É um relógio suíço com pavio curto.
A imagem resume o impasse que o Corinthians enfrenta com Memphis Depay: um ativo de altíssimo valor de mercado, parado desde 22 de março por lesão muscular na coxa direita, com contrato prestes a vencer e um custo mensal que o clube não consegue bancar sozinho. A solução encontrada pela diretoria é criativa — e revela muito sobre a crise estrutural de receitas do Timão.
Memphis aceita virar ativo publicitário para viabilizar novo contrato
Segundo apurou a ESPN, o Corinthians mantém conversas com até três empresas interessadas em fechar patrocínio vinculado à imagem do atacante holandês. O modelo funciona assim: as marcas bancam parte relevante do custo salarial em troca de ações publicitárias protagonizadas por Memphis. O jogador, por sua vez, já sinalizou que topa participar dessas campanhas — o que é determinante para o avanço das negociações.
Seria injusto chamar de revolução contratual — mas é uma revolução em escala doméstica. Poucos clubes brasileiros estruturaram um acordo de renovação no qual o próprio jogador atua como vetor de captação de receita, substituindo parcialmente o salário tradicional por valor gerado em marketing.
Segundo fontes ouvidas pela ESPN, as conversas caminham "em bom tom" com as empresas, embora a situação não seja tratada como fechada ou sequer avançada.
O otimismo interno, portanto, é cauteloso. A diretoria corintiana sabe que o modelo depende de três variáveis simultâneas: o interesse das marcas, a disponibilidade do atleta para cumprir os compromissos publicitários e a recuperação física do holandês — que, lesionado, reduz seu apelo imediato como ativo de imagem.
O que os números dizem sobre Memphis no Corinthians em 2026
O atacante acumula 12 jogos pelo Corinthians na temporada 2026, com apenas um gol e uma assistência antes de se machucar. A lesão ocorreu no duelo contra o Flamengo, em 22 de março, na Neo Química Arena, pelo Brasileirão. Desde então, Memphis está fora de combate.
O histórico financeiro da contratação pesa na equação. Em 2025, reportagens revelaram que o custo total do holandês ao clube girava em torno de R$ 6 milhões mensais, considerando salário, luvas e encargos — cifra que colocou o negócio entre os mais caros da história do futebol brasileiro. A renovação, se concretizada no modelo de garoto-propaganda, permitiria ao clube diluir esse custo com o aporte dos patrocinadores, sem necessariamente reduzir o pacote total recebido pelo jogador.
Memphis chegou ao Corinthians em 2024, após passagem pelo Atlético de Madrid, onde atuou na temporada 2023/24. Antes disso, defendeu Barcelona, Lyon e a seleção holandesa. Seu valor de mercado, segundo o Transfermarkt, está estimado em 8 milhões de euros — número que já foi significativamente mais alto no auge da carreira, quando chegou a 60 milhões de euros no período em que atuava no Lyon e na seleção da Holanda.
As três empresas e o prazo que ninguém quer revelar
A identidade das três empresas envolvidas nas negociações não foi divulgada pela ESPN nem confirmada pelo clube. O que se sabe é que o Corinthians trata o processo como prioritário, dado que o contrato de Memphis tem prazo de encerramento próximo e a janela de transferências europeia abre oficialmente em julho.
Nas palavras de fontes ligadas ao clube, o cenário "não é fechado, mas caminha bem" — sinalização que, na linguagem do futebol brasileiro, costuma significar que há interesse real, mas ainda faltam garantias concretas.
Para o Corinthians, a urgência é dupla. Primeiro, segurar um dos nomes mais reconhecidos internacionalmente do elenco, com capacidade de movimentar patrocinadores e venda de camisas. Segundo, evitar perder o jogador de graça — caso o contrato expire sem renovação, Memphis sai sem gerar nenhuma receita de transferência ao clube.
A mesma lógica já foi usada pelo Corinthians em outros momentos de aperto financeiro, quando acordos com patrocinadores foram estruturados para cobrir parte da folha salarial de jogadores específicos. É o mesmo cenário que o clube viveu com a gestão de contratos caros em 2023 — só que agora a aposta é diferente: o próprio atleta é o produto sendo vendido às marcas.
Memphis deve retornar aos treinos nas próximas semanas. O Corinthians tem compromissos importantes pela frente: enfrenta o Botafogo em 17 de maio pelo Brasileirão e o Peñarol em 21 de maio pela CONMEBOL Libertadores — dois jogos nos quais a presença do holandês ainda é incerta, mas que definem diretamente o peso comercial do nome dele na mesa de negociação.








