Três grupos fechados, seis seleções classificadas, duas eliminadas e pelo menos duas histórias que vão entrar nos anuários do futebol mundial. A quarta-feira (24/06) da Copa do Mundo de 2026 foi daquelas rodadas que comprimem décadas de narrativa em 90 minutos — e o placar mais sintomático não foi o maior em gols, mas o mais inesperado em consequências: África do Sul 1 a 0 Coreia do Sul, no BBVA Stadium, em Monterrey.

O México de 9 pontos e o peso de um feito inédito

Quando Romo enfiou o passe para o primeiro gol mexicano, ainda no segundo tempo contra a República Tcheca, o Estadio Akron de Guadalajara já vibrava com a certeza matemática: La Tri fecharia a fase de grupos com aproveitamento de 100%, algo que a seleção mexicana nunca havia conseguido em nenhuma edição anterior do torneio. O placar final de 3 a 0 — com gols de Chávez, Quiñones e Fidalgo — sintetiza uma campanha construída sobre organização tática e aproveitamento clínico das oportunidades.

Para se ter a dimensão histórica do feito: nas últimas cinco participações mexicanas em Copas (2002, 2006, 2010, 2014 e 2018), a seleção jamais ultrapassou 7 pontos na fase de grupos. O lendário goleiro Guillermo Ochoa, já com 40 anos, entrou em campo e ainda participou da jogada que culminou no terceiro gol — um detalhe simbólico que não passou despercebido pela imprensa local. A República Tcheca, por sua vez, encerrou o torneio com apenas 1 ponto, eliminada.

O que para o torcedor argentino seria chamado de garra e para o português seria determinação coletiva, o mexicano chama simplesmente de identidade — e esta seleção demonstrou ter encontrado a sua, ao menos nesta fase inicial da competição.

A África do Sul reescreve sua própria história eliminatória

Maseko. O nome que vai ficar. O atacante sul-africano marcou o único gol da vitória sobre a Coreia do Sul e colocou seu país na fase eliminatória de uma Copa do Mundo pela primeira vez na história — considerando que em 2010, quando sediou o torneio, a seleção foi eliminada na fase de grupos apesar do apoio da torcida. A África do Sul terminou o Grupo A com 4 pontos, enquanto a Coreia ficou com 3 e agora depende do critério de melhores terceiros colocados para avançar, com chances matematicamente pequenas.

"Jogamos com coragem. Sabíamos que dependíamos de nós mesmos e mostramos que a África do Sul tem qualidade para competir com qualquer um", disse o técnico sul-africano após a partida, segundo relatos da imprensa local.

A Coreia do Sul, por sua vez, apresentou uma atuação descrita como passiva — a seleção asiática claramente optou por uma estratégia de não se expor, o que acabou custando caro. O histórico coreano em Copas é de seleção que joga pelo resultado, mas desta vez a cautela foi além do razoável.

Grupo C fechado com Brasil em primeiro e Suíça liderando o B

No Grupo C, o Brasil encerrou com 9 pontos e a melhor campanha da chave. A vitória de 3 a 0 sobre a Escócia teve participação de Vinicius Jr. e alguns minutos de Neymar em campo — combinação suficiente para consolidar o primeiro lugar. Marrocos, com 7 pontos e saldo de gols inferior, ficou em segundo. A Escócia, com 3 pontos, ainda tenta a vaga entre os melhores terceiros, mas as chances são mínimas. O Haiti foi eliminado com zero pontos.

No Grupo B, a Suíça venceu o Canadá e liderou a chave. Os canadenses ficaram em segundo e já conhecem seu adversário nas oitavas: a África do Sul, no domingo. A Bósnia, com 4 pontos após bater o Catar, entra na disputa entre os melhores terceiros com chances reais de classificação — o saldo de gols, porém, é inferior ao do Canadá, o que complica a equação.

"A Suíça mostrou consistência que poucos esperavam nesta Copa. Liderar o grupo com autoridade não é pouca coisa num torneio com 48 seleções", analisou a cobertura especializada após o encerramento da rodada.

O que a quinta-feira (25/06) coloca em jogo para o Brasil e para o torneio

A rodada desta quinta define os Grupos D, E e F — e é o F que concentra a atenção brasileira, pois dali sairá o adversário do Brasil na segunda-feira, em Houston. Holanda, Japão e Suécia disputam as duas vagas restantes: a Holanda, favorita, enfrenta a lanterna Tunísia às 20h (horário de Brasília) e deve confirmar o segundo lugar. O jogo decisivo é Japão x Suécia, transmitido pela Globo, SBT, SporTV, NSports e Cazé TV — o Japão joga pelo empate para garantir a vaga, mas cai para terceiro se perder.

Às 17h, o Grupo E traz o duelo entre Equador e Alemanha, com os germânicos já classificados em primeiro. A Costa do Marfim, em segundo com 3 pontos, pode ser ultrapassada pelo Curaçao, que tem 1 ponto mas ainda sonha. O Equador precisa vencer a Alemanha — tarefa de alto grau de dificuldade — para manter qualquer esperança de classificação. Às 23h, fechando o dia, Paraguai e Austrália se enfrentam com 3 pontos cada; a Austrália tem vantagem no saldo e joga pelo empate para avançar.

É o mesmo cenário que a Coreia do Sul viveu em 2010, quando esperou os resultados de terceiros colocados para saber seu destino — só que agora a aposta é diferente: em 2026, com 48 seleções e 8 vagas de melhores terceiros, o risco de uma grande seleção europeia cair por critério de saldo é real, e Japão e Suécia sabem disso melhor do que ninguém.