O único treino livre do GP de Miami, quarta etapa da temporada 2026 da Fórmula 1, terminou com Charles Leclerc cravando 1m29s310 e liderando o pelotão à frente de Max Verstappen e Oscar Piastri — mas a narrativa mais urgente do paddock do Hard Rock Stadium saiu dos boxes da Mercedes. Os líderes do campeonato de construtores chegaram à Flórida com problemas sérios na unidade de potência e saíram da sessão em desvantagem clara de informação para a sprint que define o grid ainda nesta sexta-feira, a partir das 17h30 (horário de Brasília).
Russell sem resposta dos pneus macios, Antonelli sem voltar à pista
George Russell completou a sessão em 6º lugar, mas o número esconde a frustração que o britânico verbalizou pelo rádio durante a sessão: o motor não respondia dentro dos parâmetros esperados quando ele passou para os compostos macios nos minutos finais. Sem a tração e a recuperação de energia híbrida que necessitava, Russell não conseguiu melhorar de forma significativa em relação aos tempos marcados nos pneus duros — o tipo de gap que, numa sprint em formato condensado, pode custar duas ou três posições no grid.
A situação do companheiro Kimi Antonelli foi ainda mais preocupante do ponto de vista estratégico. O italiano de 18 anos esteve no Top 2 por boa parte da sessão rodando em pneus duros, flertando com a liderança e sinalizando ritmo real. Mas, segundo comunicado oficial da equipe, um problema na unidade de potência não pôde ser solucionado a tempo de ele retornar à pista para a simulação de classificação. Antonelli encerrou o treino com seu melhor tempo marcado no composto mais lento do fim de semana — um dado que praticamente inviabiliza qualquer comparação direta com os rivais diretos no campeonato.
"Tivemos um problema na unidade de potência que não pôde ser consertado a tempo de ele voltar à pista no final da sessão", comunicou a Mercedes em nota oficial após o treino.
Ferrari com pacote novo, Mercedes esperando o Canadá
O contexto técnico amplia o tamanho da dor de cabeça da Mercedes. A Ferrari chegou a Miami com o pacote de atualizações mais substancial do grid — novos defletores, sobreasa redesenhada e ajustes no assoalho — e o cronômetro respondeu imediatamente. Lewis Hamilton, na segunda Ferrari, terminou em 3º, reforçando que as mudanças não foram apenas cosmesticas. McLaren e Red Bull também apresentaram evoluções relevantes nos carros, enquanto a Mercedes optou por um pacote de ajustes mínimos, reservando a atualização maior para o GP do Canadá.
Essa decisão, compreensível dentro de um planejamento de campeonato longo, ficou exposta de forma ingrata no momento em que as rivais fizeram as peças funcionarem logo no treino único do formato sprint. Segundo análise do SportNavo, a diferença entre Russell e o ritmo de Leclerc ficou em aproximadamente 0s6 no setor dois do circuito de Miami — exatamente onde a eficiência da unidade de potência na saída das curvas lentas é mais determinante para o tempo de volta.
Bortoleto supera anomalia na telemetria e fecha em 13º
O brasileiro Gabriel Bortoleto viveu um treino de dois momentos distintos pela Audi. Por mais da metade da sessão de 90 minutos — a FIA acrescentou meia hora extra ao formato sprint padrão justamente para dar às equipes tempo de avaliar as novas regras de gestão de bateria híbrida — o paulista ficou estacionado nos boxes depois de os engenheiros identificarem uma anomalia na telemetria que exigiu verificação completa do chassi. Bortoleto voltou nos 20 minutos finais, completou 13 voltas, e subiu do 17º para o 13º lugar com a montagem dos pneus macios.
"As duas Audi pareciam ter dificuldades nas freadas", observaram fontes do paddock acompanhadas pelo SportNavo. O problema, recorrente nesta temporada, está ligado às trocas de marcha agressivas que desestabilizam o carro nas zonas de frenagem pesada — uma característica que gerou escapadas tanto de Bortoleto quanto de Nico Hülkenberg, 15º colocado.
O companheiro alemão, que flertou com a parte de cima da tabela durante parte da sessão, também não conseguiu manter a consistência necessária nas frenadas das curvas 1 e 11, as duas zonas de maior desaceleração do traçado de Miami. Para a Audi, o fim de semana em formato sprint comprime ainda mais o tempo de desenvolvimento — não haverá outro treino livre antes da corrida principal no domingo.

O que esperar da sprint e do impacto no campeonato
A sessão de classificação sprint que começa às 17h30 desta sexta-feira vai encontrar a Mercedes em posição delicada: sem dados de simulação de Antonelli com pneus macios e com Russell sem confiança plena na unidade de potência, a equipe líder do campeonato pode sair do sábado com pontos da sprint abaixo do esperado. Ferrari, Red Bull e McLaren chegam à classificação com mais informação aerodinâmica e mais voltas em pneu macio no banco de dados. O GP de Miami em si acontece no domingo, e o grid para a corrida principal será definido pela classificação tradicional no sábado à tarde.








