisam ser rápidas. Predrag Mijatovic, ídolo e ex-dirigente do clube, foi direto ao ponto ao ser questionado sobre o futuro do elenco:
"Quizás hay que pensarlo seriamente. Quedarse con los dos sería un error tremendo"— referindo-se à possibilidade de vender Mbappé ou Vinícius Jr. no mercado de verão.
Arbeloa minimizou publicamente a crise — "não levamos 50 anos sem ganhar nada", disse —, mas a convocação de eleições na presidência do clube, anunciada nesta quinta-feira, indica que a turbulência institucional está longe do fim. David Alaba, que viveu a temporada "de puntillas" segundo a imprensa espanhola, deve deixar o clube ao fim do contrato. As baixas para o jogo desta noite já ilustravam a profundidade do problema: Valverde, Güler, Huijsen, Militão, Rodrygo, Lunin e Mendy todos fora por lesão. O Real Madrid encerra a temporada 2025/26 na segunda posição da La Liga — e começa já na sexta-feira a montar o elenco que precisará, na próxima temporada, responder a tudo isso dentro de campo.








