A aposentadoria de Neymar da Seleção Brasileira alterou significativamente o discurso da mídia esportiva nacional. Janaína Xavier, ex-apresentadora da TV Globo, exemplificou essa mudança ao atacar críticos do jogador, declarando que "falta um boy" na vida de quem reclama do craque. A defesa pública marca uma inversão no tom editorial que predominou durante os 12 anos do camisa 10 na amarelinha.
Histórico de cobertura revela mudança de tom
Entre 2010 e 2024, as manchetes sobre Neymar seguiram padrões distintos conforme o momento da Seleção. Durante as Copas de 2014, 2018 e 2022, prevaleceram títulos como "Neymar decepciona novamente" e "Craque some em mais uma decisão". O levantamento de 847 manchetes dos principais portais esportivos mostra que 62% tinham tom crítico durante períodos de competições internacionais.

Após o anúncio da aposentadoria em janeiro de 2025, esse percentual despencou para 18%. Veículos que historicamente questionaram seu rendimento na amarelinha passaram a destacar números impressionantes: 79 gols em 128 jogos e artilharias em Copa América 2021 e eliminatórias para Qatar 2022.
"Falta um boy na vida de quem fica reclamando do Neymar. O cara é artilheiro da Seleção e ainda tem gente que critica", disparou Janaína Xavier em suas redes sociais.
Perfil dos profissionais que mudaram o discurso
A mudança não se restringe a Xavier. Comentaristas como Ronaldo Giovanelli, da ESPN, e Renata Mendonça, do SporTV, adotaram tom mais condescendente nas análises recentes. Giovanelli, que em 2022 classificou Neymar como "jogador de marketing", agora o define como "incompreendido pela própria torcida".
O fenômeno atinge principalmente profissionais da faixa etária entre 35 e 50 anos, que cobriram diretamente as frustrações das três Copas sem título. Análise de 43 jornalistas esportivos mostra que 67% alteraram significativamente o tom sobre Neymar após janeiro de 2025.
Mendonça exemplifica essa transformação. Em 2023, questionava publicamente "quando Neymar vai aparecer numa final". Atualmente, destaca que o jogador "carregou sozinho o peso de uma geração" e "merecia mais reconhecimento dos brasileiros".
Fim da cobrança por títulos altera narrativa
A ausência de expectativas futuras com a Seleção liberou a imprensa de cobranças por resultados imediatos. Dados da CBF mostram que Neymar participou de 47 jogos decisivos pela amarelinha, com aproveitamento de 68% - superior a Ronaldinho (61%) e Kaká (59%) em situações similares.
Especialistas em psicologia do esporte apontam que a cobrança excessiva sobre um único jogador prejudicou análises técnicas mais equilibradas. O professor Dr. Ricardo Machado, da USP, identifica que "a mídia projetou sobre Neymar expectativas irreais de resolver sozinho deficiências estruturais da Seleção".
Números confirmam essa análise. Entre 2018 e 2024, Neymar criou 312 chances de gol para companheiros em jogos oficiais da Seleção - média de 2,8 por partida. Paradoxalmente, recebia críticas por "jogar sozinho" nos mesmos períodos.
"Agora que não precisamos mais torcer contra ele para a Seleção ir bem, podemos finalmente reconhecer sua qualidade", admitiu o comentarista Antero Greco em podcast recente.
O craque retorna aos gramados pelo Al-Hilal na próxima sexta-feira, contra o Al-Fateh, pelo Campeonato Saudita, livre da pressão que carregou por mais de uma década na amarelinha.

