4 de junho. Faltam poucos dias para o pontapé inicial da Copa do Mundo, e o termômetro já esquenta em Nantes. Hoje à tarde — 16h10 no horário de Brasília —, a França recebe a Costa do Marfim em um amistoso que, na teoria, é apenas mais um compromisso de preparação. Na prática da beira do gramado, todo mundo sabe que não é bem assim.
Dois jogos restam aos Bleus antes da estreia no torneio. Dois jogos para Didier Deschamps afinar o mecanismo de uma seleção que chegou à final do último Mundial e que, agora, carrega sobre os ombros o peso de um tricampeonato em aberto. O grupo I espera — com Senegal, Iraque e Noruega na fila —, mas o vestiário ainda tem perguntas sem resposta.

O número que define a tarde em Nantes
Três. Esse é o número que paira sobre a França hoje: três atacantes titulares, três dinâmicas diferentes, e apenas um deles com certeza de começar em plena forma. Michael Olise, Ousmane Dembélé e Kylian Mbappé formam o trio ofensivo mais aguardado do planeta — mas Dembélé deve começar no banco. O camisa 10 do PSG esteve em campo no último fim de semana pela final da Champions League e Deschamps não quer arriscar. Isso abre espaço para Marcus Thuram avançar na linha ofensiva e para Olise ganhar protagonismo pela direita.
A escalação provável que circula nos bastidores coloca Maignan no gol; Koundé, Saliba, Konaté e Theo Hernández na defesa; Tchouaméni, Kanté e Rabiot no meio; e o trio Olise, Thuram e Mbappé no ataque. É uma máquina bem azeitada — mas que ainda precisa mostrar, em jogo real, como funciona quando o adversário aperta o cinto e resolve travar os espaços.
"A França tem qualidade individual absurda, mas o que vai decidir a Copa é a coesão coletiva", segundo análise publicada pelo SportNavo nos últimos dias de preparação europeia.
O que a Costa do Marfim quer provar contra os Bleus
Do outro lado do gramado, o clima é diferente — mas não menos intenso. A Costa do Marfim chega a Nantes com a missão de testar seus limites antes de encarar o Grupo E, onde Alemanha, Equador e Curaçao esperam. E o nome mais quente da delegação marfinense é Amara Diallo, do Manchester United, a grande aposta para liderar o ataque na Copa.
A equipe do técnico marfinense deve entrar em campo com Yahia Fofana na meta; Singo, Ousmane Diomande, Ndicka e Konan na defesa; Sangaré, Kessié e Seko Fofana no meio; e Diallo, Yan Diomande e Adingra no ataque. É uma formação com músculo no meio-campo — Kessié é o pulmão da equipe — e velocidade nas pontas. Contra a linha defensiva francesa, com Saliba e Konaté, vai ser um choque de gerações e estilos.
"Queremos chegar à Copa em crescimento, não apenas em ritmo de treino", disse o técnico da Costa do Marfim em entrevista antes do embarque para a França, deixando claro que o amistoso não será passeio.
Os pontos de atenção que Deschamps não pode ignorar
Há uma questão tática que Nantes vai responder hoje: como a França se comporta sem Dembélé na largada? Nos últimos meses, o camisa 10 do PSG foi o fio condutor entre o meio e o ataque. Sem ele, o peso criativo cai sobre Olise — talvez o jogador mais emocionante do grupo, mas ainda em processo de consolidação no nível A da seleção.
A torcida que lotar o estádio esta tarde vai monitorar também a forma física de N'Golo Kanté. Recuperado de uma sequência de lesões que marcou os últimos dois anos de sua carreira, o volante do Al-Ittihad é peça-chave para Deschamps no equilíbrio entre defesa e transição. Se Kanté aparecer afiado contra a Costa do Marfim, a França entra na Copa com uma vantagem real sobre as outras favoritas.
Pelo lado marfinense, o duelo Singo versus Theo Hernández vai ser um dos recortes mais interessantes da tarde. Os dois laterais são rápidos, agressivos e gostam de subir — o que pode deixar espaços para as transições que Mbappé mais ama explorar. Se Diallo conseguir criar situações de um contra um com Konaté ou Saliba, a Costa do Marfim terá mostrado que veio a Nantes para mais do que apenas cumprir tabela.
Após o confronto de hoje, a França ainda terá mais um amistoso antes de estrear na Copa do Mundo. O Grupo I — com Senegal como adversário mais perigoso — começa em poucos dias, e cada minuto jogado contra a Costa do Marfim vai ser analisado pela comissão técnica de Deschamps como dado bruto de preparação. É o mesmo cenário que a França viveu em 2018, às vésperas da Rússia, quando os testes pareciam insuficientes — só que agora a aposta é o tricampeonato.









