A última vez que Daniil Medvedev entrou em quadra tão irreconhecível em um Masters 1000 e ainda assim saiu com a classificação foi em Cincinnati, em 2023 — e mesmo assim a virada não foi tão dramática quanto a protagonizada nesta quarta-feira, 14 de maio, no Foro Itálico. O russo, número 9 do ranking ATP, cedeu um primeiro set de 6/1 ao jovem espanhol Martin Landaluce com a naturalidade de quem parecia ter esquecido que estava em uma quadra de tênis, acumulou oito erros não forçados, sofreu duas quebras de saque e produziu apenas três winners. E então, com a frieza característica de quem já esteve em finais de Grand Slam, reconstruiu a partida tijolo por tijolo até fechar em 1/6, 6/4 e 7/5, em quase duas horas e meia de batalha.

O primeiro set que Medvedev preferiria esquecer

Havia algo perturbador na movimentação de Medvedev no início da partida — um jogador que parecia estar na quadra apenas de corpo. O backhand cruzado, normalmente uma das armas mais precisas do circuito masculino, chegou à rede repetidas vezes. O saque, que costuma abrir o court com eficiência cirúrgica, entregou dois break points ao espanhol de 19 anos sem maiores resistências. Landaluce, lucky loser que havia chegado ao torneio pela porta dos fundos, aproveitou cada milímetro de espaço concedido pelo russo e construiu um 6/1 com a autoridade de quem estava jogando em casa — o que, no Foro Itálico de saibro vermelho, tecnicamente estava. O placar do primeiro set é um dos mais humilhantes que Medvedev já sofreu em uma partida de quartas de final em Masters 1000.

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A virada que o Foro Itálico não esperava

No segundo set, Medvedev emergiu de si mesmo. Uma quebra para abrir 3/1 anunciou que o russo havia finalmente chegado à partida. Landaluce devolveu o break e empatou em 3/3 — e aí a capital italiana interveio: uma chuva forte interrompeu o jogo por 15 minutos, como se o Foro Itálico precisasse de uma pausa para respirar. Na volta, o espanhol igualou novamente em 3/3 pelo serviço, mas Medvedev abriu 5/3 com a elegância de quem recuperou o compasso. Desperdiçou o saque para fechar o set, mas converteu o break point seguinte e igualou a disputa em 6/4. O terceiro set foi uma obra de resistência: Landaluce quebrou cedo para abrir 3/1, o russo buscou o 3/3 e passou a pressionar com a intensidade de um drop shot que não dá tempo de resposta. O espanhol salvou três match points quando perdia por 5/4 — três momentos em que a partida esteve literalmente na ponta da raquete de Medvedev. Dois games depois, o russo converteu a quebra definitiva e carimbou a vaga na semifinal.

O SportNavo acompanhou a trajetória de Medvedev nesta semana em Roma e o dado que mais chama atenção é a capacidade do russo de elevar o nível de jogo exatamente quando a derrota parece inevitável — uma característica que o colocou entre os melhores do mundo por anos e que, nesta quarta-feira, ficou em exibição completa no saibro vermelho do Foro Itálico.

Quem sai perdendo com essa classificação

Para Landaluce, a derrota dói com a crueldade específica dos três match points desperdiçados no 5/4 do terceiro set. O espanhol de 19 anos chegou ao torneio como lucky loser, número 94 do mundo, e construiu uma campanha que já era histórica para alguém na sua posição. Salvar três match points consecutivos e ainda perder o set — e a partida — é o tipo de resultado que forma tenistas ou os quebra. A resposta de Landaluce a essa experiência no Foro Itálico dirá muito sobre o que ele pode se tornar no circuito.

Medvedev diante de Sinner e o efeito cascata na semifinal

Jannik Sinner, número 1 do mundo, chega à semifinal de sexta-feira, 15 de maio, com um recorde histórico recém-estabelecido: 32 vitórias consecutivas em torneios Masters 1000, superando as 31 de Novak Djokovic em 2011. Contra Andrey Rublev, o italiano fechou em 6/2 e 6/4 com a eficiência de quem domina o saibro romano como se fosse seu quintal. O confronto entre Sinner e Medvedev tem a densidade de uma rivalidade que já passou por Grand Slams e Finals do ATP — e o russo, mesmo após a batalha de quase 150 minutos contra Landaluce, chega como o adversário mais perigoso que o italiano pode enfrentar nesta fase.

Há algo no ritmo do tênis de Medvedev — aquele balanço lento, quase preguiçoso, que de repente dispara um ace no T com precisão milimétrica — que funciona como o compasso da Lapa numa quinta-feira à noite: parece calmo até que não é mais. Sinner sabe disso. Os dois já se enfrentaram 14 vezes no circuito, e o italiano lidera o confronto direto, mas Medvedev em modo de virada é um organismo diferente do que foi visto no primeiro set desta quarta-feira.

A semifinal entre Sinner e Medvedev está marcada para sexta-feira, 15 de maio, a partir das 14h (horário de Brasília). Antes, às 10h30, Casper Ruud e Luciano Darderi decidem a outra vaga na final do Masters 1000 de Roma.

Medvedev voltou. Sinner está avisado.