Tem 20 anos, pesa 70 kg e veste a camisa 7 de um clube que historicamente exige maturidade antes de dar protagonismo. O paradoxo de John Stiven Mendoza Valencia é exatamente esse: ele já entrega os números de um titular consolidado, mas ainda carrega a incógnita de quem não passou por nenhuma grande vitrine continental. A temporada de 2026 está sendo o momento em que essa contradição começa a se resolver.
O número que define a temporada
Oito gols e três assistências em 31 jogos pelo Athletico PR no Brasileirão Série A. Para um atacante de 20 anos, essa linha estatística não é trivial. A média de participação direta em gols — somando finalizações convertidas e passes decisivos — fica em torno de 0,35 por partida, um índice que coloca Mendoza entre os jovens mais produtivos da posição no campeonato em 2026.
O que torna o número ainda mais relevante é o contexto: a Série A de 2026 é competitiva, com pouco espaço para experiências longas com jogadores em formação. Quando um clube escalou um atleta 31 vezes na mesma temporada, a mensagem da comissão técnica é clara — ele não é aposta, é escolha.
Como ele chegou aqui
O caminho de Mendoza até o Athletico não foi linear. O contexto biográfico disponível aponta passagens por Ceará, Santos, Adana Demirspor (Turquia) e León (México) antes de chegar ao Paraná, o que indica uma trajetória marcada por adaptações culturais e táticas em ritmo acelerado para alguém que ainda não completou 21 anos.
No Ceará, em 2022, o futebol viu um atacante capaz de ser decisivo em múltiplas frentes: dez gols na Série A daquele ano, mais participações na Copa do Nordeste e na CONMEBOL Sudamericana. Essa versatilidade competitiva — render em campeonato nacional e em torneio continental ao mesmo tempo — é um dado formativo importante. Não é qualquer jovem que sustenta produção em calendário duplo.
A passagem pelo Santos em 2023 trouxe outro teste: o Campeonato Paulista, competição de alto nível técnico, onde Mendoza somou dez jogos e quatro gols. Logo depois, o salto para o Adana Demirspor na Süper Lig turca mostrou disposição para sair da zona de conforto do futebol brasileiro. Em 2024, o León no México adicionou mais uma linha ao currículo — 27 jogos e nove gols na Liga MX, sua melhor temporada individual até então em termos de gols por partida.
O que o faz diferente dos pares
A comparação mais honesta para Mendoza é com atacantes jovens que chegaram à Série A vindo de ligas estrangeiras ou de clubes menores e precisaram se adaptar ao ritmo do Brasileirão. O que diferencia seu perfil é a amplitude de experiências acumuladas antes dos 21 anos: Liga MX, Süper Lig, Série A, Copa Sudamericana e Copa do Nordeste são competições com características táticas bastante distintas.
Fisicamente, 173 cm e 70 kg não são os números de um centroavante de área. Mendoza opera como atacante de movimentação, o que exige leitura de jogo e timing de chegada — qualidades que os 8 gols em 31 jogos na temporada atual sugerem estar presentes. Em matéria do SportNavo, é importante registrar: atacante de 173 cm que marca com regularidade no Brasileirão precisa compensar estatura com posicionamento. Os números indicam que ele está conseguindo fazer isso.
Outro ponto de distinção é a consistência de minutos: 31 jogos em uma temporada de Série A representam presença praticamente integral no ciclo competitivo. Não é um jogador que entra no segundo tempo para criar variação — é um titular que o clube mantém em campo.
Os limites a vencer
A ausência de troféus registrados na carreira até agora é um dado que merece atenção. Não porque vencer seja o único critério de avaliação, mas porque competições decisivas revelam aspectos do jogador que temporadas regulares não mostram — pressão de mata-mata, jogos de volta, necessidade de decidir quando o adversário já te conhece.
Mendoza ainda não tem esse capítulo escrito com clareza. As passagens por Copa Sudamericana e Copa do Nordeste indicam que ele já pisou em eliminatórias, mas o volume de jogos nessas competições, conforme os dados disponíveis, foi limitado. A Copa do Brasil de 2026 pode ser o espaço onde essa lacuna começa a ser preenchida.

Há também a questão da projeção internacional. Um atacante que já jogou em três países antes dos 20 anos tem perfil de mercado, mas isso é faca de dois gumes: pode atrair interesse de clubes maiores antes que ele consolide uma base sólida em um único projeto. O Athletico PR, historicamente, é um clube que vende bem — e a pergunta que o mercado começa a fazer é se Mendoza ainda tem uma ou duas temporadas de maturação no Furacão ou se a janela de julho já o coloca no radar de times europeus.
Se o Athletico PR avançar nas fases eliminatórias da Copa do Brasil nas próximas semanas, Mendoza terá a chance concreta de mostrar que seus 8 gols na Série A não são apenas produto de regularidade — são a base de um atacante capaz de decidir quando o jogo vale mais. Você acredita que ele tem o perfil para ser decisivo em um mata-mata de alto nível ainda em 2026?









